Manos e Minas, 7 anos no ar

Sempre foi muito difícil, desde tempos remotos, promover e trabalhar com a cultura hip hop nos meios de comunicação. No início foram os fanzines. Depois os programas de rádio. Mais recentemente veio a web e um novo e democrático espaço se abriu. Mas na televisão, continuávamos ausentes. Nossa cultura aparecia na TV uma hora que outra, e mesmo assim em “retalhos”, que não transmitiam a nossa realidade. Mas aos poucos, aqui e acolá, a nossa televisão começou a ser preenchida pela nossa arte. E o melhor: por pessoas que vivem o hip hop. E foi assim com o MANOS E MINAS, precioso espaço conquistado na TV paulista.

Zeca Mca
Zeca Mca

Com mais de sete anos registrando parte da cultura hip hop, o programa resistiu ao processo de mudança da TV Cultura e manteve seu foco na arte de rua. Falamos com ZECA MCA, responsável por um dos poucos espaços da televisão brasileira dedicado a música rap e ao mundo das periferias.

Bocada Forte: Como e quando surgiu a ideia do programa Manos e Minas?
Zeca MCA: O Manos e Minas inicialmente era um quadro que existia dentro do programa Metrópolis. Ele era apresentado pelo Rappin’hood e concebido pelo Ramiro Zwetch. O quadro cresceu e virou um programa dedicado a cultura hip hop e a cultura de rua.


Bocada Forte: Além do Manos e Minas, sabemos que existem somente mais um ou dois programas de televisão voltados para o hip hop e a música rap. Qual a importância desse espaço para nossa cultura e que dicas você daria para as pessoas que anseiam por terem um programa como o Manos e Minas numa emissora de TV?

Zeca MCA: Estamos no ar desde 2008. Já gravamos quase trezentos programas. Isso tudo é registro. Isso é a história do hip hop, que está gravada e arquivada numa emissora de televisão pública. Isso é muito importante, porque daqui alguns anos você vai procurar a história do hip hop brasileiro e ela estará lá. Nos arquivos da TV Cultura, você têm imagens da São Bento, tem o Lucy Puma e tem também uma nova geração aparecendo, acontecendo e estourando no rap. Tá tudo registrado.

Agora, a dica que eu daria pra quem quer fazer um programa é fazer com muito amor. Não desista.

O apresentador Max B.O (Foto: Jair Magri - TV Cultura)
O apresentador Max B.O (Foto: Jair Magri – TV Cultura)

Lute! Comece na web, vai fazendo da sua maneira, do jeito que você acredita, porque uma hora a sua vez vai chegar. Você será recompensado!

Bocada Forte: Qual o segredo (ou segredos) para se manter um programa como o Manos e Minas no ar durante esses sete anos de existência?
Zeca MCA: Muita luta, né? Somos um dos poucos programas da TV brasileira que mostra a verdadeira cultura de rua periférica. Damos voz para quem esta escondido lá no fundão e escreveu um livro de poesia. Damos espaço pra molecada que tá na rua se ligar que ela também é capaz, e que ela tem sim uma cultura e um programa para se identificar. A relação do programa com os seus telespectadores é de cumplicidade. Em 2010, quando o programa terminou, o povo se manifestou e graças a essas manifestações, nós voltamos!

Bocada Forte: Um tempo atrás o programa correu o risco de ser retirado da grade de programação da TV Cultura. Lembramos que houve uma grande mobilização pelas redes sociais para que ele continuasse no ar. Como foi esse momento para a equipe do programa?
Zeca MCA: Esse momento foi tenso. Ficamos sabendo pelo jornal que estávamos na rua. Ninguém falou com a gente! O presidente João Sayad deu uma entrevista para o jornal Estadão falando dos seus planos. E um dos seus planos era fechar o Manos e Minas.

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Projetonave (Foto: Jair Magri – TV Cultura)

Na verdade, algumas pessoas da equipe não chegaram a ser demitidas. Mas a grande maioria sim. E a partir desse dia, eu e o Maníaco da Câmera começamos a organizar as manifestações nas Redes Sociais. Tivemos apoios muito importantes, como Edi Rock, Criolo, Senador Eduardo Suplicy, o deputado Carlos Gianazi e também o Daniel Ganjaman, que até organizou um show/evento pedindo a volta do programa.

Bocada Forte: Isso poderá ocorrer novamente (o programa correr o risco de sair do ar)?
Zeca MCA: Eu acredito que a administração da TV sabe da importância que o programa Manos e Minas tem para os jovens.

Bocada Forte: Muitos foram os momentos marcantes do programa, mas conte-nos um que definitivamente emocionou toda a equipe do Manos e Minas.
Zeca MCA: Não posso falar por todos, mas os meus momentos mais importantes foram dois: acompanhar a passagem de som do Marku Ribas com o Projetonave. Ele deu uma aula de música! E o aniversário de três anos do programa. Levamos mais de doze MCs pro palco! Tava praticamente todo mundo por lá! Foi muito classe!

Bocada Forte: Existe perspectivas do Manos e Minas ir ao ar num dia e horário onde possa obter maior audiência?

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DJ Erick Jay (Foto: Jair Magri – TV Cultura)

Zeca MCA: O programa agora é exibido sexta-feira, às 00h15. Melhoramos na audiência, mas ainda tem muita gente brava com esse novo horário.

 

Bocada Forte: Existe a possibilidade de se expandir o foco do programa para outros estados, que não somente São Paulo?
Zeca MCA: Olha, esse sempre foi o nosso interesse. Mas não conseguimos fugir de São Paulo. Não temos estrutura para poder ficar viajando direto. Mas sempre que podemos, estamos lá!

Bocada Forte: Conte para nossos leitores sobre os projetos do Manos e Minas para 2015.
Zeca MCA: Continuar registrando a cena. Gravar a história da nossa cultura e poder dar o máximo de espaço para os artistas de rua.

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