Ama rap de qualidade? Então prove!

MIDI Keyboard in a computer music studio.

Grandes contratos não são mais a única maneira de atingir um público amplo, ou ganhar a vida como um rapper

O artigo “The Rise of ‘Almost Famous’ Rappers, and How You Can Help” (algo como ‘A Ascensão dos rappers quase famosos, e como você pode ajudar’)  – escrito por Cassid Kakin e publicado no site TeamBackPack em marco de 2015 – aborda a relação entre o rap underground, o mercado, a revolução promovida pela internet e o importante suporte dos fãs da música de qualidade, no caso, o rap que não segue a linha de clonagem do mainstream. Guardando as devidas proporcões, a ideia do TeamBackPack pode e deve ser aplicada aqui em nosso país, na nossa cena rap.

De acordo com Cassid Kakin, artistas como Joey Bada$$, Action Bronson, Killer Mike, Wrekonize e Nipsey Hussle, têm uma característica em comum: sobrevivem numa região muito menor que o o universo dos lucros de Lil Wayne e Jay-Z, mas seus negócios rendem o suficiente para continuarem no rap e no hip hop. Grande parte desse “sucesso restrito” é resultado da colaboracão de uma sólida base de fãs. Kakin chega a afirmar: “E você, como um fã de hip hop, tem a responsabilidade de manter o sonho vivo”.

O artigo de Cassid Kakin vai ao encontro das discussões que temos aqui no Brasil. Artistas, jornalistas, blogueiros e ativistas sempre colocam a qualidade do rap na roda de debates. O colaborador do TeamBackPack comenta: “Com a continuação da mega-comercialização do hip hop, a qualidade e a inventividade do rap mainstream sofreu no seu conjunto. E os fãs têm tomado conhecimento”.

Kakin vê na internet o ponto positivo para a retomada da qualidade. Segundo o autor, a internet bane executivos da indústria fonográfica e é salvadora da arte independente. Fãs, jabás no rádio e truques do mercado não têm mais a mesma força que moveu a cena.

Isso é uma coisa boa para o público. Com a qualidade e a diversidade da corrente principal do rap em declínio, a abundância de rappers subterrâneos e ‘quase famosos’ preenche uma lacuna para ouvintes famintos que exigem criatividade e expressão dos artistas que eles amam […] A ascensão dos ‘quase famosos’ é um produto da era da internet […] É um produto da relação entre os artistas e os fãs que os apoiam. O contrato tácito que resulta em música independente de alta qualidade, arte que existe apesar e por causa das falhas do rap mainstream”, diz Cassid.

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A força e o papel dos fãs

O dinheiro que rola para um artista independente está em shows e turnês, onde também vendem seus discos, mixtapes, camisetas, acessórios. A web torna possível a sobrevivência da música rap de qualidade, mas apenas se houver a participação do público. Likes, visualizacões, comentários, repercussões em blogs ajudam a aumentar o alcance e conexão entre os fãs.

Você ama o rap independente/alternativo, ouve sons do underground, coloca os artistas ‘quase famosos’ em um pedestal por causa da qualidade de suas músicas? Prove! Coloque seu dinheiro onde você diz que apoia […] Se nós, como fãs de hip hop, queremos continuar ouvindo música de qualidade produzida por artistas criativos e talentosos, é nossa responsabilidade apoiar estes artistas […] Quer ser um fã do real hip hop? Sempre que você puder, coloque dinheiro e na cena dos ’quase fomosos’. Mostre que há um lugar para a qualidade na música moderna (contemporânea) do hip hop”.

Cassid Kakin fez a convocação. Que tal iniciarmos de verdade esse movimento aqui no Brasil? Sabemos que algumas experiências estão dando certo. Então… Demorou!

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