Entrevista | Ca.Gê.Be sobre o disco ‘Lado Beco’

Última edição em 08 de setembro de 2019

Capa do disco ‘Lado Beco’

Formado no início de 1999, na zona norte da capital paulista, por César Sotaque, Shirley, Branco da 12, André 29 e DJ Paulinho, o grupo Ca.Ge.Be (CAda GÊnio do BEco) acaba de lançar o seu primeiro trabalho solo com o título ‘Lado Beco’.

Lançado pela Equilíbrio Discos, selo do DJ KL Jay (Racionais MCs), o álbum tem 18 faixas e foi quase que inteiro produzido pelo DJ QAP (SP Funk). Para que o disco ficasse pronto, foram 4 anos a partir do primeiro contato com KL Jay.

Essa demora fez bem para o sucesso do disco, que foi muito bem recebido por grandes nomes do Rap em São Paulo e também pelo público. Prestando atenção nas músicas e nas letras, percebe-se que a afirmação deles é a definição mais correta para todo o conteúdo, “é como se fosse o mundo visto por quem tá no beco”. Para conhecer melhor o trabalho e a história do grupo, leia a entrevista a seguir e baixe a música que dá título ao disco, “Lado beco”.

Bocada-Forte: Quando foi formado o grupo, quem são os integrantes e de onde vocês são?

César Sotaque: O grupo foi formado em março de 1999 na zona norte da capital paulista, especificamente no Jardim Peri. Todos os integrantes são residentes na zona norte, Shirley Casa Verde, Branco da 12, André 29, DJ Paulinho e eu.

B.F: Porque escolheram esse nome para o grupo e falem também sobre o título do disco?

Foto do encarte

César: Foi um nome que um truta nosso sugeriu, no início a gente deu risada. Parecia brincadeira, porque esse nome escrito com K.G.B., é a sigla da polícia russa. A gente não queria esse nome exatamente por isso. Até que achamos um sentido pro nome e mudamos a maneira de escrever para CA.GE.BE. ‘Lado Beco’ resume todas as nossas músicas, porque a gente mora na periferia, conseqüentemente num beco, é como se fosse o mundo visto por quem tá no beco.

B.F: Quanto tempo demorou pra finalizar esse disco?

César: O disco levou quase quatro anos pra ficar pronto, porque demorou uns dois anos pra terminar todas as letras e mais quase dois anos pra escolher todos os samples, produzir, prensar e lançar.

B.F: A produção foi quase toda do DJ Qap, mas algumas músicas têm o nome do grupo. Algum de vocês também produz ou toca algum instrumento?

André 29: No grupo ninguém toca instrumento, só DJ Paulinho produz músicas no computador. A faixa “Ninguém vai te impedir” tem produção do Cabeça (Estilo da Crítica) e Juarez. A música “Paz” foi produzida pelo Vandi (ex-Voz da Zona Norte). A gravação foi toda feita no estúdio Operante do DJ QAP e a maioria das faixas foi produzida em conjunto pelo QAP e pelo nosso DJ, Paulinho.

Foto do encarte

B.F: Quais as influências de vocês para fazer música e podem falar sobre alguns samples que foram usados?

André 29: O CA.GE.BE. é influenciado por Zé Ramalho, O Rappa, Tim Maia, Bebeto, Seu Jorge, Raul Seixas, entre outros. A gente usou samples de cantores representantes da música brega, usou trechos de músicas de MPB, de samba e de música brasileira em geral. Ainda utilizamos samples do Commodores e Led Zeppelin.

B.F: O disco saiu pelo selo do DJ KL Jay (Equilíbrio), como aconteceu esse contato?

César: Eu tava andando pela Galeria, no centro de São Paulo, encontrei um amigo que tava conversando com o KL Jay. Esse amigo me apresentou a ele dizendo que eu era um dos MCs que cantavam na música “Começo do Fim”, do grupo Vírus. A gente começou a trocar ideia e eu disse que tinha vontade de gravar com o meu grupo, o CA.GE.BE. Entreguei uma demo pro Kléber e depois de uns meses ele me deu retorno. Isso foi no final de 2002, ele me disse que a gente poderia gravar em 2005, mas o disco saiu ano passado.

Veja mais sobre o grupo, em vídeo de 2005

B.F: O fato do dono do selo ser DJ facilita pra lançar o disco ou pelo menos algumas faixas em vinil? Vocês querem isso?

César: A gente tem vontade de lançar o disco inteiro, ou pelo menos algumas faixas em vinil, acredito que pelo fato do KL Jay ser DJ a gente encontre mais apoio pra isso.

B.F: Vão fazer vídeo de alguma faixa?

André 29: A gente tem ideia de fazer um clipe do som “Lado Beco”, mas ainda não temos nada fechado.

B.F: O que estão achando do Rap atualmente?

Foto do encarte

André 29: Eu acho que a cena tá evoluindo, tem bastante gente nova que tá dando uma outra cara pro Rap. O Rap tá ficando com uma cara mais brasileira, utilizando mais sample nacional, aprendendo a tocar e a se profissionalizar.

Mas ainda tá faltando estrutura pros grupos tocarem, faltam empresários e profissionais no Rap, falta investimento e dinheiro.

B.F: Espaço aberto. (contatos, agradecimentos, etc).

CA.GE.BE.: Agradecemos o Bocada Forte, a nossa tribo de trabalho (QAP, Kléber e Tatiana), a gravadora, ao nosso público, às rádios, nossa família, amigos e a nossa quebrada. O CA.GE.BE espera ser uma grande esperança de luta, que ninguém desista de seus objetivos, que por mais difícil que esteja acredite, e que o Rap seja levado mais a sério. A gente manda um salve pra todo mundo!

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Ouça o disco ‘Lado Beco’

 

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