Big L e Ol’ Dirty Bastard | Lançados no mesmo dia, seus álbuns completam 25 anos

No dia 28 de março de 1995, há exatos 25 anos, chegava às lojas os álbuns de dois grandes nomes do Rap e as maiores revelações da Golden Era. São eles ‘Lifestylez ov da Poor & Dangerous’ do Big L e ‘Return to the 36 Chambers: The Dirty Version’ do Ol’ Dirty Bastard.

Ambos são lendas e grandes revelações da cena hip hop, mas estas não são as únicas semelhanças entre os dois. Eles nasceram em Nova York e, muito jovens, morreram. Big L foi violentamente assassinado em sua própria quebrada em 15 de fevereiro de 1999, aos 24 anos. Já Ol’ Dirty faleceu em 13 de novembro de 2004, apenas dois dias antes de completar 36 anos. A causa da sua morte foi atestada como overdose – a autópsia encontrou em seu organismo uma mistura de cocaína com o remédio tramadol.

Assista ao vídeo de “Put it on” do Big L

Big L, originário do bairro do Harlem, foi lançado e apadrinhado por Lord Finesse e toda banca da Diggin’ in the Crates (D.I.T.C), que são do Bronx. Aliás é o Harlem que está na capa deste álbum, mais precisamente a esquina rimada por ele na faixa título, onde ele se apresenta e fala sobre a quebrada – “Meu nome é L, e eu sou de uma parte da cidade onde palhaços são derrotados e tudo o que você ouve são sons de tiros / Na 139 e na Avenida Lenox. há um grande parque / e se você é mole, não passe por ele quando escurece.” Como não podia deixar de ser, a produção é toda dividida entre os membros da D.I.T.C – Lord Finesse, Buckwild e Showbiz.

Assista ao vídeo de “No endz, no skinz”

Dizer que este álbum é um clássico é chover no molhado. É clássico, é sujo, é pesado, é embaçado demais! Se não bastasse o peso dos nomes envolvidos na produção, entre as participações tem o novato Jay-Z, que ainda nem tinha lançado seu primeiro álbum. Ele participa, junto com Lord Finesse, Microphone Nut, Party Arty e Grand Daddy I.U, da faixa “Da Graveyard”, produzida por Buckwild.

Se você pesquisar sobre o álbum verá que muitos apresentam ele com 12 faixas, mas a prensagem em vinil que eu tenho tem 13 faixas. A música a mais é a “Timez iz hard”.

O impacto desse álbum foi muito positivo para a cena competitiva do começo dos anos 90. Muita gente diz que ajudou a impulsionar, não só Jay-Z, mas também Cam’rom, que participa com o nome Killa Cam, na faixa “8 Iz Enuff” – para justificar o título da faixa, ainda participam Terra, Herb McGruff, Buddah Bless, Big Twan, Trooper J e Mike Boogie.

Assista ao vídeo de “M.V.P”

Foram lançados apenas três singles, cada um deles produzido por um dos seus “padrinhos”. “Put it on” foi produzida por Buckwild e tem participação do lendário DJ e MC Kid Capri. A “M.V.P.” é o grande sucesso do álbum. Um clássico internacionalmente conhecido e produzido por Lord Finesse, com sample principal tirado da música “Stay with me”, de DeBarge. O último foi o single da “No Endz, No Skinz”, com produção do Showbiz.

Quem gosta de raridades e entende inglês, confira uma entrevista com Big L

Para alguns, Big L foi superestimado. Não faço parte desses. Acho ele diferente e com apenas um álbum lançado em vida, ficou imortalizado como um dos melhores de todos os tempos. Ele também faz parte do grupo de poucos MCs que, no auge do sucesso, se apresentaram no Brasil. Afinal, “M.V.P” era um hino nas festas de Rap e estava presente em todas as coletâneas piratas da época.

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Ouça o álbum com apenas com as 12 faixas


Cartaz anunciando o lançamento do álbum

Se Big L era diferente, Ol’ Dirty Bastard não era apenas diferente. Ele foi único. Já fazem pouco mais de 15 anos da sua morte e a música Rap ainda não conheceu alguém que seja ao menos parecido com ele.

O álbum ‘Return to the 36 Chambers: The Dirty Version‘ é o maior sucesso da sua carreira. Ele foi o primeiro do Wu-Tang Clan a ter um contrato individual e o segundo a lançar um álbum solo – Method Man foi o primeiro.

Oficialmente são 15 faixas, e todas elas foram construídas, produzidas e compostas com seus amigos de grupo e também com seus dois primos. GZA é o responsável pela maioria das letras, pois elas nunca foram o forte de O.D.B. Já RZA participa rimando e é o responsável por quase toda produção.

Os outros membros e afiliados do Wu-Tang que participam são: Method Man, Raekwon, Ghostface Killah, Masta Killa, Killah Priest, Buddha Monk, Brooklyn Zu, Prodigal Sunn, Killah Priest e 60 Second Assassin.

Os singles foram apenas dois, mas com uma força que fizeram deles dois dos maiores clássicos da Golden Era. Quem já esteve numa pista no momento em que “Brooklyn Zoo” ou “Shimmy shimmy ya” são tocadas sabe bem o efeito que elas causam.

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Assista ao vídeo do single “Brookln Zoo”

Assim como Biz Markie, que interpretava as composições escritas por outros, Ol’ Dirty conseguiu deixar a sua marca nas músicas de uma forma que elas se tornaram dele. O título do disco faz referência ao primeiro álbum do Wu-Tang. É a versão suja do ‘Enter the Wu-Tang (36 Chambers)’. Em 1996 o disco foi indicado como ‘Melhor Álbum de Rap’, no Grammy. Mas o campeão neste ano foi o grupo Naughty By Nature, com ‘Poverty’s Paradise’.

Assista ao vídeo de “Shimmy shimmy ya”

Como referi anteriormente, são 15 faixas, mas é que quase sempre escrevo tendo como referência o vinil. A versão em CD traz 17 faixas. As bônus são as músicas “Dirty Dancin'”, com Method Man, e “Harlem World”.

Além das produções do RZA, algumas faixas foram produzidas pelo próprio O.D.B e também por True Master e 4th Disciple, que também são afiliados do Wu-Tang. O streaming que vou deixar aqui tem todas as faixas, versões, instrumentais e remixes.

Ouça o álbum na versão remasterizada

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