Dr. Drumah, uma viagem à África durante o confinamento

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Capa do trampo

Música salva sempre, em tempos de isolamento então nem se fala. É distração, viagem, remédio, descanso, enfim… Salvação! O baterista e beatmaker baiano Jorge Dubman ou Dr. Drumah, bem conhecido na cena independente e alternativa nacional, acabou de lançar um trabalho que tem me salvado nos últimos dias.

‘The Confinement Vol. 01: Africa’ é o seu primeiro trabalho durante esse período de quarentena e como ele mesmo disse “vai ter continuação, mas não só África, cada volume vai ser uma viagem”.

Ele não é apenas baterista e beatmaker, é também pesquisador, selectah e colecionador de vinis. Esse trabalho, com 10 faixas, é fruto das suas pesquisas sobre música africana, ele utilizou elementos dos discos da sua coleção e fundiu usando as técnicas, timbres, softwares e equipamentos muito utilizados na produções de Rap.

Conheça mais produções de Dr. Drumah

Para mostrar como música também é viagem, ele conseguiu unir direta ou indiretamente, países do continente africano como Nigéria, Ghana, Benin, Zâmbia, Etiópia e Zimbabwe ao Brasil, Dinamarca e Austrália. Vamos entender as conexões – Nigéria, Ghana, Benin, Zâmbia e Etiópia estão presentes nos samples utilizados para a fusão musical. O Brasil entra aí, representado por ele mesmo, a Dinamarca está na participação da cantora Stina Sia, na abertura e na faixa de encerramento. Austrália e Zimbabwe se referem ao MC australiano Liam Monkhouse (Mista Monk do grupo Black Jesus Experience).

Opinião

Sinceramente, não sou um grande fã de música instrumental, sempre gosto mais quando alguém rima ou canta em cima das batidas, mas tenho minhas exceções. Geralmente gosto mais quando os instrumentais não são repetitivos, tem variedade de samples e também de timbres. Esse trabalho acaba de entrar nas exceções, Dr. Drumah usou muita coisa, são inúmeros elementos. Eu já havia escutado algumas coisas dele no Bandcamp, mas não com tanta atenção, é perceptível a preocupação com cada corte, efeito, cada virada e a variação de timbres e elementos dentro de um mesmo instrumental. Além é claro de uma mixagem bem feita, o que é muito importante quando se utiliza tantas fontes, onde você consegue ouvir cada detalhe e isso é o que te faz deixar no repeat.

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Estou deixando de lado essa mania automática de ouvir as produções tentando descobrir o que foi usado, tô desapegando e viajando no som. Identifiquei de cara o que foi usado na abertura, mas juro que foi só, uma outra o próprio Drumah me revelou, foi uma homenagem que fez para uma de suas maiores influências, o baterista nigeriano Tony Allen, na faixa “Africanism”. Allen faleceu em 30/04 desse ano, mas Jorge contou que quando finalizou a música ele ainda estava vivo. Para um dia tão especial e significativo como o dia das mães, nada como se inspirar na maior mãe do mundo, a África.

Ouça todas as faixas e se puder faça o download e ajude um artista independente

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