Beat Prophano A.K.A DJ Llobato | Ouça a ‘Black Ghost Tape – Original Favela Mix’

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Quando o assunto é Rap brasileiro, é preciso ter muito cuidado ao falar de pioneirismo, não dá pra usar como base o que é lançado por grandes gravadoras. O mercado e a indústria da música não são pioneiros em nada, são atrasados, se apropriam do que já está pronto, colocam em uma embalagem bonita e usam todo seu poder financeiro para tornar o que quer seja em uma novidade criada por eles. O underground é a base de qualquer estilo musical, é onde surgem as inovações, experimentos, fusões, é onde a criatividade é mato – pra explicar o óbvio mais uma vez, underground não é o que a sua música é, não é um estilo de fazer música, mas sim onde ela está. Nas décadas de 80 e 90 quase todo o Rap feito no Brasil era underground, conseguimos contar nos dedos de uma mão os que conseguiram sair dessa condição em algum momento desse período.

Poderia citar aqui inúmeros exemplos desse tal “underground” que alguns confundem e ainda em 2023 classificam como um jeito de fazer Rap, mas prefiro me ater ao que motivou esse post. No final dos anos 90, no extremo sul de São Paulo, um mano começaria a fazer seus beats em um computador parcelado em 12x no cheque, aos 16 ou 17 anos de idade. Esse era o garoto Luiz Lobato, Beat Prophano e hoje conhecido como DJ Llobato, parceiro musical e de vida da Amanda NegraSim. Com o Fruit Loops Studio instalado no computador e os vinis comprados na famosa Sebo do Messias – loja histórica localizada no centro de São Paulo – Llobato deu início a sua produção de beats.

https://chat.whatsapp.com/Fmk2ghhbKHABQVTklxQfAmEle não era o único, existia toda uma juventude periférica espalhada pelo país aprendendo a fazer seus beats no FL, Cake Walk, em baterias eletrônicas e até no vídeo game Play Station 1. De 1997 em diante, muitas músicas foram produzidas do zero com muito mais frequência, por conta principalmente do surgimento do FL Studio. Não que isso não acontecesse antes, muito pelo contrário. Na metade da década de 80, já havia gente no Rap utilizando os mais diversos tipos de baterias eletrônicas para criar seus beats. Nos últimos dias conversei com alguns dos “arquitetos” do Rap de SP, como por exemplo o MC Who (O Credo e Black Panthers), e ele me falou sobre já criar instrumentais alguns anos antes do lançamento da Coletânea Hip Hop Cultura de Rua (1988) com equipamentos da Roland.

Confira o novo vídeo de Amanda NegraSim

DJ Llobato acaba de lançar alguns dos seus primeiros beats do final dos anos 90 junto com outros que foram feitos até 2008/2009. Ele compilou 13 faixas no álbum ‘Beat Prophano – DJ Llobato – Black Ghost Tape – Original Favela Mix’, algumas são instrumentais e outras tem participações de MCs. Nessa caminhada ele conheceu outros equipamentos e softwares e assim foi aumentando e melhorando seu setup. Em algumas músicas utilizou o Cool Edit, SP 404, mixer e toca-discos e passou a usar alguns recursos para “esconder” os samples utilizados.

Muita gente dessa geração sampleava música brasileira, mas não tinham o suporte de uma grande gravadora, portanto zero investimento para lançar um trabalho oficial. Infelizmente a história contada à partir do que a indústria lança acaba por apagar ou dar menos visibilidade para essas produções periféricas, como as do DJ Llobato que foram feitas na Favelinha City, Vila Joaniza, favela do extremo sul de São Paulo.

Nesse trabalho do Beat Prophano foram usadas amostras de música brasileira, como na faixa de abertura “Wando”, onde ele sampleou a música “São Paulo e essa gente tão só”(1978). Esse beat tem uma história interessante, pois ele lançou ela no vinil do Afável e também usou na música “Quem é quem”, que está no EP ‘…Vida’ da Amanda.

Esse álbum ainda tem a participação de MCs e DJs, está em todas as plataformas e é mais um lançamento da N’doto Cultural. As participações são do Toroka, MC Zero Onze, DJ Dagoma e do Sandro, irmão do DJ Llobato.

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