Viegas: poesia, som, raiz

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Por Erica Bastos

O rock brasileiro feitos nos anos 1980 tinha como sua grande característica um discurso político e social. O Brasil tinha acabado de sair de um ditadura sangrenta e de extrema censura. Esse discurso e esta postura serviu como grande influência para o cantor e compositor VIEGAS.

Bandas como Legião Urbana, Engenheiros do Hawai, Titãs e muitos outros inspiraram o artista a seguir pelos caminhos da música. “Essas ideias me faziam gostar mais de cada música, independente do gênero, se era samba, reggae, rap, rock ou qualquer coisa, mas a mensagem sempre me fez gostar mais ou não gostar de uma música. Isso me fez querer escrever também, isso me fez pensar melhor, agir com mais consciência, pensar não só em mim, mas em todos”, diz o cantor.

Viegas é filho de mãe nordestina, mulher que veio para São Paulo para oferecer uma oportunidade melhor para o filho. A família foi parar na Cohab Juscelino, no bairro de Guaianazes, zona leste da capital paulistana. Nesse ambiente, ouviu de tudo, como forró, axé, jazz, blues rock, sertanejo e reggae, gêneros cujas raízes vieram todas do gueto, e é nesse ponto que Viegas se identifica.

“Acredito na origem desses gêneros musicais que vieram como voz para os que não tinham voz, somos livres e cada um faz o que acha melhor, meu discurso trata bastante desses temas porque pra mim são importantes, e ainda tem muito pra ser feito, discutido e trabalhado, mas não posso cobrar de alguém que não sofre as mesmas coisas que eu, que fale por mim”, acrescenta.

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No começo de 2015, o músico lançou o disco “Gueto – Alquimia Sonora”, com pegada reggae, ritmos brasileiros, como embolada e o hip hop. Neste álbum, o músico mostra toda sua caminhada musical, pesquisa e trabalho para chegar no seu produto final.

Deste trampo, o artista lançou o videoclipe da música “Gueto – Minha Raiz Não Mudará”, gravado em sua quebrada, Guaianazes. O vídeo ganha destaque por sua boa produção e edição. O clipe fala sobre diversidade e a rotina do universo da periferia.

Para o músico, fazer a parada de forma independente e por amor o faz se preocupar com cada detalhe de sua carreira e do seu trabalho. “Estou cuidando bem mais da parte artística, show, músicas, e minha qualidade vocal para que a cada apresentação seja mais gratificante para o público que se dispôs a estar no local assistindo aquela apresentação”, finaliza.

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