Peter Tosh: o trouble man genial

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Dentre os grandes nomes da música jamaicana, certamente figura em lugar de honra o de Winston Hubert McIntosh, o trouble man genial PETER TOSH. Voz, corpo e alma em algumas das mais exímias canções da produção musical jamaicana a partir da era do ska, Peter veio dos Wailing Wailers, trio que era a formação inicial da banda que viria futuramente a ser a mais famosa da ilha por conta de seu vocalista meio entidade meio humano: os Wailers, liderados por Bob Marley. Os Wailing Wailers reuniram-se no início da década de 1960, e eram Bob, Peter e Bunny Livingston, que mais tarde seria conhecido como Bunny Wailer. Juntaram-se ao trio vocal os irmãos Barrett, Aston Familyman e Carly, e o resto é história.

Temperamento difícil e genialidade à flor da pele eram as marcas registradas de Tosh desde muito cedo. Totamente esquentadão, altamente politizado e muito inteligente, o multiartista cresceu na favela de Trenchtown, em Kingston (Jamaica), e, apesar de frequentemente se meter em problemas dos mais diversos, aprendeu a lidar com música já na adolescência. Seu mentor foi o grande produtor Joe Higgs, nome essencial da música da Jamaica, que apresentou Peter a Bob Marley e Bunny Livingston, colocando em conexão os futuros parceiros. O primeiro hit do trio foi “Simmer Down”, que tornou-se sucesso em toda a ilha.

Versátil, Peter Tosh atravessou praticamente todas as fases desde o ska. No final dos 60´s, ele, Bob e Bunny tiveram contato definitivo com o rastafarianismo e mudaram o nome para The Wailers. Ele era um guitarrista veloz, um excelente vocalista, um exímio tecladista e um compositor essencial. Músicas que são verdadeiros hinos dos Wailers, como “Get Up, Stand Up”, são de sua autoria.

Em 1973, sobreviveu a um acidente de carro, fraturou o crânio e tornou-se ainda mais difícil a convivência com o músico. Ao contrário de Bob Marley, que possuía uma visão um pouco mais idealista sobre o mundo e as pessoas, Peter era absolutamente revolucionário, e não foi à toa que ganhou o apelido de “Steppin Razor”, alcunha que virou uma música marcante e importante (nota: steppin razor é uma gíria pra alguém “bad ass”, que você certamente não gostaria de levar uma). Para algumas situações, ele criou seu vocabulário próprio: chamava o sistema de “sucksystem”, e a política de “politricks”.

Peter saiu do Wailers na primeira metade da década de 1970, e em 1976 lançou em carreira solo um dos álbuns mais clássicos do reggae, o Legalize It, com a faixa homônima presente no disco se transformando em um hino longevo, que continua atual nos dias de hoje. Outros álbuns de sucesso marcaram sua carreira, como Bush Doctor, Mystic Man e Mama Africa, esse último com a conhecidíssima Johnny B. Goode.

Sua participação no histórico “One Love Peace Concert”, em 1978, foi marcante. Em reação aos conflitos entre gangues jamaicanas e a polícia local, Bob Marley organizou um festival que tentasse levar um pouco de paz à situação por meio da música, convidando nomes como Tosh, Jacob Miller e Dennis Brown, entre outros. Porém, no tempo que lhe cabia na apresentação, Tosh cantou suas canções mais militantes e politizadas, enfurecendo as autoridades presentes, e explodindo uma bomba passional que resultaria numa série de agressões ao artista nos dias subsequentes ao evento.

Mas isso não foi suficiente para pará-lo, e ele continuou cantando sua raiva contra o sistema, recebendo inclusive um Grammy por melhor performance de reggae do ano de 1987 com o disco “No Nuclear War.” Porém, esse seria o último prêmio que receberia. Conhecido por suas amizades barra pesada, Peter sempre ajudava um amigo, Dennis Lobban, dando dinheiro e cedendo sua casa. Em setembro do mesmo ano, Lobban entrou consternado e alterado na residência do artista, tentando assaltar o local com mais dois comparsas. Peter alegou que não tinha dinheiro e tentou acalmar os homens, em vão. Foi torturado por horas, e, quando dois amigos do cantor chegaram, sem saber o que estava ocorrendo, o criminoso perdeu a paciência e atirou em Peter e nos presentes que ali estavam com o artista. O genial trouble man de Trenchtown morreu na hora, assim como dois de seus amigos. Lobban foi condenado à morte, porém teve sua pena comutada para prisão perpétua.

“I’m like a stepping razor
Don’t you watch my size
I’m dangerous!”

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