Pete Rock e a Segunda Mostra de Hip Hop SP

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São Paulo, 2 de agosto de 2007.

Em meio ao caos da cidade de São Paulo, envolvida em uma greve do setor metroviário, um evento em especial destacava-se no cenário da Cultura Hip-Hop brasileira: Pete Rock, um dos mais respeitados e admirados produtores da cena da música Rap internacional faria sua apresentação.

Nada, mas realmente nada – nem a greve dos metrôs e o trânsito caótico – impossibilitaria àqueles que são apaixonados pela cultura Hip-Hop de comparecer a esse evento. E assim foi. O SESC Pompéia recebeu um excelente público. Mais do que isso, um público com muitas personalidades da cultura de rua paulista e brasileira.

Pete Rock iniciou sua apresentação saudando ao público paulista e, sempre muito sorridente, começou mixando alguns clássicos de um dos mais famosos grupos de Rap dos últimos anos, o Wu-Tang Clan. O público vibrou com uma retrospectiva, desde o primeiro álbum, “Enter to the 36 Chambers”, até seus sucessos mais recentes. Quem ia chegando ao evento, que começou às 21h, já ia entrando no “clima Nova York” que Pete riscava nas pick-ups.

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Demonstrando total naturalidade e destreza nos toca-discos, Pete Rock ia brincando, mixando, fazendo scratchs e até uns “back to back” de vez em quando, fazendo o público vibrar. Num desses “backs” iniciou um set só com músicas do grupo A Tribe Called Quest. Depois foi a vez de apresentar alguns clássicos do grupo Mobb Deep, um remix de Jeru The Damaja e alguns sons do “teacher” KRS-One, todos artistas da cidade berço da música Rap.

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Em seqüência, sempre falando e interagindo com o público, tocou algumas de suas pérolas – como os Remixes que produziu para grupos como o Public Enemy, Nas, Common, Busta Rhynmes, House of Pain e outros artistas – para logo em seguida realizar homenagens aos rappers Big L, 2 Pac e Big Smalls.

O público participava e cantava junto, sempre inflamado por Pete Rock. Ele tocava, como introdução, as músicas originais, de onde retirou os samples pra logo depois mixar com suas produções.

Ao final, Pete faz uma seção só com clássicos da Old School – com músicas de MC Shan, EPMD, Brand Nubian, sucessos de Run DMC, Boogie Down Productions, dentre outros.

Pra quem esperava um grande show, com Pete Rock apresentando-se, além de DJ, como MC ou com um MC, fazendo beats no MPC ao vivo ou qualquer outra coisa, pode até ter se decepcionado. No entanto, Pete confirmou todas as expectativas quanto ao seu carisma, energia no palco e sua vibração positiva. Quem foi até o SESC Pompéia ontem, conferiu de perto o que se percebia somente através de suas músicas e produções: muita positividade. Se a cultura Hip-Hop fosse uma pessoa de carne e osso, ontem ela teria dado um belo sorriso de contentamento.

Confira os filmes e documentários da Mostra

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BEAT KINGS – Diretor: Ray Stewart
Estrelando: DJ Premier, Pete Rock, Prince Paul, entre outros. 90 minutos
Um documentário centrado na figura do produtor de rap, Beat Kings conta a história do processo de composição das batidas, desde os tempos de Afrika Bambaataa e Marley Marl, até estrelas da atualidade, como Kanye West.
Verdadeiro quem é quem dos estúdios de hip hop, o filme esclarece detalhes acerca do equipamento, aprendizado e histórico de cada um dos mestres dessa arte.

WU: THE STORY OF THE WU TANG CLAN – Diretor: Gerald Barclay
Estrelando: RZA, GZA, Ghostface Killah, entre outros. 90 minutos
No verão de 1993, o Wu Tang Clan emergiu das favelas de Staten Island e tomou o mundo do rap de assalto, munidos de um gênio da produção, uma sonoridade inovadora e um imaginário kung-fu. Seu legado já passa de uma década, com vendas totais superiores a vinte milhões de discos. Formado pelo maior time de super mcs já concentrados em um só grupo, o Wu Tang tem muita história pra contar.

BLACK AND BLUE: LEGENDS OF THE HIP HOP COP – Diretor: Peter Spirer
Estrelando: 50 Cent, The Game, Ice T, entre outros. 90 minutos
Após anos de boatos, vem a tona a verdade: artistas do primeiro escalão do rap são alvo de uma das mais poderosas forças policiais do mundo. Diferente de estrelas de outros gêneros musicais, nomes de peso como Jay Z, Nas, e Snoop Dogg, são constantemente seguidos, interrogados e monitorados pela polícia de Nova York. Essa por sua vez sempre declarou não possuir arquivos relacionados aos rappers. Nesse filme porém, o detetive aposentado Derrick Parker revela que criou pessoalmente uma unidade dedicada ao rap na NYPD após o assassinato de Notorious B.I.G. em 1997.

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BIGGIE SMALLS: BIGGER THAN LIFE – Diretor: Peter Spirer
Estrelando: Method Man, Common, Easy Mo Bee, entre outros. 90 minutos
Do mesmo diretor de Black And Blue, esse documentário é um tributo ao ícone do rap nova-iorquino morto há uma década, no auge da treta entre rimadores das Costas Leste e Oeste dos EUA. Um olhar detalahado sobre a vida de Notorious B.I.G. enquanto artista, MC, pai e marido, contado por aqueles que conviveram e trabalharam com esse verdadeiro monstro sagrado do microfone.

STREET PROPHETZ – Diretores: Martelli Brothers
Estrelando: Questlove, Hieroglyphics, Planet Asia, entre outros. 67 minutos
A partir do conceito de cultura de rua, esse filme explora a ligação entre diferentes expressões como skate, rap e graffiti. Mas ao invés de acadêmicos teóricos, Street Prophetz dá voz a quem de fato faz parte de cada uma dessas atividades: graffiteiros lendários (como Doze Green, Zephyr e Mear One), MCs (Little Brother, Afu-Ra e Bahamadia), DJs (Roc Raida, Green Lantern e Rob Swift), e skatistas (Zoo York Crew, Harold Hunter e Brandon Turner).

JUST FOR KICKS – Diretores: Thibaut De Longeville & Lisa Leone
Estrelando: Run, Grandmaster Caz, Raekwon, entre outros. 80 minutos
Esse é o primeiro filme a investigar a obsessão que a cultura hip hop tem, desde sempre, com tênis. Artistas de rap, atletas, empresários e colecionadores filosofam sobre as razões por trás do fenômeno que fez o calçado atlético ultrapassar as arenas, pra se tornar um dos mais importantes acessórios da humanidade em geral nas últimas três décadas.

BLACKOUT – Diretor: Jerry Lamothe
Estrelando: Jeffrey Wright, Melvin Van Peebles, Zoe Zaldana. 95 minutos
No verão de 2003, os EUA viveram o maior blecaute da sua história, reportado em geral como ³pacífico². Mas numa parte esquecida do Brooklyn, o bicho pega quando a luz se apaga. Essa é a história do lado B desse apagão. Destaque para a presença de atores como Jeffrey Wright (de Syriana, Ali e Shaft) e Melvin Van Peebles, o mestre do cinema Blaxploitation.

ROCK FRESH – Director: Danny Lee
Estrelando: Kofie, Axis, Clae, entre outros. 81 minutos
Documenta a evolução artística e a expansão popular da arte do graffiti, das ruas pras galerias, dos muros pras marcas de streetwear, do privado pro alcance mundial. Artistas que demonstram habilidades nas mais diversas superfícies (tela, concreto, metal, pano, tijolo) e nos mais variados locais (cidade, deserto, topos de prédio e até florestas). Além disso, Rock Fresh enfoca a batalha de artistas mais velhos pra viverem de sua arte e se manterem relevantes, num meio que todo dia atrai novos adeptos.

Programação Nacional: Velha Guarda

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HIP HOP SP – Diretor: Francisco César Filho
Estrelando: Thaíde & Dj Hum, Back spin Crew, Região Abissal. 11 minutos
Até onde se tem notícia, esse é o primeiro filme a registrar o hip hop no Brasil. Lançado em 1990, esse curta-metragem contém imagens históricas da geração original do movimento, em ação na hoje lendária Estação São Bento. Imperdível pra qualquer um com interesse pelo assunto.

ONDE SÃO PAULO ACABA – Diretor: Andrea Seligmann
Estrelando: Pivete e Branco. 12 minutos
Em 1995, quando o gangsta rap americano atingia seu ápice de popularidade mundo afora, esse curta já mostrava que o buraco (de bala) é bem mais embaixo aqui na terra do Faroeste Caboclo. Mais de uma década depois, as cenas gravadas no extremo sul da cidade continuam impactantes.

ROTAÇÃO 33 ­ FITA MIXADA – Diretor: 13 Produções
Estrelando: KL Jay, Kamau, Max B.O., entre outros. 65 minutos
Registro de uma performance do dj dos Racionais MC¹s, ao vivo em estúdio, composta inteiramente por faixas de rap nacional, muitas delas produzidas por ele mesmo, extraídas de discos de vinil. Se não é vinil, não vale. Conta ainda com participação de um time diversificado de mcs da nova escola.

Programação Nacional: Nova Escola

MINHA ÁREA – Diretor: Emilio Domingos
Estrelando: Aori e Macarrão. 22 minutos
Retratando o hip hop carioca de maneira significativa e ao mesmo compacta, o curta mostra um pouco da vida e do verso de um rapper da Zona Sul – Aori, dos Inumanos e da Brutal Crew – e outro da Zona Norte ­ Macarrão, conhecido pela participação no documentário Fala Tu.

FARPAS, PREGOS, NUVENS, ORAÇÕES – Diretor: Cássio Bossert
Estrelando: Parteum, Secreto e Suissac. 50 minutos
O cotidiano, as gravações, processo de composição, turnê e bastidores da vida de um grupo de rap alternativo brasileiro em estilo A Vida Como Ela É. Ou ³Tudo Que Você Gostaria De Saber Sobre O Mzuri Sana Mas Não Tinha A Quem Perguntar².

[+] Leia a matéria sobre a 1ª Mostra, em 2005
[+] Confira matéria sobre o encerramento da 2ª Mostra, em 2007
[+] Veja qual foi a programação da 3ª Mostra, em 2016

Veja o vídeo com as fotos da abertura da Mostra com Pete Rock

 

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