Billy Saga, MC e produtor cadeirante, completa 20 anos de rap

Billy Saga. Foto: Facebook do artista

A história de vida e de superação do rapper cadeirante BILLY SAGA emociona, não só pela forma como ele decidiu dar a volta por cima, mas pela coragem de seguir em frente lutando para sensibilizar a sociedade sobre os direitos das pessoas com deficiência resultando no processo de inclusão.

Tudo começou em 1998, quando decidiu fazer um curso intensivo de computação gráfica e no percurso à escola, que fazia com sua moto, foi atropelado por uma viatura da Polícia Militar que passou no semáforo vermelho ficando paraplégico. Foram três meses na UTI e uma vida nova que conquistou, segundo ele, graças a uma passagem secreta chamada Arte.

Dali para frente começou a estudar sobre diversos temas, nunca mais fez um curso de computação, talvez por trauma, se tornou autodidata e hoje manuseia diversos softwares de edição de imagens e vídeo em nível avançado, atuando como diretor e editor da maioria dos seus videoclipes.

Billy Saga. Foto: Divulgação

Incomodado com a segregação social vivida por 24,5% da população brasileira, Billy Saga idealizou o Movimento SuperAção, uma ação cultural de sensibilização da sociedade por meio de eventos nas principais avenidas das maiores capitais do país, levando música, entretenimento e debatendo o tema da inclusão das pessoas com deficiência nos epicentros culturais do Brasil. Com o SuperAção, vive o papel de produtor artístico, executivo, de marketing, de palco, de elenco, além de levar suas rimas em grandes eventos, no Brasil e no exterior como Argentina e Inglaterra. Com isso, teve que aprender a desenhar o projeto, captar recursos, negociar com artistas, fornecedores, voluntários, autoridades políticas, formadores de opinião.

Tricampeão da Batalha Racional de Freestyle, Billy Saga já realizou mais de 150 apresentações de Teatro na Oficina dos Menestréis e já organizou cerca de 30 eventos socioculturais em militância pelo direito das pessoas com deficiência.

Ser artista me deu coragem para ser eu mesmo, quando o mundo todo quis me convencer que minha vida tinha acabado. A maturidade me fez enxergar que hoje não luto apenas pela inclusão. Luto por um mundo mais humano, mais fraterno, pois uma sociedade que consiga minimamente respeitar o limite do próximo será melhor para todos

Atualmente, Billy Saga com 20 anos de dedicação ao rap, está casado e é pai de uma filha de 2 anos. Ele diz que mesmo sabendo que ainda falta muito para ela viver em uma sociedade inclusiva, desde já semeia a arte em sua vida. “A arte, mesmo quando melancólica e dramática, é alegria e estar alegre é estar em seu potencial máximo. É isso que quero para minha filha e é assim que conduzo a minha luta pela inclusão. De forma alegre“, revela.

Billy Saga. Foto: Facebook do artista

O Bocada Forte fez algumas perguntas para Billy Saga, que gentilmente nos atendeu. Confira abaixo:

Bocada Forte (BF): Como foi o início da sua caminhada na cultura hip hop?

Billy SagaConheci o hip hop quando um amigo me emprestou dois vinis do Racionais (“Escolha o Seu Caminho” e “Holocausto Urbano”), em meados de 1994. Desde então, decidi que o rap seria a trilha sonora da minha vida. Na mesma semana escrevi a minha primeira letra de rap e comecei a pesquisar sobre a cultura e seus elementos.

BF: Muitos falam que “o rap/hip hop salva”. E se, ao invés do rap/hip hop, você tivesse tentado sua arte em outro estilo? Você acha que a abertura teria sido a mesma?

Billy SagaA arte em geral tem o poder de transformar realidades. Mas o rap tem uma história de luta e militância a favor de grupos historicamente subalternizados e foi exatamente isso que me atraiu. Mesmo não tendo deficiência naquela época, sempre me posicionei contra a burguesia e o sistema capitalista cruel e excludente. Não foi uma questão de tentar, pois eu exerço outros tipos de arte, mas o rap não foi algo que eu decidi ser e sim algo que eu jamais conseguiria deixar de ser.

BF: Passe uma mensagem para todos os jovens que estão me mesma situação que você, e talvez pensando em desistir.

Billy SagaJá estive no fundo do poço e o rap foi a corda que me resgatou. Foram muitos motivos difíceis, mas se eu tivesse desistido, teria perdido a oportunidade de viver dezenas de outros episódios muito felizes em minha vida. As fatalidades acontecem na vida de todos. Deficiência todos têm, afinal, como disse o poeta: “de perto ninguém é normal”. A cara é seguir em frente, dia após dia, e acreditar genuinamente onde se quer chegar. Isso pode-se chamar fé, coragem, predestinação. Não importa. No final, o que importa é cumprirmos nossa missão, e a minha é passar uma mensagem de valorização à vida, respeito as diferenças, à própria família, ao prato de comida diário, pois são nos detalhes que estão a magia da vida. Vida longa ao rap brasileiro e a nossa missão coletiva!

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