10 Verdades sobre as LGBT+ que você nem fazia ideia!

#Rap #LGBT #MêsDoOrgulhoLGBT | Nessa sexta-feira (01) iniciamos o mês do Orgulho LGBT+.  Além de várias comemorações (incluindo a Parada Gay da cidade de São Paulo – a maior parada gay do mundo), é a época onde nós enquanto sociedade podemos parar e refletir sobre como temos lidado com a população LGBT+ (no caso do Brasil, bem mal).

Porém é também a época onde nós, LGBT+, ficamos chocadas com a quantidade de discussões (algumas produtivas, mas muitas carregadas ainda de preconceitos) que surgem a respeito de nossas pautas. Assim o texto de hoje, informativo (e um pouco irônico, talvez) serve para que nós possamos evitar algumas situações embaraçosas ao falar sobre LGBT+. E serve não apenas para os héteros que não fazem a menor ideia de quem é RuPaul, mas também para muitos LGBT+ que andam distribuindo closes errados por aí.

Começando com a verdade suprema: nós amamos Gifs e amamos a RuPaul <3

1) Existem LGBT+ negras (e de outras etnias não brancas também!)
Ao contrário do que a maioria das marcas mostra em propagandas, existem LGBT+ negras, de diversas etnias asiáticas e de diversas etnias indígenas! Eu sei que pode parecer um choque, mas eu juro que existem muitas LGBT+ que não são brancas, como a própria RuPaul, a Azealia Banks, Queen Latifah, Rico Dalasam, Glória Groove e por aí vai.
E se você é LGBT+ branca e só procura por pessoas brancas no Grindr, Scruff e no Hornet, saiba que o mundo é muito maior do que você imagina!

2) Existem mais 3 letras além do “G” (e um sinal de mais logo no final da sigla!)
A gente sabe que na hora de falarmos sobre LGBT+ a grande maioria das pessoas pensa em meninos gays. Não que não seja importante discutirmos as opressões vividas pelos homens gays (que ainda levam à morte e ao suicídio de diversos garotos por todo o mundo), mas existem opressões tão tensas quanto vividas por mulheres lésbicas, por bissexuais e principalmente por pessoas transgênero (que são as pessoas mais afetadas dentro de nossa sigla). E vale lembrar que existe ainda uma série de pessoas dentro do “+” como pessoas queer (pessoas que não seguem o modelo heterossexual e/ou não seguem o binarismo de gênero) e todas as pessoas trans não-binárias.

3) Nem todo viado entende de moda (e nem toda sapatão sabe trocar o motor de um caminhão!)
A gente sabe que existem muitos gays no mundo da moda, e que existem muitas lésbicas dentro do mundo “masculino” (que gostam de futebol e carros), mas vale lembrar que nem todo gay gosta de moda e nem toda lésbica gosta de coisas “masculinas”. Até porque ser gay ou ser lésbica tem a ver com você se sentir atraída por pessoas do mesmo gênero – não tem a ver com os seus próprios comportamentos. Justamente por isso não faz sentido perguntar qual o “homem” da relação em um casal lésbico ou qual a “mulher” da relação em um casal gay.

4) Ser travesti/transgênero e Drag Queen são coisas diferentes!
Muita gente se aproximou desse universo das drag queens através do reality show RuPaul’s Drag Race – um programa onde diversas drags competem até que uma delas seja a vencedora daquela temporada. Ao mesmo tempo, para o público em geral, existem confusões entre o que é ser trans e o que é ser drag.

Pessoas transgênero/transexuais/travestis são aquelas que não se identificam com o gênero atribuído quando nasceram. Ou seja, são pessoas cuja identidade de gênero (como elas vivem o seu gênero) não corresponde com como a sociedade a considerou ao nascer (lembrando que gênero não tem a ver com pipi/pepeca e sim como sentir-se homem, sentir-se mulher, sentir-se um pouco dos dois, etc).

Drag Queens são personagens criadas na maioria das vezes por homens gays. Com nomes escandalosos e maquiagens de cair o c* da bund*, são exatamente isso: personagens criadas e interpretadas. Assim, as drag queens (personagens) podem ser femininas, mas isso não quer dizer que o ator por detrás delas seja mulher. E lembrando que qualquer pessoa pode se montar de drag (homens, mulheres, héteros, LGBT+, etc), ainda que o mais comum sejam homens gays.

Um beijo pras travestis <3

5) Não, você não pode pedir para ficar com um casal de lésbicas! (E nem insistir para ficar com uma mulher lésbica!)
A maioria das mulheres lésbicas com quem convivo sempre se queixam sobre a quantidade de homens que insistem em ficar com elas, mesmo após elas dizerem que são lésbicas. E tudo fica ainda mais estranho quando caras aleatórios abordam um casal de lésbicas pedindo para “entrarem na brincadeira” ou, explicitamente, pedirem sexo à três com as meninas.

Meninos, não façam isso! Se você abordar uma mulher (lésbica ou não) e ela não quiser ficar com você, não insista. E ao ver um casal de lésbicas, deixe elas curtirem o rolê delas!

6) Nem toda LGBT+ é rica (Deus me livre, mas quem me dera)
Ao contrário do que as novelas e propagandas tem mostrado, não é a maioria das LGBT+ que são ricas e vivem em uma casa enorme, com vários filhos adotivos e um labrador maravilhoso em um cenário bem próximo de um comercial da Doriana. Bem que poderia ser realidade, mas a grande maioria das LGBT+ na hora de entrar no mercado de trabalho passam por diversos entraves que dificultam esse processo (especialmente em entrevistas de emprego). Essas dificuldades são maiores entre pessoas trans e/ou LGBT+ negras. Ou, dizendo de outra forma: a grande maioria das empresas e contratantes no Brasil (e no mundo, de uma maneira geral) não contratam LGBT+ (especialmente pessoas trans) e pessoas negras.

Ela é rica, nós não

7) Nem toda LGBT+ tem AIDS (e você não pega AIDS conversando ou interagindo com pessoas com AIDS)
Nos anos 80 existiu sim uma epidemia de AIDS que afetou principalmente homens gays e mulheres trans. Ninguém sabe ao certo o porquê dessa população especificamente ter sido afetava. Mas é fato que de lá pra cá uma série de campanhas de prevenção foram criadas e mostraram resultados diminuindo e muito a disseminação da doença seja através do uso de preservativos (que agora são distribuídos gratuitamente em postos de saúde) e de medicações que podem ser tomadas antes e depois de relações sexuais onde o vírus pode ser contraído. Então não deixa de ser preconceituoso pensar que todas as LGBT+ convivem com AIDS.

E para aquelas que tem a doença, ou o vírus inativo, é importante lembrar o básico: a AIDS é transmitida principalmente através de relações sexuais e transfusões sanguíneas. Você não vai contrair o vírus da doença conversando, andando de mãos dadas ou interagindo com essas pessoas (aliás, com o uso de preservativos, você também não irá contrair a doença).

8) Você não vira LGBT+ se for amigo de uma LGBT+!
Existe um certo mito na sociedade onde se diz que ao presenciar cenas LGBT, um pessoa hétero e cisgênero muda sua orientação sexual ou sua identidade de gênero. E tudo isso não passa de uma grande bobagem! Existem cada vez mais evidências científicas apontando que pessoas LGBT+ nascem assim!

Me poupe, Se poupe, Nos poupe

E, quando me perguntam, nunca deixo de dizer que até hoje vi diversos beijos hétero e nem por isso sou hétero!

9) Você não perde o preconceito só por ser amigo ou conviver com LGBT+ (aliás você ainda pode ser preconceituoso mesmo sendo LGBT+)
Sabe aquela situação onde você vê uma pessoa sendo racista e, na hora de cobrá-la, ela simplesmente responde “eu não sou racista, o irmão do primo da tia do meu amigo é negro”? E sabe como você vira e diz “não é por ter conhecidos negros que você deixa de ser racista”? Para os LGBT+ a lógica é a mesma. Ainda que convivendo com LGBT+ você possa sim se desconstruir, o que nos incomoda é quando um parente LGBT+ é usado como “escudo protetor” contra as merdas que você faz. E, por favor, nada de “eu não sou homofóbico mas…”.
Aliás, aproveitando a ocasião, também não é legal quando algum LGBT+ reproduz preconceitos contra outros LGBT+ como muitos gays que conheci ao longo da vida que menosprezam pessoas trans ou até mesmo gays afeminados. Nada disso hein mores?

10) LGBT+ podem trabalhar na cultura Hip Hop!
A alguns anos atrás, quando trabalhava no portal ZonaSuburbana, escrevi um artigo falando sobre as dificuldades em ser gay e estar no Hip Hop que, apesar de mudanças recentes na cena, ainda é um espaço bastante masculino, heterossexual e cisgênero. Isso não seria problema algum se muitos LGBT+ que se aproximam da cena, seja como público ou como artista, não fossem maltratadas e boicotadas em diversas situações.

A verdade número 11 é que a gente ama a Inês Brasil! <3

Enfim amores, vamos aproveitar esse mês de Junho para não apenas apoiarmos as LGBT+ que conhecemos para repensarmos, nós mesmos, como as temos tratados e como podemos incluí-las em diversos espaços que ocupamos, inclusive no Hip Hop!

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