Oganpazan: NEGGS & YANGPRJ e a produção independente no rap do Piauí
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Fotos: Divulgação
A dupla piauiense NEGGS & YANGPRJ lançou, entre 2023 e 2024, três discos que compõem um mesmo ciclo de produção. Os trabalhos apresentam continuidade temática e articulação direta com a realidade social vivida no Piauí, especialmente a partir da experiência periférica. Os lançamentos, anilisados por Danilo Cruz, ocorreram em um curto intervalo de tempo e foram distribuídos de forma independente nas plataformas digitais.
O álbum Vivos Traídos, Mortos Lembrados reúne faixas baseadas no boombap, com referências sonoras que dialogam com blues, reggae e jazz. A escolha estética se aproxima de estruturas associadas ao rap dos anos 1990, aplicada a um contexto atual e regional. O disco se insere em um cenário em que o rap nordestino ainda enfrenta dificuldades de circulação e visibilidade nacional.
As letras de NEGGS tratam de temas sociais, econômicos e existenciais, com foco na vivência de jovens negros das periferias. As composições abordam desigualdade, violência estrutural, trabalho e expectativa de futuro. A produção musical de YANGPRJ sustenta esse conteúdo com bases que priorizam ritmo e ambiência, mantendo unidade ao longo dos projetos.
Em Libertador, a dupla mantém a estrutura de faixas e amplia o número de colaborações. O disco incorpora participações de outros artistas e reforça temas ligados à crítica social e à organização da vida cotidiana sob pressões econômicas. A identidade visual do trabalho dialoga com referências locais e com os temas tratados nas músicas.
O repertório da dupla transita entre boombap, trap, drill e outras variações do rap contemporâneo. Essa diversidade aparece sem ruptura entre os discos, indicando uma estratégia de continuidade estética. As colaborações recorrentes, como as faixas com Donai, reforçam a articulação entre artistas de diferentes regiões e cenas.
O ciclo é encerrado com Libertador part. II, que reúne 41 faixas e participações de nomes como Hanzzo, Donai, GTA, Pete MCee e Preta Cakau. O disco aborda temas como precarização do trabalho artístico, circulação limitada da produção independente e a influência das plataformas digitais sobre a música. As faixas alternam relatos individuais e observações sobre as condições coletivas de produção cultural no Brasil.
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