Yhago Sebaz: “O espaço do Gay Negro ainda precisa vencer muitos estereótipos”

#OrgulhoLGBT | De São Luiz (MA) para o mundo, Yhago Sebaz não tem limites em sua arte. Leonino, com 26 anos, apresenta letras poéticas, delicadas e criativas. Se propondo a fazer “um pop com conteúdo e dançante” (como diz sua página no Youtube), seu som recebe influências do samba ao reggae, passando pelo black, pelo hip hop e pelo rock. Hoje morando na capital paulista para estudar, também busca expandir ainda mais sua arte.

Em 2014, Yhago lançou seu álbum #NegoBeats com 7 faixas inéditas. Nesse mês, lançou seu novo single “Em Cima de Mim” que, além de ser uma lovesong escrita de um homem para outro, conta com um clipe romântico que traz um casal gay como protagonista.

Em entrevista exclusiva, conversamos com Yhago sobre sua caminhada na música, seus projetos futuros, suas vivências enquanto negro e nordestino na capital paulista e suas opiniões a respeito da comunidade LGBT. Confira:

Bocada Forte: Como foi sua trajetória na música até o presente momento? Qual foi sua caminhada até aqui?

Yhago Sebaz: Bem, eu cresci na arte. Sempre fiz teatro e dança, me descobri na música durante a adolescência, tentei ter bandas… Depois comecei a fazer alguns trabalhos autorais e em 2014 lancei meu primeiro álbum #NegoBeats , depois comecei a tocar na noite. Acabei me mudando pra SP e tô buscando expandir meu trabalho com esse novo projeto.

BF: No release que está no seu canal no YouTube você diz ser um artista pop que usa muitas referências, inclusive da Black music, da eletrônica e é possível também perceber algo de MPB que atravessa sua sonoridade. Como você enxerga essa mistura de gêneros musicais?

Yhago: Me considero um artista pop, isso me permite a teatralidade e acredito que tendo uma imagem e mensagem coesa você consegue viajar por estilos sem deixar de lado a sua essência

BF: Falando em essência, a sua lírica no geral é cheia de metáforas e pode-se ver que o amor é um tema forte e frequente em suas letras. Como você enxerga isso?

Yhago: O álbum que vem aí, “Meio Amargo” é todo sobre isso, é bem pessoal. Pela primeira vez eu resolvi escrever sobre minhas experiências amorosas, por isso o nome “meio amargo”. Amor é uma linguagem universal, fazer as pessoas ouvirem uma música feita de um cara pra outro cara, e se identificar, talvez seja uma forma interessante de desconstrução.

BF: A sua lírica, pelo que você nos conta, é bastante pessoal, bastante subjetiva. Por outro lado,existem diferenças entre você e seu eu-lírico? Se sim, quais?

Yhago:  Acho que eu nunca fui tão eu quanto eu tô sendo agora!

BF: Agora a pouco você falou que um lovesong escrito de um cara para outro é “uma forma interessante de desconstrução”, fazendo referência ao seu single “Em Cima de Mim”. E em momento algum da letra você precisa dizer que é uma música para o público LGBT. Seria uma maneira de “ir comendo pelas beiradas”? De mostrar que nossa maneira de amar é normal?

Yhago: Exatamente! A intenção do meu trabalho é essa, eu amo o close, amo a lacração, o babado todo. Mas a gente é muito mais que isso, precisamos estar em todos os lugares e ser aceitos assim.

BF: Recentemente você saiu de São Luiz (MA) e veio morar em São Paulo capital. Como foi essa decisão? E como está sendo viver por aqui?

Yhago: Eu vim estudar e correr atrás dos meus sonhos e, sinceramente… Não tá sendo fácil! (risos) Sair de perto de tudo e todos que amo e vir pra um lugar totalmente diferente… Eu acho São Paulo maravilhosa, mas às vezes me surpreendo com o ar de egoísmo das pessoas e fico muito triste em ver como na maior metrópole do país ainda existe tanto preconceito. Em 9 meses em São Paulo eu passei por mais situações de racismo do que na minha vida inteira em São Luís. Mas isso não tira os méritos da riqueza cultural do lugar e da quantidade de pessoas incríveis que estão aqui também, realizando trabalhos sensacionais.

BF: Aproveitando o assunto, como você tem sentido sua moradia aqui em SP enquanto nordestino?

Yhago: Eu aprendi a amar mais ainda minhas origens! Vez ou outra escuto um comentário xenofóbico. É triste, mas as pessoas estão em processo de desconstrução. Acredito que melhore com o tempo… Ou não (risos). O mais louco é que essas experiências acontecem dentro das baladas LGBTQ, meio contraditório.

BF: Aproveitando novamente o gancho, hoje na comunidade LGBT nós convivemos com uma série de problemas internos como a falta de representatividade L e T, a falta de representatividade de LGBT’s negras, etc. Como você enxerga isso? E, para você, qual papel a arte ocupa nisso?

Yhago: O movimento tá começando a ganhar unidade. Temos que enxergar a necessidade de colocar cada letra dessa em destaque, em vários âmbitos da sociedade, e reconhecer a importância que isso tem para todos. Falando do lado que “engloba” ser negro e gay, temos várias problemáticas. Apesar de amar ser os dois, acredito que o espaço do gay negro ainda precisa vencer muitos estereótipos. Indico a galera assistir [o filme] Moonligth.

BF: Você já contou que seu próximo trabalho “Meio Amargo” é baseado em suas experiências amorosas. Tem data prevista? Poderia nos dar mais spoilers?

Yhago: Então, é um projeto onde lançarei uns singles e no final um álbum com esses singles mais inéditas. A única coisa que eu posso falar é que virão coisas maiores do que foi “Em Cima de Mim“.

BF: Antes de encerrar, queria te perguntar rapidamente: – Um livro (ou quadrinho)? – Um filme (ou série)? – Uma música? – Uma personalidade que te inspira?

Yhago: Eu sou geek, coleciono quadrinhos e bonecos… Vou indicar um quadrinho do Dr. Estranho chamado “O Juramento”. Meu filme preferido da vida é “The Watchmen” tudo é maravilhoso nesse filme! Minha música preferida é “Started a Joke” do Bee Gees, indico que escutem e leiam a tradução, é incrível. Madonna e Will Smith.

BF: Para fechar, quais mensagens você gostaria de deixar para o seu público?

Yhago: Abram suas mentes! Sempre existe algo novo pra se descobrir.

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