#ElasNoBF | DJ Simmone ontem e hoje, mais de 20 anos dedicados aos toca-discos

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DJ Simmone é conhecida na cena Hip Hop brasileira por seus trabalhos nas pistas e nos palcos com artistas como Lunna (Livre Ameaça), Sharylaine, Cris SNJ, Nega Gizza, Karol Conka, SNJ, Xis, Dexter, Sandrão Rzo, Tati Botelho, DBS, MC Gra, Donas da Rima, Mahogany Jones (USA), Karol de Souza, Função RHK, D’Origem, Lurdez da Luz, Hannah Lima, Rico Dalasam, As Minas, Webster LStarz (Canadá), Stefanie, Lua Gorayebe, Marcelo Gugu, Afro-X, Tati Belladona, Z’Africa Brasil, Brisa Flow, Yzalú, Tony Blackman (USA), Shirley Casa Verde, Marcelo Gugu, Rashid, Janine Mathias, Sandra Reyes (Colombia), Nathy MC, Tássia Reis, Drik Barbosa, Preta Rara, Thaide, Rael, Dryka Ryzzo… Bom, a lista é gigante. 

Há dois anos, Simmone é DJ fixa da rapper Amanda Negrasim. Perto dos 22 anos da carreira da DJ, o Bocada Forte trocou uma ideia com a artista. Confira:

MAIS DE 20 ANOS DE DISCOTECAGEM

Nossa o tempo passa rápido, né? Neste ano completo 22 anos de toca-discos. É tão difícil pontuar um momento marcante na minha carreira, pois foram tantas coisas bacanas, mas acho que vou pontuar a premiação Hutuz, que foi a transição do ser humano fã em meio aos seus ídolos, onde conheci a maioria das pessoas, principalmente de outros estados. Na atualidade o que mais me marcou foram esses dois últimos anos de pandemia. A necessidade de tocar para uma tela de celular, ou até mesmo ir em estúdio gravar lives , a falta de contato com o público também me marcou bastante.

EQUIPAMENTOS, PARCERIA, ESSÊNCIA

Como foi difícil adquirir equipamentos para discotecagem. Graças a Deus sempre tive muito apoio dos DJs. Quando comecei, não havia muitas mulheres para eu me espelhar, tinha apenas a DJ Nice, mas ela já havia deixado as turntables. Quando o DJ Rodrigo me ensinou a tocar nos anos 2000, ele já tinha os equipamentos dele. Depois, um safado sumiu com as Technics dele quando as levou para arrumar, ou seja, ficamos sem e começamos a colar com outros DJs que tinham toca-discos.

Fui adquirir meus equipamentos só uma década após ter começado, sou muito grata ao universo. Uma coisa que admiro no elemento DJ é a parceria, aquela coisa de sempre juntar a galera e treinar, trocar ideia sobre equipamento, um passar o conhecimento para o outro. Lembro que em 2010, quando dava oficina no projeto Hip Hop de Salto, idealizado pela Applebum DJs, no centro de São Paulo, uma vez por semana saia de lá correndo e ia até Sapopemba, no Refúgio Clã Leste, casa do DJ Zulu para ele me passar algumas técnicas. Depois eu chegava em Cotia tarde da noite. Talvez por isso o elemento DJ seja o primeiro e o que mais descreve o HIP HOP em sua essência.

FRENTE NACIONAL DE MULHERES NO HIP HOP 

Dentro do 1º Encontro de Mulheres no Hip Hop, em 2010, escrevemos uma carta de intenções onde continha várias demandas para viabilizarmos o protagonismo da mulher dentro do Hip Hop. Uma delas, talvez a mais correta no momento, era criarmos um único núcleo, onde teríamos que nos encontrar e relatar quais eram os pontos a serem tratados em cada cidade/região. Assim surgiu a FNMH2 (FRENTE NACIONAL DE MULHERES NO HIP HOP). A Frente é de extrema importância não só na minha carreira, mas como na da maioria das mulheres que vieram depois de sua construção, pois ela veio em um momento em que a maioria de nós estávamos sempre nos espaços, mas nunca inseridas nas atividades, que eram predominantemente executadas por homens.

Quando nos organizamos, de uma certa forma, levamos a obrigatoriedade da inserção feminina dentro da cultura e, para mim, essa atitude foi o que abriu as portas para adentrarmos nos espaços que estamos no agora. Acredito que mesmo as mulheres que não participaram desse movimento de militância hoje colhem os frutos que plantamos com muito amor, carinho e respeito umas com as outras.

APPLEBUM DJS

A Applebum também surgiu de uma necessidade momentânea. Em 2008, DJ Lisa Bueno que já era empresária, tinha uma escola de DJs no centro e convidou algumas Djéias para se encontrarem, ouvirem música, trocarem ideias, se juntarem para darmos apoio umas às outras.

As minas que aceitaram o convite foram Mayra Maldjean, Tati Laser, Vivian Marques e eu, formamos o clube das luluzinhas (risos), toda semana nos juntávamos. Aí, em 2009,  o DMC Brasil abriu o formato “Crew/Grupo” e, em comum acordo, decidimos então criar um nome para participar da competição, assim surgiu o Applebum DJs.

Fomos a primeira Crew Feminina a participar de um DMC no mundo, apesar de outro grupo feminino também se apresentar no mesmo ano, fomos as pioneiras, isso nos levou a ser notícia naquele período [foram destaque na rádio CBN, entre outros veículos], pois algo inédito estava sendo feito por nós.

ESPERANÇA, TRANÇAS E RISCOS

O Projeto Trançado Periférico veio em um momento que eu estava perdida, sem saber como seria o adiante, me trouxe uma luz, um acalanto emocional e financeiro. Estávamos em meio ao desconhecido, longe fisicamente uns dos outros e, mesmo online, começamos a trançar vidas, acolhimento, carinho, fortalecimento, autoestima e empreendedorismo da mulher preta periférica.

Foram tantas histórias entrelaçadas, tantas vidas tocadas com o projeto que só me engrandeceu como pessoa. Sou muito grata à Amanda Negrasim e toda equipe da Zungueira Produções por me conceder o privilégio de fazer parte de tudo isso que construímos ao longo desses dois anos. Vida longa ao Trançado Periférico e que consigamos fazer muito mais a partir dessa rede que construímos.

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