Palavras & Afins: Indeterminado
ESPALHA --->
Por: Fábio Emecê
Quem não duvida de você? Ainda mais quando se recusa a assumir papéis pré-moldados sobre mobilização e mudança. Ninguém ligará pra sua dor nas costas e depois de um tempo se alinharão a metas e projetos alinhados com o capital. A comunicação não é ativa a ponto de te convencer de que algo é necessário fazer pra se ter algum tipo de benefício coletivo. Nunca fui essa pessoa.
Sempre tive medo de ser esta pessoa porque sempre fui seduzido pelo desvio. Amo a mixórdia. A multidão da diferença, sabe. Entre anseios de se alertar alguém sobre algo ou denunciar uma situação injusta, sentar no meio-fio, fumar um e desenrolar projeções de mundos utópicos em que não precise ser o revolucionário da vez é muito mais prazeroso, certo?
As teorias questionam o desejo, o prazer, sua raiz e sua pulsão. Diante do soft power e mecanismos sofisticados ou nem tento de modulação de proposições cotidianas, emulamos comportamentos contraproducentes com vivências autônomas. Babamos, latejamos e expelimos pouco diante do controle contínuo do comezinho. Reprodutores de roteiros de escritórios e equipes de gerenciamento. No espetáculo, a verdade é um roteiro escamoteado.
Errei o momento de ser chegar ao local sem ser percebido. Te percebem enquanto ameaçada, enquanto mácula, enquanto peso e enquanto alguém passível de servir. Diante de uma tarefa mal cumprida, diante de uma resposta mal dada, diante de uma reação diferente da habitual. O ímpeto de se querer ao menos se ter uma parcela daquilo que se chama de vantagem, nunca nos tira da vulnerabilidade.
Por mais treinos, pró atividades e produtividade que se possa ter, ainda somos vulneráveis. Podemos ser atravessados por um galho, por um vergalhão, por um tiro. E ainda convivemos com a política corporativa de miserabilidade do cognitivo. Nas falsas simetrias e nos espantalhos teóricos, direcionam o nosso pânico a distração.
Distraído pela luxúria. Distraído pela busca da atenção num ambiente de controle absoluto do holofote. Nossas revoltas passam pelo inconsciente querendo tomar conta do fato de que quase perdemos nossas agências. Nossas querências. Nossas urgências. Quem me cobrou posicionamento, suingue, flow, postura, coragem, coerência, atitude? E por que quis responder as cobranças?
Hesitei em não gravar mais uma vez a voz. Não houve condição, diante do vacilo, de ter próximas vezes. Os mantimentos são poucos, mas ainda sustenta. Vale a eficiência ou bons manuseios? De qual escola é o critério usado pra avaliar seus feitos? Meu poder de mediação lidou com a expectativa de se ter alguém capaz de ter algum tipo de reserva moral. Nunca quis.
E nos auto enganos de ser ter alguma coisa parecida com isso, no máximo desenvolvi um apreço tremendo pelo desvinculo. Desvinculo da burocracia, da instituição, do amor romântico, do hype e da nossa necessidade de ser comunicar de forma clara. Não sou líder, mas também não lambo botas. Beijo pés, mas sem fetiche.
E na fuga fetichista, no limite do civilizado e do desconstruído, não habito peles e nem proponho linhas de pensamento pautado em culto da personalidade. A minha persona versa sem pecado e sem juízo. Vontade de tudo com a certeza de não conseguir. Apenas delírios pixelados e álbuns sem nenhuma divulgação. Os curiosos estão escassos ou apenas não me percebem?



