Acervo BF e Memória | Indie Hip Hop 2005 – O épico show do Jurassic 5 em Santo André

Publicado pela 1ª vez em 28.12.2005, última edição em 04.08.2021

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Aconteceu há pouco mais de uma semana, nos dias 17 e 18 de dezembro, a edição 2005 do Indie Hip-Hop no Sesc Santo André.

Passaram por lá, além dos californianos do Jurassic 5, Max B.O, DJ Primo & Aori, DJ PG, Kamau, Contra Fluxo & Munhoz, Quinto Andar, Mamelo Sound System, Parteum, Espião & Mzuri Sana e um público recorde comparado às outras edições.

Todos puderam presenciar um dos melhores eventos do ano, onde a atração principal, o grupo Jurassic 5, desempenhou da melhor forma possível o seu papel. Os amantes da Cultura Hip-Hop puderam presenciar um grupo de Rap original, que deram uma aula de como MCs e DJs devem se portar em cima de um palco. Foi uma celebração, daquelas que fazem lembrar a festa encenada no filme Wild Style, onde B.boys, B.girls, MCs, DJs e Grafiteiros estavam reunidos, apenas celebrando uma Cultura, um ritual, um momento único, que poucas vezes foi visto em shows de Rap por aqui. Abaixo as impressões de alguns colunistas do site, que presenciaram esse espetáculo da Cultura Hip-Hop Mundial.

https://www.youtube.com/watch?v=Kb1tiBAM0NA&pp=sAQA
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Noise D

Os dias 17 e 18 de dezembro de 2005 ficarão gravados na memória de todos aqueles que compareceram e vivenciaram o grande espetáculo que foi o Indie Hip-Hop 2005. Um verdadeiro show de organização, energia e positividade. Os cinco jurássicos do Hip-Hop – DJ Nu-Mark, Chali2na, Zaakir, Marc 7 e Akil – representaram, nos dois dias de apresentação, tudo o que se pode esperar de um grupo de Rap ligado a original cultura de rua chamada Hip-Hop.

Com absoluta certeza, este texto não conseguirá traduzir toda a experiência e emoção que sentimos, mas servirá como registro desta passagem. No repertório dos shows, o grupo Jurassic 5 passeou por todos seus discos – desde o seu primeiro, intitulado ‘Jurassic 5’ (1998), passando pelo clássico ‘Quality Control’ (1999) e chegando até o seu último trabalho, que ainda não foi lançado no Brasil.

Com extrema capacidade e muito cativantes, o Jurassic 5 deu uma aula de como os verdadeiros MCs/Rappers devem se portar quando no palco. Muito carisma, energia, gestual, movimentação e sorrisos de pura adrenalina – quase um êxtase se via não só no rosto dos componentes do grupo, mas principalmente do público. Muito mais do que um show, o Indie Hip-Hop 2005 foi uma demonstração de que ainda se faz excelente Rap no país do Tio Sam. Um Rap positivo, vibrante, com beats bem produzidos, sem aquela “mesmice eletrônica” de alguns rappers.

https://www.bocadaforte.com.br/agendabf
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O Jurassic 5 demonstrou, além de grande profissionalismo, grande senso de respeito e educação em todos os sentidos. Todos nós, sejamos fãs do grupo ou simplesmente do estilo musical, ficamos extremamente surpreendidos positivamente com a postura do grupo. Através das imagens coletadas pela equipe do Bocada Forte – que logo serão disponibilizadas no site – vocês poderão ter alguma noção do que se passou.

Gil

Colocar minha opinião junto com a de pessoas, que assim como eu são amantes do Hip-Hop Original, vai soar repetitivo, pois todos tivemos as mesmas impressões. Mas mesmo assim, não podia perder a oportunidade, o Indie Hip-Hop 2005, em particular o show do Jurassic 5, foi uma aula! Os rimadores ou rappers, que se consideram MCs, puderam ver ao vivo e a cores o que é ser um MC (Mestre de Cerimônias).

A troca de energia, ter o público nas mãos e ao mesmo tempo se entregar, comandar uma multidão, prender a atenção, os quatro MCs do Jurassic 5 orquestrados pelo DJ Numark, fizeram tudo isso. O DJ não parou um segundo, não fez como outros DJs, que esquecem para que servem os toca-discos em um show de Rap.

https://www.youtube.com/watch?v=ISjcJAeOyq8
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Definitivamente foi o melhor show do ano, acho que se o Guru (que esteve no Brasil na mesma semana) tivesse vindo ao Brasil com o grande DJ Premier, seu show talvez tivesse sido no mesmo nível. No primeiro dia de Indie Hip-Hop, só pude assistir ao show do Jurassic 5, mas os comentários sobre a apresentação do Contra Fluxo foram muito bons. No domingo Aori e DJ PG abriram o evento, para em seguida Parteum, Espião & Mzuri Sana mostrarem um show cheio de empolgação, assim como o Mamelo Sound System que contagiou a todos com muita positividade.

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Só tenho a lamentar uma coisa que é muito frequente nos grandes eventos de Rap por aqui, parece que aqui não existe Rap, pois todos os DJs tocam apenas Rap internacional. As únicas músicas brasileiras que tocaram, foram as do álbum do Contra Fluxo. Os gringos devem achar no mínimo estranho, todo mundo ouve o Rap do país deles, mas quando eles vão conversar com o pessoal daqui, poucos falam inglês… No mais… foi foda!

Cortecertu

Dia 17 de Dezembro. O amor… eu só registrei né…

E lá estava eu na sala de aula, um imenso vinil. Os professores pediam pra que todos fizessem barulho, e assim veio a música, a dança, o transe e a possessão. Isso mesmo, Hip-Hop.

Tive a sorte de chegar no começo do show da conexão Contrafluxo/Munhoz e presenciei uma das melhores apresentações de Rap nacional deste ano. DJs e MCs jogando no e pro mesmo time, algo difícil na batalha de egos do cenário. Fizeram jus ao nome do projeto e seguiram no sentido contrário as minhas ideias preconcebidas. A reação do público remetia ao começo de tudo, as batidas e as rimas emocionaram e se existiu emoção, houve comunicação. Missão cumprida. Fomos bem representados.

Em 2005, frases como: “só os verdadeiros”, “mantenha a raiz”, “Rap de verdade”, “Hip-Hop de verdade” foram loops pras bases de muita gente da cena/movimento, mas os que puderam ver o show do Jurassic 5 viram, vivenciaram e sentiram o real significado destas frases. Explicar o que rolou com detalhes técnicos não vai representar o que aconteceu no dia 17 de dezembro, seria frustrante, assim como a tentativa de matemáticos, químicos e físicos em criarem uma fórmula para definir o amor.

www.centralhh.com.br
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O lado bom: os nossos estavam lá, a periferia estava lá. Este fato dá legitimidade ao evento. Imaginem se o Jurassic 5 vem pro Brasil e só vê a playboyzada. Creio que aconteceria o seguinte: os integrantes do Jurassic 5 não conheceriam uma parte da nossa realidade, e os próprios playboys iriam se decepcionar e até questionar a real importância do grupo no Hip-Hop, afinal cadê a raiz que todos falam em manter? Somos partes ativas desta tal raiz.

O lado ruim: entendo que os DJs toquem só vinil, compreendo a dificuldade que grupos nacionais têm com o custo da fabricação do vinil, mas temos muitos artistas com trabalhos nas bolachas e ouvi pouco Rap nacional. Se não querem tocar CDs, poderiam fazer uma mix-tape (ta na moda né) com uns grupos nacionais e deixar rolando em algum dos intervalos. O evento foi bem organizado, isso é importante pra cena Rap brazuca, ano que vem tem mais. Espero ver outros grupos que estão no perfil do evento e que outras partes do Brasil sejam refletidas no palco do Sesc Santo André.

DJ Tamenpi

O Sesc de Santo André foi invadido pela nata do Rap brasileiro, com os grupos que mais se destacaram esse ano. Mas a atração mais esperada era o grupo americano Jurassic 5. Até o dia da confirmação desse show foi uma incógnita qual grupo viria para o Indie desse ano. Falaram de vários grupos e artistas, mas o confirmado foi o Jurassic 5. Pessoalmente, a noticia me deixou bastante satisfeito e por isso arrumei minhas malas e parti rumo a Sampa pra conferir essas apresentações.

Antes do show achava o grupo um dos mais importantes da cena atual do Rap mundial. Foi criado no inicio do anos 90, em Los Angeles. Os integrantes faziam parte de dois grupos diferentes (Rebels of Rhythm e Unity Committee) e depois de fazerem um som juntos, resolveram se juntar e formar o Jurassic 5. É um dos grupos de Rap mais completos que existe. Tem dois dos melhores DJs do mundo, Cut Chemist e Nu-Mark, além disso a alma do grupo são os quatro MCs, que são de qualidade imensa. Um desses MCs tem uma das vozes mais marcantes do Rap mundial, Chali 2Na. Seus três discos lançados são excelentes, um estilo muito próprio e criativo de se fazer Rap. Esses fatores já transformam Jurassic 5 num destaque. Faltava ver como os caras eram no palco, ao vivo. Visto. E agora? Como explicar?

Sinceramente, não tenho muitas palavras pra descrever o que foi visto nesses dois dias de shows deles. Tinha visto o De La Soul esse ano aqui no Rio de Janeiro e já tinha achado perfeito. Mas o Jurassic é completo, é perfeito demais. São quatro MCs no palco e todos rimam em todas as músicas, então seria muito difícil sair perfeito, mas é.

A sincronia dos caras é impressionante, é muito ensaiado. Outro fator que me deixou bobo foi a simpatia dos integrantes do grupo, muita positividade. Na segunda música, eles já tinham o público na palma da mão, todos sempre sorrindo, sem nenhuma marra, brincando com a plateia.

E com um show sem muita pausa, duas horas sem parar, tocando tudo, todos os clássicos e quase todas as músicas de seus três discos, além de sons do disco novo que sai agora no começo do ano. O DJ Nu-Mark é um dos melhores DJs de show que já vi, literalmente, o cara brinca. Pra completar, no fim do show os caras ficaram dando atenção para os fãs até o último ir embora.

O show valeu a pena demais pra cena Hip-Hop no Brasil, pro público que estava presente e acho que pra eles também, pois os caras estavam muito felizes de estar aqui. Fechou o ano com chave de ouro.

Ouça o áudio do show do dia 18/12/2005 (domingo)

Confira a galeria de fotos dos dois dias e não repare na qualidade, era o que a internet da época suportava. Ainda temos mais fotos desse dia, principalmente dos brasileiros, por enquanto essas foram as que conseguimos resgatar.

No YouTube tem diversos trechos do show, separamos esse feito pelo pessoal da 13 Produções

 

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