#ÉoVale: As rimas e reflexões de Tubaína

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Fabiano de Santana Rodrigues, conhecido como TUBAÍNA é de São José dos Campos, cidade localizada no Vale do Paraíba, um novo berço do rap no interior de São Paulo. Integrante do coletivo de MC’s DAMASSACLAN, Tubaína traz em suas reflexões rimadas flows variantes, rimas desconcertantes e idéias capaz de tocar o coração e a alma de seus ouvintes. Na corrida desde 2005, TUBAÍNA faz parte da nova safra de MC’s Brasileiros, influênciado pela velha escola, traz consigo uma nova geração de adeptos  ao movimento. Com conteúdo e dedicação, traz em sua bagagem participações com Haikaiss, Dalsin, Costa Gold, Shawlin entre outras. Este ano seu álbum intitulado “Corpo São, Mente Insana” foi lançado, trazendo uma repercussão positiva em sua carreira. O BF trocou uma idéia com TUBAÍNA, que fala um pouco sobre seu mais recente trabalho e outros temas.


Bocada Forte – Por que do vulgo “Tubaína” ?

Tubaína: Ganhei esse apelido porque não bebo nada alcoólico, nunca experimentei.

Bocada Forte – Quando se deu o primeiro contato com o rap e o que te atraiu a seguir no meio?
Tubaína: Meu primeiro contato com rap foi natural, ouvindo o que os vizinhos escutavam no bairro em que eu cresci. Quando eu era criança ainda não tocava tanto funk na quebrada, os carros passavam tocando racionais, era o que tinha de mais popular entre os manos naquela época. Faixas como Capítulo 4 Versículo 3, Diário de um Detento etc.. Já gostava muito de escutar rap, cresci escutando, era a trilha sonora dos rolês de skate, fazia freestyle de brincadeira na escola essas coisas, depois que escutei o disco “Nadando Com Os Tubarões” do Charlie Brown conheci RZO e Sabotage, aí me envolvi tanto que comecei a pesquisar ao invés de escutar só o que meus amigos indicavam. Comecei a escrever em 2004, muito influenciado pelo som do Quinto Andar, em 2005 fiz minha primeira apresentação num palco, em um festival de musica na escola do bairro. Talvez o que tenha me incentivado a seguir nesse meio foi a forma com que as pessoas elogiavam o que eu criava nessa época, de repente senti que eu era bom em algo e resolvi levar isso pra vida.

Bocada Forte – Você tinha um trampo formal antes do rap. Como foi bater o martelo e dizer: “Vou trabalhar com o que amo”, mesmo sabendo das dificuldades que o artista independente tem nesse meio? Você teve total apoio após a decisão?
Tubaína: 
Sim, na verdade já trabalhei em muitos lugares. Já trabalhei em lanchonete fazendo açaí, trabalhei colocando letreiro em fachada de loja, trabalhei em estamparia de camiseta, fiquei 1 ano e meio no telemarketing, trabalhei em creche olhando criança, meu ultimo trampo foi de educador em uma fundação pra crianças carentes na qual eu fui aluno também quando era mais novo. Sempre quis viver só de rap, mas também não dava pra ficar sem dinheiro e eu tentei por varias vezes ficar sem dinheiro, mas sem dinheiro não dava nem pra fazer rap. Então fui pulando de trampo em trampo procurando algo que eu pudesse trampar e ao mesmo tempo fazer meu corre no rap. Saí do ultimo trampo de educador porque comecei a fazer mais shows, não tava mais conseguindo colar pra dar as aulas nas sextas e segundas-feiras porque sempre tava viajando. Eu curtia o trampo na comunidade mas pra não prejudicar o projeto eu dei a vaga pra outro educador.

Bocada Forte – Quando o tema é “ganhar dinheiro no rap” ainda encontramos resistência fora e dentro dele. Você trampa com o time do DAMASSACLAN e é um de vários artistas que tem o seu trampo valorizado, inclusive nas suas músicas você deixa isso claro. Qual sua opinião sobre essa questão financeira que muitos não querem ver dentro do rap? Você acha que isso é uma falta de amadurecimento?
Tubaína:
Eu não conheço ninguém que não goste de dinheiro, a não ser quem já tem muito. Quem não gosta de dinheiro é porque nunca ficou sem! Eu venho de uma família que não teve nada de grana, sempre trabalhei muito influenciado pela educação que tive em casa, meu pai faleceu muito cedo, eu tinha 14 anos. Não sou herdeiro de nada, minha mãe trampa até hoje graças a Deus, ela tem um emprego que ela gosta, que ela estudou pra ter, mas se eu já tivesse a grana que eu ainda pretendo ter um dia eu não deixaria ela trabalhar mais, colocaria ela na vida que ela merece. Acho que qualquer pessoa que veio da mesma origem que eu te responderia a mesma coisa. É só olhar o ponto de ônibus lotado de manhã, todo mundo acordando cedo e pegando um ônibus lotado, por dinheiro. Não querer dinheiro no rap é o mesmo que ser escravizado e aceitar tranquilo. É trabalhar de graça! Porque mesmo que alguns não queiram dinheiro, o rap vai sempre gerar dinheiro pra alguém. O rap é música e existe uma industria fonográfica que vende e se enriquece com música. Se você for esperto, você leva sua parte pra casa, ajuda sua coroa.

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(Fotografia: JEAN FURQUIM)

Bocada Forte – No primeiro trabalho do Audio Clan, em “Incentivar o Sonho”, você fala sobre foco e objetivos. No seu mais recente trabalho a faixa “O que você me diz” expressa o sentimento de quem se encontra no caminho que almeja. O Fabiano e o Tubaína estão no lugar certo, ou estão caminhando para ele?
Tubaína:
Acredito que sim. O Fabiano é um mano que ralou muito pro Tubaína chegar onde tá, Fabiano tem faculdade e nunca parou de estudar, se mantém afiado em quase todos os setores quando se trata de bastidores da cena. O Tubaína também executa bem o seu trabalho nos palcos da vida. Duas personalidades diferentes que se completam em tudo, acho que o caminho é esse sim.

Bocada Forte – Quanto tempo durou o processo desde criação e finalização do disco?
Tubaína:
Durou um ano. Assim que lançamos em 2014 o EP “Minha Culpa” do Audioclan já comecei a criar o “Corpo São, Mente Insana”.

Bocada Forte – Vários beatmakers participaram do ‘Corpo São, Mente Insana’, essa mistura de produções se deve aos diversos temas do disco? Você costuma ter mais afinidade de trabalho com algum, ou é simplesmente por se encaixar no que está procurando?
Tubaína:
Eu tenho os meus preferidos, que já trabalham comigo a algum tempo, mas sempre chega muita coisa nova também. Geralmente escolho os beats de acordo com oque to sentindo no dia mesmo, as vezes me trazem um beat muito bom mas se eu não to no clima certo daquele beat não funciona. Tem que ser o cenário perfeito pra falar o que eu to inspirado pra dizer naquele momento.

Bocada Forte – Com as repercussões negativas nas redes sociais, você acha que os artistas precisam prestar mais atenção no que falam?
Tubaína:
As redes sociais são canais muito delicados pra um artista se expressar. Talvez tenha determinados temas que já são considerados polêmicos e que precisem mesmo de mais cautela pra não serem mal interpretados, já que as redes sociais são infestadas por pessoas que adoram disseminar o ódio sobre tudo que leem. Um artista não deve mudar de personalidade nas redes sociais com medo de críticas negativas, mas acho que se deve prestar atenção sim, no fim das contas seu público sempre te cobra por cada palavra escrita.

Bocada Forte – O que é evolução no rap pra você?
Tubaína:
 Evoluir em qualquer coisa pra mim é melhorar, melhorar o astral, melhorar o espírito, melhorar o ambiente a nossa volta e melhorar a vida das pessoas. Cada um tem algo que quer melhorar na vida. Existem vários casos onde percebo que meu rap evoluiu, as vezes é quando arranco um elogio de alguém que nem curte rap, as vezes é quando pago com a grana do rap uma conta que tava atrasada, quando compro um equipamento novo pro meu estúdio, isso é a minha evolução no rap. Cada um tem a sua.

Bocada Forte – O disco traz vários sons românticos que abordam temas como desculpas, tretas e declarações. A que se deve tantos sons nessa levada no mesmo disco? Cada história foi um fato do seu cotidiano?
Tubaína:
Sim, foram fatos que aconteceram comigo e também coisas que eu presenciei no meu dia a dia. Porém, contadas de um jeito em que mais pessoas se identifiquem, ou da forma que a mensagem chegue de forma mais clara pra quem escuta.

Bocada Forte – O que jamais faria com seu rap ?
Tubaína: Jamais abandonaria o meu rap. Vou estar sempre envolvido com o rap, deixar isso morrer em mim sempre vai estar fora de cogitação.

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