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Palavras & Afins: C.F. tá me matando

Palavras & Afins: C.F. tá me matando

ESPALHA --->

Ouvindo Gil Scott-Heron por esses dias e veio a música “New York Is Kiliing Me”. Abstrações sobre a vida do artista em questão e da própria música, resolvi dialogar, de forma bem limitada com aquilo que se foi proposto. Aí saiu o texto,,,Cabo Frio está me matando…

Por Fábio Emecê
https://medium.com/@fabioemece

Perceber o baixo repertório flerta com a arrogância. Um flash: caminhando pela praia, juventude, dredado e me assusto com alguém querendo pegar meu cabelo pra ver se era de verdade. Virei piada porque usei o termo inexequível. O limpa vidro, o pior mc, o esquisito, o egoísta, o preguiçoso, o metido a intelectual, menos do que se acha. Porra, depois de um almoço a base de bicarbonato, vomito tudo em frente ao pé sujo que gosto de tomar umas. Costurei a cidade e hoje costuro meus traumas.

Vulnerável como alguém que lhe é apontado uma pistola, nu, sem capacidade de reação. Chorei pouco após o atropelamento e a indenização não foi entregue a tempo do tratamento congênito. Servidões esgotam corpos, dissolvem plaquetas, produzem cistos e quedas de cabelo. A captura da docilidade e da domesticação sempre fugi, por isso durmo todas as tardes possíveis.

Tentaram me sequestrar a partir do ego, a partir de um convencimento de que tinha algo a dizer pra uma plateia. Um animador de eventos com pegada intelectual, com mimos parcos e reconhecimento sobre a inteligência. Tentador! Tentador? A fuga do cativeiro e suas consequências: apagam o conteúdo. A margem da economia da atenção, fustigo especulações sobre esterilidade, vadiagem e autonomia. Ninguém presta atenção.

Zonas de sossego temporário. Ou zonas de desapego temporário. Que seja! Na minha última tentativa de adentrá-las, fui expulso por uma matilha. Cachorros abandonados. Não, não fui abandonado. Ainda consigo beber a cerveja gelada e degustar de um prensado acima da média. Uma vez fui salvo pelo enquadro porque o agente da lei era evangélico e o amigo que me acompanhava, foi evangélico. Conversas insanas sobre versículos me salvou de ser fichado. Não sou cristão.

C.F. tá me matando

C.F. tá me matando

C.F. tá me matando

C.F tá me matando

Maldito dia em que quis dançar. Sempre balance o corpo, só se atente as contusões negligenciadas pela escassez do acesso. Acesso a dados, acesso a você. O token é uma estratégia que usa seu idealismo como possibilidade de marcador de afetos cambiáveis, te usam para provar pra plateia o quanto se sabe ou se entende sobre, sobre, sobre porra nenhuma. Feito de otário, com a cervical e lombar tilintando.

Condição de simpatia. Condição de amabilidade. Condição de solicitude. Condição de liderar. Condição de trabalhar. Condição de se sustentar. Condição de socializar. Condição de esperar. Condição de perder. Condição de abstrair. Condição de fazer alguém gozar. Condição de ejacular. Não tenho.

No extinto bar, bebendo uns litrões e observando delírios sendo pixelados numa velocidade imensurável em que materializáveis riscos sempre te convidavam pra um apartamento e se cuidar de alguém que cortou os pulsos por conta da inconsistência existencial. Há respostas sobre ritmos dispostos naquilo que se dá pisar num universo de vigília do pigmento. Cheguei onde não devia. Peço desculpas sem culpa diante do território condenatório.

No alto da duna com poucas tragadas dispendidas porque o vento domina. Do tronco da árvore observo a ressaca e o mar arredio. O furtivo excita. Sem romantismo. Provocar faíscas não garantem resgastes nos escombros. Somos existências assombrosas que rejeitam cantos mapeados pra mostrar excelências. O auto-engano dita o discurso. Quase agonizando com a crise da narrativa. Quase agonizando diante da média de entendimento sobre quem é quem. Os instrumentos pedagógicos tão em crise porque a linha dura foi abandonado em favor a anomia. O sujeito e o predicado da oração é recheio de coxinha de 2 reais. Não há esquecimento, só não querem mais contar.

C.F. tá me matando

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C.F. tá me matando

C.F tá me matando