Opinião | No underground, DJs e a arte do turntablism sobrevivem

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Já faz tempo que os fundamentos do turntablism e do scratch, que foram uma vez a espinha dorsal do Rap, iniciaram um movimento forçado para as margens do mainstream. No entanto, uma pesquisa mais profunda revela que essas técnicas musicais ainda têm um lugar vital em subculturas e cenas musicais mais nichadas (quem segue as atualizações da Novos Samples sabe do que estamos falando). Campeonatos consagrados mundialmente e competições alternativas mantém a cultura DJ viva no Hip-Hop.

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Com equipamentos sofisticados, caros e com vários recursos digitais ou com toca-discos usados, vinis, mixers analógicos, interfaces e software livre, uma teimosa e criativa cena underground resiste, onde artistas independentes buscam autenticidade e originalidade. Nos cantos do mundão, o turntablism e o scratch ressurgem como ferramentas expressivas. Alguns DJs ficam longe das tendências comerciais e abraçam a experimentação, outros mesclam o fluxo sonoro mais pop com técnicas desenvolvidas nesses 50 anos de Hip-Hop.

As batalhas de DJs e competições de turntablism mantêm viva a chama dessas técnicas clássicas. De pequenos clubes a grandes palcos internacionais, artistas exibem suas habilidades em eventos que atraem uma comunidade dedicada de entusiastas do Hip-Hop. Vídeos com performances também são populares entre os amantes da cultura DJ nas redes sociais como Instagram.

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O lema faça você mesmo, junto com o intercâmbio com outras cenas musicais locais, torna-se terreno fértil para a preservação do turntablism. Artistas que buscam independência e originalidade podem ser encontrados reinterpretando técnicas tradicionais para uma audiência contemporânea. Dessa forma, o turntablism e o scratch não são relíquias do passado, mas ferramentas inovadoras que moldam novas sonoridades.

Também sabemos que o respeito pelas raízes do Hip-Hop permanece forte. Em celebrações e eventos locais, o turntablism é reverenciado como parte integral da Cultura Hip-Hop, demonstrando sua resiliência ao longo do tempo. Sua presença em subculturas e cenas mais especializadas destaca a riqueza e a diversidade do gênero. As constantes transformações dessas técnicas musicais continuam a moldar o Hip-Hop de diferentes maneiras, seja na celebração da velha escola ao manter viva a essência da cultura de rua ou na rebeldia dos novos DJs.

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Com um mercado repleto de opções para quem tem maior poder aquisitivo, no Brasil, o preço dos equipamentos – ao lado de uma cena mainstream que não valoriza os cortes e movimentos dos DJs – é um grande fator para afastar os novos DJs do turntablism e do scratch. Mas o Hip-Hop subverteu as formas musicais quando nasceu entre grupos excluídos e se desenvolveu na escassez. Por mais que o capitalismo defina as regras, acreditamos que a essência da cultura de rua não está nas grandes empresas de equipamentos.

Esse final de semana, em São Paulo, começa a edição 2024 da Batalha de DJs ‘Soco na Gangrena’, confira abaixo.

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