#AlémDeMarço: Nina Fideles

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Militante respeitada na cultura hip hop, jornalista é editora assistente da Revista Caros Amigos

NINA FIDELES, jornalista e fotógrafa que dedica seu trabalho ao hip hop, faz parte da ala politizada da cultura de rua, sua lente sempre está focada no desenvolvimento do cenário rap e nas manifestações dos movimentos sociais. Seu mais recente trabalho é a edição do livro Hip Hop Brasil, que aborda parte da produção artística da periferia em diferentes contextos. Publicado pela Caros Amigos – onde Nina Fideles é editora assistente –  o livro foi distribuído em escolas e bibliotecas públicas, e também está disponível na web. Clique aqui para acessar.

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Arquivo BF
Em 2011, durante entrevista ao BF, Nina falou a respeito da temática do rap brasileiro e sua despolitização. Leia trecho abaixo.

Rap, arte e discurso
Por: Nina Fideles

Eu acredito no rap brasileiro. Ele com certeza estimulou a mudança na vida de muita gente, o meu rumo inclusive, e eu não consigo deixar de mencionar isso. E acredito que quem faz também não pode esquecer isso. Este foi o rap brasileiro que conheci. Que não tinha amarras, falava sobre questões que ninguém falava, era fonte única daqueles temas. Mas não somente daqueles temas: era uma visão única de todos os temas. De amor, família, festas. Naldinho já falava de amor há muito tempo e de uma forma belíssima. O GOG também. Xis, Thaide e outros abordaram diferentes temas… Portanto, o rap não só falava de problemas sociais, de periferia, de favela. A gente precisa saber de tudo, ouvir de amor, curtir um baile, mas sem alienações. E ter uma fonte mais confiável que fale disso. E também se dançava muito nos bailes. Não ficava todo mundo parado pensando na vida, triste ou puto com a situação.

Para evoluir, não é preciso banalizar a música, mas fazer melhor, aprimorar, atingir um outro patamar – profissional, inclusive. E hoje tem muito mais pessoas fazendo rap e nem todas com muita clareza disso. Hoje é muito mais fácil fazer rap, inserir na mídia, gravar um clipe. E me parece que isso deixa os temas mais estreitos.

O rap falava para milhões, com mais identificação, e não para o seu próprio umbigo e de seu próprio umbigo. Hoje percebo certo egocentrismo, um tal de ditar regras do que estava errado no rap e de como deve ser feito agora, que me incomoda. Quantas letras não têm que o cara fala o quanto ele é ´foda` e a sua levada é embaçada, e as minas adoram? E isso considerando uma visão muito ´sãopaulo-cêntrica`. Mas em outras cidades do interior de São Paulo e em outros Estados ainda existe muito preconceito contra o rap, o pessoal que faz o hip hop nesses lugares acaba tendo, além de mais dificuldades, outros estímulos e outras ideias para fazer rap. Suas inspirações serão outras. O tema tratado não será o fator principal. Não é a batida, a levada, mas o que o artista espera da própria música, da sua arte. O que ele faz da sua arte e aonde ele pretende levá-la e pra quê.

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