Projeto Rappers e Revista Pode Crê! celebram os 30 anos de história

Comemorando os 30 anos do Projeto Rappers e também do lançamento da Revista Pode Crê!, o Geledés vem realizando uma série de lançamentos e atividades.

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Card do evento no Sesc Belenzinho

No dia 13 de dezembro de 2023, aconteceu no Sesc Belenzinho um evento onde foram lançados o livro do Projeto Rappers e também todas as edições da Revista Pode Crê! no formato fac-símile.

Foram realizadas duas “mesas” de conversas, a primeira teve a mediação da coordenadora executiva do Geledés, Suelaine Carneiro, com o tema “Projeto Rappers e Revista Pode Crê!: História e Legado para o Hip-Hop Brasileiro”. Participaram dessa mesa o rapper, filósofo e militante Clodoaldo Arruda, o jornalista e militante Flávio Carrança (Editor da Revista), e a palestrante, gestora e educadora socialista Tina Costa.

A outra “mesa” teve a mediação da pesquisadora e doutora em antropologia Jaqueline Lima Santos, com o tema ‘Femini Rappers: a Introdução do Feminismo no Hip-Hop’. Participaram as pioneiras Cris Lady Rap, Sharylaine e Rubia (RPW).

A noite, o encerramento foi uma celebração com shows do DMN, Xis, Resumo do Jazz, BR Sampler (Hebano, James e DJ Roger), DJ Tano, Os Metralhas (Lino Crizz e DJ Dri), Thaide, Rappin Hood, Sharylaine, Cris Lady Rap, Rúbia, Luna e MC Regina.

Capa do livro

Todas essas atividades, que celebram um capítulo importante do Hip-Hop de São Paulo, vem acontecendo desde agosto com o lançamento do documentário “Projeto Rappers: A Primeira Casa do Hip Hop Brasileiro – História e Legado”. Tudo isso também faz parte das comemorações de 50 anos da Cultura Hip-Hop no mundo comemorados em agosto de 2023 e dos 40 anos no Brasil, que serão completados em 2024. Se não bastasse tudo isso, ainda foram lançados uma série de podcasts com 5 episódios, que você pode conferir logo abaixo.

Já escrevi inúmeras vezes e já falei em muitos depoimentos sobre a importância da Revista Pode Crê! para a mídia alternativa em geral e para mim particularmente. Eu até iniciei no site a digitalização da Revista, até agora consegui fazer apenas da edição #02 (confira aqui). Uma iniciativa independente sem nenhum incentivo ou apoio público/privado, assim como todas as outras que realizamos no Bocada Forte. Tenho centenas de publicações impressas da mídia alternativa pra fazer o mesmo, você pode conferir aqui edições dos fanzines da Posse Orí e Mjiba.

Cris Lady Rap, Rubia e Sharylaine – foto por, Erica Bastos

Além de acompanhar o evento do Sesc Belenzinho de ponta a ponta, ouvi todos os episódios do podcast e assisti ao documentário.

Todo esse conjunto de lançamentos se complementam e trazem registros históricos com as falas de personagens que fizeram tudo isso acontecer.

Assim como foi com a ‘Pode Crê!’, a produção, apresentação e idealização foi toda do Geledés e dos integrantes do Projeto Rappers.

Primeiro Episódio – ‘Uma história viva’: É uma apresentação, Sharylaine e Clodoaldo, com a participação de Natália Carneiro fazem um resumo e destacam os principais conteúdos publicados nas 5 edições da Revista.

Segundo episódio – ‘A Mídia Independente’: Nosso editor DJ Cortecertu foi o convidado. Uma ótima escolha, já que ele sabe muito bem do que fala quando o assunto é a mídia independente e alternativa. Importante ter alguém do Bocada Forte participando, já que somos o único veículo especializado que se mantém em atividade por 25 anos.

Terceiro episódio – ‘Posses’: O convidado foi o Panikinho (ex-integrante da Aliança Negra), que falou sobre a sua experiência em uma Posse. Importante reforçar que a Aliança Negra foi a primeira Posse da periferia de São Paulo e tem atualmente como presidente Simoni Santos (confira aqui uma entrevista com a Posse feita em).

Quarto episódio – ‘O Hip-Hop e a academia’: Para esse episódio a convidada foi Elaine Nunes Andrade, que realizou o primeiro trabalho acadêmico sobre a Cultura Hip-Hop. Um trabalho controverso, mas que é totalmente compreensível olhando para o contexto da época. Em 2004 o Bocada Forte também foi tema de uma dissertação de mestrado na Universidade de Brasília – ‘HIP HOP NA INTERNET – O SITE BOCADA FORTE COMO ESPAÇO HIPERTEXTUAL DE CONSTRUÇÃO E EXPRESSÃO DE UMA CULTURA JOVEM’.

Quinto episódio – ‘O Hip-Hop, a sociedade civil e o estado’: Nesse episódio a convidada foi a Rubia (RPW), que colaborou para falar sobre a relação do Hip-Hop e seus integrantes como membros da sociedade civil com os governos federal, estadual e municipal. No Brasil existem inúmeras políticas públicas e leis que fortalecem ou que deveriam fortalecer a Cultura Hip-Hop.

Acho importante destacar, até por se tratar de comunicação, que o Bocada Forte não é convidado para a maioria dos eventos que cobrimos, se fossemos esperar convites nós não faríamos quase nenhuma cobertura de evento, inclusive fazemos até menos do que gostaríamos justamente por conta disso. Nós mesmos tomamos a iniciativa de ir atrás e conseguir os acessos com as assessorias de imprensa responsáveis, temos um compromisso com a Cultura Hip-Hop e mesmo quando esses acessos não são concedidos, faremos o possível para estarmos presentes.

Fazer parte da mídia independente e alternativa é ser resistência para existir. Resistir é difícil e cansa, por isso não romantizo essa situação. Acredito que ninguém queira ser resistência, todo mundo quer apenas existir e repito – Resistir cansa! Não é fácil manter por 25 anos um veículo especializado na Cultura Hip-Hop, que anda na contramão e que hoje encontra ainda mais dificuldade, pois existem forças bilionárias pra nos barrar (mercado, indústria, algoritmos, redes e plataformas). A ‘Pode Crê!’ ainda é inspiração, tenho muito mais pra falar sobre a Revista e tenho certeza que conseguirei em algum momento.

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Assista ao documentário

 

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