ACERVO BF | André Du Rap: Sobrevivente (Do Massacre do Carandiru) – Resenha

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Título: Sobrevivente André Du Rap (do massacre do Carandiru)
Autor: André Du Rap / Coordenação Editorial: Bruno Zeni
Editora: Labortexto Editorial

A Editora Labortexto acaba de lançar mais um livro escrito por um ex-presidiário. Depois de lançar ‘Diário de um Detento’, escrito por Jocenir, o mesmo que fez a letra da música do Racionais, a editora lança agora ‘Sobrevivente André Du Rap’. A diferença entre esse e ‘Diário de um detento’ é que o autor é um dos sobreviventes do massacre ocorrido em 1992 na Casa de Detenção, enquanto o outro fez um relato do massacre à partir do que ouviu de outros presos. Ambos servem como protesto para que as autoridades repensem a maneira de tratar aqueles que estão atrás das grades.

A coordenação editorial do livro ficou por conta do jornalista Bruno Zeni, que dividiu o livro em 4 partes:
1) Depoimento: Quatro sessões de entrevistas que Bruno fez com André em julho e agosto de 2001, totalizando 4 horas de gravação;
2) Fragmentos de uma correspondência: Cartas escritas e recebidas por André enquanto esteve preso;
3) Free Style (de improviso): Trechos de um relato que André gravou sozinho, em agosto de 2001. O total da gravação foi de uma hora;
4) Aliados: Depoimentos de personalidades do Hip Hop e companheiros de luta social.

Ironia ou não José Andrade de Araújo (André Du Rap) nasceu no dia 02/10/1971 (o massacre foi em 02/10/1992), por pouco ele não foi assassinado no dia do seu aniversário de 21 anos. No início dos anos 80 André fazia parte de uma equipe de som que promovia bailes black nas periferias de São Paulo, era início do Hip Hop no Brasil, vários grupos de Rap e equipes de Breaking estavam começando a se formar. Em 1989 ele foi acusado de ter assassinado o tio, morto a pauladas e facadas. Fugiu para o litoral paulista e passado algum tempo seu irmão foi preso em seu lugar, a polícia atribuiu à ele o homicídio. No dia 20/02/1991, Du Rap foi preso em Poá e mandado para a cadeia de Suzano.

Em maio do mesmo ano, pegou 12 anos de prisão por homicídio, no dia 10/06/1992 foi transferido para a Casa de Detenção do Carandiru onde ficou até setembro de 1998, passou por várias cadeias no interior do estado e ganhou a liberdade em 07 de Abril de 2000. De agosto de 2000 à agosto de 2001 coordenou uma oficina de Hip Hop para crianças em Suzano, onde mora atualmente, faz trabalhos com Graffiti e dá oficinas itinerantes de DJ e MC com o apoio da Casa de Cultura Raízes e do CCECAS – Equipe Mitras, de Ferraz de Vasconcelos.

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O depoimento de André sobre o massacre é de arrepiar, depois de ler o seu relato é difícil olhar para um Policial Militar da tropa de choque e encará-lo como ser humano. O livro não é só violência, o ‘Sobrevivente’ também relata uma relação que se iniciou durante as visitas, uma amizade que fez por correspondência após ter feito um anúncio em uma revista – sabe aqueles anúncios onde as pessoas procuram companhia – André fez um desses e acabou conhecendo uma mulher.

Bruno Zeni, jornalista que coordenou a edição do livro, teve o cuidado de preservar todas as particularidades das falas de André, inclusive os erros. O livro traz uma dedicatória ao grande Natanael Valêncio, fotos com companheiros de sofrimento, familiares, grupos de Rap (SNJ, Afrodimpacto, KL Jay, Comunidade Carcerária), sua quebrada, o pessoal da Galeria 24 de maio e também foto dos autores. Nos depoimentos textos de Edi Rock e DJ KL Jay (Racionais), SNJ entre outros.

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Suzano, Poá e Ferraz de Vasconcelos são municípios da Grande São Paulo localizados na periferia da zona leste.

Saiba onde conseguir o livro: As pessoas de São Paulo podem comprar o livro diretamente com André, que está o vendendo diariamente na frente da Casa de Detenção do Carandiru, ou na loja 4P nas Grandes Galerias da Rua 24 de maio no centro de São Paulo.

Informações nos telefones da editora Labortexto: 0xx(11) 3825-7590 e 3664-7500.
http://www.labortexto.com.br

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