Conheça o mineiro Abu: do Sarau Vira-Lata ao lo-fi

Foto: Pablo Bernardo/O Sarau Vira-Lata despertou inúmeros talentos, um deles é Abu.

O Sarau Vira Lata era um encontro de amantes da literatura marginal com intuito de ocupar a cidade. O sarau acontecia em praças, centros culturais, sob viadutos, aglomerados, parques, ruas, bares, bibliotecas, e todo lugar onde possamos reunir pessoas que desejam compartilhar desta literatura. Belo Horizonte, assim como outros centros urbanos, vem sendo enxergada cada vez mais como um lugar de passagem e não de vivência tornando-se a cidade espetáculo: apenas observamos acontecer, sem de fato participarmos dela.

Por consequência, esse rolê despertou inúmeros talentos. Um deles é Guilherme de Almeida, conhecido como Abu.  Foi dentro do Sarau Vira-Lata que o mineiro começou a se envolver com o samba. Dentro do samba tem o ‘partido alto’, que é uma linguagem de improviso dentro da base do samba. A partir daí ele começou a brincar de improviso nos sambas em que colava. Somando as duas culturas, Abu se envolveu no rap e na cultura hip hop.

Inspirado pela galera que faz o underground de BH acontecer, ele conta que quem tá perto tem maior peso. Felipe Filgueiras, Hot Apocalypse, Kdu dos Anjos, Djonga, Família de Rua, GNZ, Matéria Prima, Fumaça, Gustavo Lessa, Thaik, os manos da Posse Cutz, Cizco e Sarah Guedes: todos são fonte de aprendizado. Cada um à sua maneira, são lembrados por ele como incentivo.

Foto: Matheus Aragão/Djonga e Sarah Guedes estão entre suas maiores inspirações.

Para ele, toda essa reviravolta no rap nacional tem contribuído para diferentes ideias chegarem a um senso comum.

Estamos passando uma transição. Várias cenas do rap estão surgindo com musicalidades diferentes, características diferentes… É massa quando as diferentes identidades conseguem trocar ideia e produzir junto. O que a gente precisa ter é mais noção da história do que já foi feito e principalmente dos efeitos das nossas ações no mundo. O rap vai ser feito daquilo que a gente usar para alimentar ele. É muito massa ver que tem muita gente batalhando pelo progresso da cultura, pelo progresso da humanidade mesmo, coisas que eu acredito. Não tem a ver só com fazer um tipo de rap, uma pegada de letra, uma pegada de flow, limitar a arte. Nada disso. A parada é saber o que tá fazendo e porque tá fazendo aquilo, ter consciência das coisas” explica Abu.

Além dos sons com uma riqueza enorme de referências e conhecimento que levantam a cena de BH, o MC e educador mineiro também desenvolve projetos a partir do hip hop.

Os últimos 2 anos trabalhei com oficinas de musicalização de crianças através do rap, numa escola estadual… para mim eu vivi “de rap” muito bem esses 2 anos, em um projeto que me deu a oportunidade de realmente viver o hip hop de um jeito que nunca tinha vivido. Acho que também temos que abrir a cabeça pra esses lados e criar espaços, transformar o negativo em positivo e se potencializar no que você tem de melhor” garantiu.

Essa semana, Abu lançou um clipe em parceria com Hot Apocalypse na pegada lo-fi. A música intitulada Tuaregs já passou as mil visualizações em apenas 3 dias de lançamento, e não poderia ser diferente, já que traz uma visão pesada em notas simples: prefiro caos que polêmica. A aposta no gênero tem fundamento.

Tem muita gente experimentando coisas no processo de criar o som e com recursos não usuais, usando elementos lo-fi… isso é massa, no Brasil tá rolando muita coisa legal nesse sentido. Para mim, esse EP é lo-fi pela forma como foi produzido, gravado, o processo de mixar e tal, foi muito rico em aprendizado. Já tinha esses beats há muito tempo, mas eu sempre achava que o que tentava fazer não estava à altura dos instrumentais. Agora, 2 anos depois, acho que consegui” explica Abu.

Confira o lançamento do MC mineiro que brinca com a literatura marginal:

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