Blackstone 037: o underground bem representado no centro-oeste de MG

Underground (na língua inglesa, o mesmo que “subterrâneo”) trata-se de uma expressão usada para designar um ambiente cultural que foge dos padrões comerciais, dos modismos e que está fora da mídia, também conhecido como movimento ou cena. O underground sempre foi o refúgio de quem cansou de esperar que algo caia do céu.

No melhor estilo “Faça Você Mesmo”, o Coletivo BlackStone 037 foi fundado em 2014 com o objetivo de representar a cultura urbana. O nome “Black Stone” traduzido é “Pedra Negra“, que em tupi significa Itaúna, nome da cidade mineira onde foi criado.

Um dos projetos que o coletivo organiza é a Ruína LL. No final de mais um domingo de ocupação, Alef Willian, fundador do movimento, enrolava a enorme extensão usada para levar energia de sua casa até o local: uma fundição abandonada que se transformou em um palco para inúmeros artistas do centro-oeste de MG graças a iniciativa da BlackStone 037 em cuidar do espaço. Sem recursos financeiros ou fins lucrativos, o objetivo é aproveitar o lugar para movimentar a cena underground da cidade.

Foto: Acervo BlackStone 037/O espaço é hoje um dos poucos lugares da cidade onde o artista independente tem voz ativa.
Foto: Acervo BlackStone 037/Na ruína, a ordem é ocupar e resistir.

Em 2013, o local se encontrava em estado de abandono e depredação há mais de dez anos. Foi retirado grande quantidade de entulho e lixo e as paredes receberam cores novas com a ajuda da galera que prestigiava a ideia. Em 2014 aconteceu o primeiro evento na Ruína LL e pouco tempo depois que o espaço começou a ser usado, o proprietário fechou o local e cortou várias árvores, com a intenção de interromper os movimentos que os ativistas faziam no local.

Em 2016, o projeto retornou com mais força, passando por cima do descaso e dos conflitos sociais. O espaço é hoje um dos poucos lugares da cidade onde o artista independente tem voz ativa, totalmente do modo faça-você-mesmo. A Ruína LL apoia qualquer tipo de manifestação cultural. Neste ano, foi lançado um mini-documentário sobre a ocupação, amplamente divulgado nas redes sociais.

“O que eu queria para a Ruína era que se tornasse uma espécie de centro comunitário… Passasse por uma reforma, religassem o fornecimento de água e energia, colocassem portas e janelas para podermos deixar a estrutura que usamos durante os eventos sempre montada para ser usada diariamente e preencher a programação com atividades, como aula de dança, música e tudo que for compatível com nossos ideais” afirma alef.

Grande parte do apoio vem dos jovens, já que a cidade carece de opções gratuitas de shows, lazer e diversão. A cultura sempre foi uma ameaça para qualquer sistema de governo baseado em opressão. Se considerarmos a proporção da desigualdade social e econômica que estamos assistindo atualmente no Brasil, é fácil entender porque o Governo vai repreender sempre todo e qualquer movimento cultural que surgir. Tempos difíceis.

Buscando ocupar e levar a cultura para todos os cantos da cidade, foi criado então o M.D.R. – Movimento de Rua. A primeira edição aconteceu em 2014. Foram realizadas 10 edições até 2016, todas na Pracinha do bairro Padre Eustáquio, mesmo bairro onde fica a Ruína LL. A 11ª edição só aconteceu em julho deste ano, já que anteriormente, o foco estava voltado para a Ruína LL. Em 2019, a ideia é que o M.D.R. seja realizado em um novo formato: os eventos acontecerão em diferentes praças dos bairros de Itaúna. Todas incluem shows de rap de artistas locais, buscando valorizar a cena regional, além de batalha de MC’s e outros elementos do hip-hop.

Foto: Acervo BlackStone 037/Em 2019, a ideia é que o M.D.R. seja realizado em um novo formato: os eventos acontecerão em diferentes praças.

De modo a construir uma ponte entre a periferia e o centro da cidade, surgiu também o GUETO Hip-Hop. A primeira edição rolou em 2015 e teve como objetivo manifestar a cultura hip-hop através do break, grafitte, rap e DJ’s em um só evento. Além de proporcionar a união dos elementos do movimento, os movimentos de ocupação, como instrumentos da sociedade civil organizada em prol da democratização do espaço urbano, trazem à tona a questão da marginalização da cultura de rua e a situação precária do incentivo à cultura por parte do Governo. Mais do que nunca, o lema é “das quebradas pro centro”. Em 2018, esse projeto voltou e será realizado uma vez por ano.

Foto: Acervo BlackStone 037/A primeira edição rolou em 2015 e teve como objetivo manifestar a cultura hip-hop.

Além disso, a BlackStone 037 lançou há um mês a segunda edição do EP que leva o mesmo nome. A produção é uma coletânea de músicas gravadas no próprio estúdio e conta com diferentes grupos e rappers. A banda itaunense Gatilho, que já é conhecida no centro-oeste mineiro pela mistura do rap com o rock, o grupo Sapientia, Pagamim, Israel Rapper e Ice Black são alguns dos artistas que fazem parte deste trabalho. A faixa 6 é a única que não foi produzida pela BlackStone 037 e foi gravada em Formiga pelo grupo Quinta Visão.

A primeira edição do EP foi lançada em 2016, com o mesmo propósito de divulgar os artistas locais e independentes. As composições presentes nos dois álbuns contam experiências vividas pelos artistas e exalta a cultura de rua como manifestação artística. O novo álbum pode ser ouvido abaixo:

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Foto: Acervo BlackStone 037

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