Opinião: Baixada Fluminense | Por Slow da BF

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Vejo o sol brilhando quando passo ao lado do prédio, 99,9 % decorado por pichações na fronteira entre Mentirinha City e Belford Roxo e um mar de salários mínimos na estação de trem de Coelho da Rocha.

Dia lindo de sol, tarde morna nessa Baixada de amantes de cerveja, futebol e pastores semi-analfabetos. Assim vamos até o coração da BF, histórico quilombo que pulsa e faz pulsar meu rap que tenta de alguma forma libertar pela poesia e rispidez de meus versos, uma grande parcela do povão viciado em crack, maconha, cachaça, que balança geral. Povão que vai nos rodeios ridículos, no funk, no pagode, no axé, assiste religiosamente a novela e reza por bispos que caem a cada dia no seu caminho rumo à cadeira elétrica de suas almas.

Encontrando pilastras na areia movediça. Que lugar tão louco é esse que faz surgir Serginhos Meritis e Homens da capa preta…?? Sigo movimentando-me antes da queda do meteoro chamado Futuro. Planos se desmontam e renascem como Fênix dourada. Homenagens e lindas palavras à minha querida Baixada. Amo cada pequeno espaço do pouco que conheço de um mundo esquecido por muitos e tesouro para tantos. Onde as lágrimas têm força de rinoceronte faminto e os sorrisos são invejados por seres sem luz própria. Fogueira que faz transcender sonhos e cores. Meu amor eu devo a ti Baixada! Pois somente no teu labirinto pude achar paz e luz. Baixada! Para onde o Jesus de concreto fica de costas, para onde o Deus do impossível lança sua misericórdia. Baixada! Reduto de minha vida, negros, nordestinos, brasileiros. Todos são minha música. Todos são meu rap.

Eu vou morar aqui, não vou embora, não quero ir!

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