Na ideia com Elly Pretoriginal | Rap é rap!

POR ELLY PRETORIGINALimg_png3*

Mano na moral, uma pá de cara fala dos rap modinha, quando na verdade não existe o lance de rap modinha. Rap é rap, independente do estilo que é feito ou do assunto abordado na letra. Independe de quem o faz, se é homem, mulher, os mais antigos, como eu, os mais novos, como meu sobrinho. Tenha levada ou não. Seja branco, preto, índio ou oriental. Rap sempre será rap, desde que tenham rimas, é claro, que é o mínimo.

Claro que houve uma divisão. Hoje muito de fala em boombap rap com produções que lembram muito as feitas nos anos 90, com bumbo, caixa batendo e samples – como Kamal, Parteum, A Trible Called Quest, Talib Kwelli, Mos Def, dentre outros. O trap, com o famoso 808 ouvido em grupos como Sixface Mafia – de Evandro Cesar, o primeiro a divulgar o estilo aqui em SP -, Pulse011 – de Cris Konebo e DJ Qap -, a maioria dos grupos de Brasília, que são pioneiros no estilo no Brasil, Rick Ross, Lil Wayne, Young Thug, Future ou até mesmo o DMN. Tem também aqueles que fazem “brega rap“. Talvez eles nem saibam disso, mas muito se assemelha com o estilo musical que uma grande parte dos brasileiros se identificam e ganharam uma notoriedade, por emitirem inconscientemente um tipo de linha musical que realmente a população se identifica, onde as musicas são mais lentas, com refrões cantados por backing vocals e melodias bem tristes, que tocam o sentimento das pessoas fazendo refletirem na vida em si. Mas ainda assim… É rap! Isso infelizmente nos divide.

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O rapper paulistano Rashid.

Não somos mais vistos como o Movimento Hip Hop, ou a Cultura Hip Hop. Antes se falava muito na existência do “Movimento Rap”, onde eu era um dos que sempre disse que ele não existia, mas por incrível que pareça, depois de tantas e tantas divergências, e distanciamento dos MCs, B-Boys & B-Girls e graffiteiros – e neste caso não posso incluir os DJs, pois hoje vejo que existe uma união gigantesca entre os principais instrumentistas da nossa música no Brasil -, cheguei a conclusão que o tal “Movimento Rap” existe de fato. Esses caras diziam que o D2 não era rap, porque ele fazia rap com samples de samba. Mas não analisaram que se for levar pra esse lado, também poderia dizer que não é rap nossa música, pois sampleamos soul, blues, jazz e etc… Depois começaram a taxar o Rashid e mais uma pá da nova escola de “modinha”. Não entendem que houve uma renovação musical no mercado, entre os meios de comunicação, pra divulgar sua música e trabalho, no público, nos rimadores, que envelheceram… Mas também tivemos um crescimento do público, mais que o dos anos 90, tão grande quanto os de hoje. Tudo pelo intelecto da música. E isso sem internet, sem diss, sem polêmica, sem falar de cocaína… Alguns falavam de maconha, mas graças a Deus não me incluo entre estes, pois faço parte da oposição a propagação de incitar as pessoas a seguirem algo que acho que só faz bem pra mim, que é a minha verdade, o que não quer dizer que tenha que ser a de vários. Ninguém é obrigado a engolir a minha verdade güela abaixo, como hoje é feito por diversos MCs, não só com drogas. Então sempre abordamos outros temas muito mais interessantes e preocupantes.?

Ando ultimamente ouvindo muita coisa e dentre tantas coisas que escutei, me identifiquei muito com o que  é dito por alguns, como a nova diss do Rashid, o som do Rapadura e o Diomedes e o Bacu. Apesar de discordar de algumas ideias, entendi que ele fez com que as pessoas olhassem pra o rap do nordeste com a atitude dele. Isso foi legal e os caras não são de São Paulo. Não gosto dessas ideias de ficar mandando vinhetinha em músicas. Até porque eu acredito que ‘quem mexe com casa de marimbondos sai picado’, e esses caras sabem com quem mexem. Os gangstas virtuais de internet, são de brinquedo, e brinquedo quebra fácil, não são resistentes a impacto. Agora as ideias quem são passadas na letra de alguns, pra quem gosta de rap e entende qual foi o quadro pintado em algumas ideias, ta ligado o que eu to falando. Se liga aí!

img5*Elly Pretoriginal é vocalista
do pioneiro grupo de rap
brasileiro DMN. Na atividade
desde 1988, é um dos principais
MCs da cena rap paulistana.

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