Seguimos sem a preocupação de publicar primeiro, mas preocupados em publicar bem, com detalhes e comentários. Segue abaixo três destaques de singles que foram lançados também em vídeo e em breve cada um dos artistas lançara seu respectivo álbum, são eles: Black Moon, Common e Valete.

Todos eles são consagrados, podem encerrar a carreira hoje ou até já poderiam ter encerrado, pois já deixaram uma contribuição enorme para a música Rap e também para a Cultura Hip-Hop. Mas para a nossa alegria e para o equilíbrio entre a baixa e a alta qualidade musical aconteça, eles continuam na ativa. Não perderam a essência, mantiveram o nível e seguem sendo referências, cada qual com seu estilo.

O BF mantém critérios e em todos eles, cada um dos artistas citados aqui se encaixam: compromisso com a Cultura Hip-Hop e a sua essência é o principal. Enquanto os adultos trabalham, crianças sentam, assistem, aprendem e se espelham.


O grupo Black Moon (Buck Shot, 5 ft e DJ Evil Dee) lançou essa semana (14/6) o vídeo do primeiro single do próximo álbum do grupo. O disco vai se chamar “Rise of Da Moon” e a música que acabaram de lançar é a “Creep wit me“. A produção, como sempre, é de Evil Dee e seu irmão Mr. Walt (Da Beatminerz). Por conta disto faz lembrar os grandes clássicos “How many MCs…”, “Buck em down” e “I got cha opin”.

Este vídeo é o primeiro deles em 15 anos e o álbum vem de um intervalo de 16 anos sem discos de estúdio, o último foi o “Total Eclipse” (2003). Pelo que eles têm anunciado, a intenção é realmente resgatar a mesma sonoridade dos anos 90, fórmula que os consagrou como o grupo mais influente da Golden Era. Nesta música isto fica muito claro nos timbres, na linha de baixo e até mesmo nas imagens captadas para o vídeo, na contramão do que vemos atualmente em outros lançamentos.

Algo que também chama a atenção, é que o destaque para as rimas não ficou apenas para o Buckshot, que é visto como um líder do grupo e da Boot Camp Click, 5 ft é bem presente. Na letra, cada um rima uma parte inteira e dividem a última parte, bem como o refrão. Mais um lançamento que irá fazer feliz os amantes do boom bap!

Assista ao vídeo e ouça a música onde preferir (clique aqui)

Vídeo e plataformas: http://smarturl.it/creepwitme


 

Common acaba de lançar mais uma declaração de amor a Cultura Hip-Hop, uma espécie de continuação de I used to love H.E.R. A música se chama HER love, o instrumental é de J Dilla, tem participação de Dwele e Daniel Caesar. Ele resgatou a raíz da construção de um Rap, o instrumental não foi feito para essa música. Ele pegou duas versões de instrumentais do Jay Dee prontos, que qualquer um poderia ter usado, e rimou em cima.

A música é literalmente RITMO E POESIA (R.E.P), é a personificação do Hip Hop como uma garota. Ele cita as mudanças, as melhorias, a salvação, faz referência a nomes novos e antigos da música Rap e os seus diferentes estilos e vertentes. Até ele mesmo é citado como Common Sense (seu primeiro nome no Rap) e no refrão pergunta e se declara:

Quem sabia? Quem sabia que iríamos levar isso tão longe? / Eu te amo, então seja quem você é / Quem soube? Quem sabia que iríamos levar isso tão longe? / Eu, eu te amo, então apenas seja quem você é

No meio da música a batida some e ele segue a capela e diz:

Aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui vamos nós / Dizem que, que o amor te faz crescer / Você tem sido sen-sensacional / Instrume-E-intencional / Na minha vida, você tem sido vocal / Mas às vezes, eu senti que não te conhecia / Agora eu sei que você tinha que crescer também / E experimentar a vida para que você possa te conhecer / Nós todos mudamos, por que vale a pena

Mesmo deixando claro na letra do que a música trata, tem pessoas que acreditam, por conta do pronome feminino HER, que a música é feita pra uma mulher. Common, na sua genialidade, usa o H.E.R como a sigla de “Hip Hop in its Essence is Real” (Hip Hop em sua essência é real) e ponto final!


 

O rapper Valete, de Portugal, está prestes a lançar o seu terceiro disco oficial que vai se chamar “Em movimento“. Já faz um tempo que ele vem anunciando o lançamento de um novo disco, tanto que ele já havia divulgado dois títulos “Homo Líber” e “360 Graus“, o seu último disco foi “Serviço Público” (2006). Ele promete ir soltando as músicas desse novo trabalho aos poucos e a primeira faixa, com vídeo, é a “Colete amarelo”.

A música faz referência aos “coletes amarelos”, manifestantes que começaram protestos na França em 2018. Levando em consideração o título era de se esperar mais da letra, que não é ruim, mas o título cria outra expectativa. Ao mesmo tempo, dá pra entender que a intenção dele é fazer uma introdução, uma apresentação do que será esse novo disco. Talvez por isso a letra não tenha sido focada apenas em questões políticas, mas mesmo assim ele dispara:

Manos bora falar do nosso cenário encenado / Bora falar dos mercenários no nosso senado / Bora falar do mecenato de Raul Solnado / Eu quero ser mais um soldado contra Bolsonaro

A referência ao Brasil não está apenas na letra, mas também no vídeo, dois caras que aparecem com ele no vídeo estão com camisetas com estampas de artistas brasileiros, um com a capa do primeiro disco do MV Bill, “Traficando informação” e outro com a camiseta do “Sobrevivendo no Inferno”, do Racionais. O instrumental é pesado, o formato da música é o refrão cantado apenas no inicio e no fim e quase 3 minutos de rima sem parar.

Mais um ícone do Rap que promete voltar com tudo depois de muito tempo sem lançar um disco, que venha pesado e consciente como sempre foi em sua carreira.

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