Capa do álbum (clique para ampliar)

Me lembro que quando comecei a ouvir Rap, ouvia só Rap brasileiro. Não que eu não gostasse do que vinha fora. Na verdade nem tinha acesso a muita coisa.

Quando a MTV chegou ao Brasil, mesmo com a imagem ruim, principalmente nas periferias, tive acesso a tudo que estava sendo feito nos Estados Unidos através do Yo! MTV Raps, que passava nas madrugadas. Tinha uma galera que ficava questionando: não sei como gosta disso, nem entende o que os caras estão falando”. Entendo, até faz sentido, mas quem gosta, vive e sente a música, sabe que a vibração te diz muita coisa, não é necessário falar o mesmo idioma. Hoje é mais fácil, tem tradutores, vídeos com legenda, sites de letras, etc.

Falei sobre isto, porque tinha um grupo que representava muito bem o que significava curtir sem entender o que eles rimavam, o Mobb Deep, da dupla Prodigy e Havoc. Ouvir Mobb Deep, é fechar os olhos e se sentir nas ruas, eu ouvia e pensava – “não tem como esses caras estarem falando de outra coisa, que não seja a realidade das ruas, eles não estão ramelando nas ideias”.

https://fb.com/depdesigncriacao
Precisando de um especialista em comunicação, fale com a DEP Design & Criação

Já escrevi aqui sobre o disco ‘Hell on Earth’, o terceiro da dupla, e reforço mais uma vez, que mesmo sendo fã do grupo, minha única ressalva é o fato deles não valorizarem tanto os DJs.

O ‘The Infamous…‘, segundo álbum, lançado em 25 de abril de 1995, é a primeira obra-prima deles, já que o primeiro – que completou 27 anos esse mês – não foi muito bem. O disco é um clássico, qualquer um que tentar escolher os maiores clássicos do Rap dos anos 90, vai ter que abrir mão de muito disco bom pra incluir esse entre os primeiros da lista, pelo menos entre os 10 primeiros. São várias faixas marcantes em um total de 16, entre músicas e interlúdios, mas já começo por aquela que é a clássica entre as clássicas. Assista ao vídeo abaixo e se você não se arrepiar, nem continua lendo:

E aí? Este é apenas um dos inúmeros vídeos que mostram a reação do público quando a faixa “Shook ones pt. II” é tocada, seja ao vivo, em uma festa ou só o instrumental em uma batalha de rimas.

Eles tinham apenas 20 anos de idade quando esse single foi lançado. Foi o primeiro do disco e a “Shook ones pt. I” está no lado B – apesar dela ter sido lançada primeiro, não tem ela nesse álbum. Os samples principais são de Herbie Hancock e Quincy Jones, no disco todo tem muito sample de Jazz, por conta dos discos da família de ambos. O pai de Havoc era DJ e o avô de Prodigy era músico de Jazz, então esse acervo foi muito bem aproveitado.

Assista ao vídeo oficial de “Shook ones pt. II”

A produção do disco foi basicamente feita por eles mesmos. Neste disco eles aprenderam a mexer nos equipamentos básicos para a construção de um Rap e foram ajudados por outras pessoas. Matt Life e Schott Free, os produtores executivos do álbum ajudaram, mas eles tiveram uma grande e experiente ajuda do produtor The Abstract, mais conhecido como Q-Tip (A Tribe Called Quest). Tip, além de assinar algumas produções e dar muitas dicas, ajudou principalmente a dar peso ao disco. Ouça e confira o quanto bumbo e caixa batem e sentirão o quanto ele contribuiu. Na música “Drink away the pain (Situations)” ele assina a produção como The Absract e participa rimando como Q-Tip, por sinal esta é a música mais fora dos temas geralmente tratados pela dupla.

Assista ao vídeo de mais um single

As participações não são muitas, mas bem representativas. Big Noyd, amigo deles, participa em três faixas. Em uma delas, a “Right back at you”, ele participa ao lado de Ghostface Killah e Raekwon do Wu-Tang Clan. Nesse momento eles eram artistas da mesma gravadora. Raekwon aparece novamente na música “Eye for eye (Your beef is mines)”, e faz uma parceria memorável que junta ao Mobb Deep, o amigo de infância de Prodigy, o rapper Nas.

Big Noyd ainda participa do single de sucesso “Give up the goods (Just step)”, também produzida por Q-Tip, e da última faixa, a “Party over”. Esta também tem uma pequena participação de Ty Nitty, um outro parceiro deles, mas que nem consta – pelo menos no vinil. A ideia da música pode parecer que é um salve pros amigos, mas não é nada disso, é sobre aquelas brigas que acontecem no final das festas na quebrada.

Assista o vídeo de mais um single

Os outros dois singles do álbum também são de muito sucesso, “Survival of the fittest” é na mesma pegada de “Shook ones”, a letra é a cara deles, realidade das ruas nua e crua, o título diz tudo, é como falamos por aqui: “o mais forte sobrevive” ou literalmente “sobrevivência do mais preparado”. O single “Temperature’s rising”, tem um refrão suave cantado pela Crystal Johnson, mas a letra é bem pesada. Foi produzida pelo The Abstract (Q-Tip), que também indicou a Crystal para o refrão. A letra foi inspirada em uma situação que envolveu o irmão de Havoc. Ele estava sendo procurado por um homicídio e a música fala sobre sua fuga e em seguida sua prisão.

Contra-capa do CD, a do vinil traz apenas o título das músicas e a ficha técnica (clique para ampliar)

As letras do Mobb Deep equivalem ao gangsta Rap da costa oeste. Ressalto que eles fizeram essas músicas com apenas 20 anos. Além disso, eram moradores do Queensbridge Houses, que é o maior complexo habitacional já construído nos Estados Unidos, na verdade acho que em toda América do Norte. São prédios públicos – como as Cohabs e o Cingapura, aqui em São Paulo – que foram inaugurados em 1939 e nos anos 90 eram lugares com muita violência e um grande comércio de drogas.

Dizem que hoje não é tão violento quanto antes, mas a presença das drogas ainda é grande. Eles retrataram em suas músicas a sua realidade, infelizmente crimes, drogas, violência entre gangues e a policial era muito constante.

Em abril de 2014 eles lançaram uma nova versão do disco, um álbum duplo com músicas novas, outras versões das antigas, algumas na versão original, outras que acabaram não entrando nesse de 1995 e sobras de estúdio (ouça aqui).

Este ano, para comemorar os 25 anos, foi lançado uma edição especial desse álbum com 3 faixas bônus e 2 instrumentais. Incluíram a “Shook ones, pt. I” vocal e instrumental, “The money (Version 2/Infamous sessions mix)”, “Lifestyles of the Infamous (Infamous sessions mix)” e o instrumental da “Shook ones, pt. II”.

Central Girls – Moda Feminina – Enviamos para todo Brasil

Ouça o álbum completo

Ouça uma mixtape especial com sons e remixes não lançados oficialmente pelo Mobb Deep

 

Interaja conosco, deixe seu comentário, crítica ou opinião

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.