Hiran: “Não dava pra pegar leve depois de tanto tempo sem nem poder acertar as coisas”

#Rap #OrgulhoLGBT #RapBA | Ariano, com 23 anos, Hiran é MC de Alagoinhas (BA) e não brinca em serviço. Em março deste ano lançou seu álbum de estréia “Tem Mana no Rap” e cada vez mais tem alcançado espaços no cenário musical baiano, carioca e paulista.

Bem afrontoso, já chega na faixa-título do álbum mandando a real “eu não sou pauta pra tuas ofensa, tuas piada burra, tua demência” e avisa: “preto mete roupa de marca/ baiano pode mudar o Brasil/ as mina pode portar as barcas/ as mina no rap metendo barril/ Tem mana no rap: as portas foram abertas“.

Em entrevista exclusiva para o Bocad Forte falamos sobre a construção de seu álbum, sobre suas experiências enquanto MC negro e gay e sobre os próximos passos de suas carreira (incluindo uma parceria com a diva Ludmilla). Confiram:

*foto de capa por @nadjakouchi

Bocada Forte: Hiran, antes de tudo, gostaria de te pedir para contar um pouco da sua trajetória no rap até o atual momento. Em outros espaços você comentou da influência do Rico Dalasam como peça chave no início de sua carreira. Como foi isso?

Hiran: Eu canto desde os 9 anos e rimo desde que consigo me lembrar. No entanto, só consegui me destravar pra gravar minha primeira música rimando ano passado, que foi o “Choque de Bass“. Ver o Rico a primeira vez foi o primeiro passo pra acreditar que era possível. E até hoje continuo me impressionando mais e me sentindo mais inspirado por ele.

BF: Em grande parte das faixas de seu álbum “Tem Mana no Rap” você rima em cima de Beats que são Trap, mas tem uma melodia mais próxima do House. Particularmente me lembrou muito alguns sons do Zebra Katz e o Cakes da Killa. Você se espelha em manas gringas?

Hiran: Eu tenho inspirações que passeiam por estilos, suingues e nacionalidades diferentes; e o álbum é um fruto das diferentes influências minhas e do Tiago, que fez todos os instrumentais. Tem a nossa cara e tem um pouco de tudo que a gente escutou e admirou durante o periodo que a gente tava produzindo. 

 

BF: Em muitas músicas, principalmente em “Muda” você tem linhas bem ácidas contra os racistas e principalmente os homofóbicos. E essas linhas são ótimas por que é como se você desse o troco em nome de muitas LGBTI+ que são oprimidas mas tem receio de retrucar ou se posicionar sobre. De onde vem essa acidez?

Hiran: Esse álbum é meio que meu desabafo. Depois de passar tanto tempo sem ter coragem de falar, as músicas acabaram vindo bem incisivas, falando direto várias coisas que tavam presas em mim. Não dava pra pegar leve depois de levar tanto tempo sem nem poder acertar as coisas da forma certa. 

BF: No próprio título de seu álbum “Tem Mana no Rap” quanto em suas letras vemos você marcando o espaço dos LGBTs na cena – o que deveria ser óbvio mas infelizmente não é. Na sua visão, quais são as principais dificuldades enfrentadas por LGBTI+ no rap hoje?

Hiran: “O rap”, como o povo fala, é cheio de machismo e homofobia. Comentários homofóbicos são normais em batalhas, a gente não é chamado pra compor os festivais, a galera não acha que a gente merece o mesmo respeito que os homens héteros. Se tiver alguma dúvida, vai nos comentários das publicações do video da Cypher “Quebrada Queer” que saiu pelo Rap Box, só com as mana dando as ideias. A gente tem que furar essas bolhas e conseguir se sobressair. É uma tarefa difícil, mas a gente tem ganhado força.

BF: Tendo nascido em Alagoinhas (BA), a gente vê hoje você rodando trampos em SP e RJ também. Você enxerga diferenças na forma como LGBTI+ são tratadas em cada um desses Estados? Poderia comentar um pouco sobre isso?

Hiran: Preconceito tem em todo lugar. E hoje em dia as coisas estão mais escancaradas à medida que a gente vai ocupando mais os espaços. Não sei as estatísticas >reais< de cada lugar pra falar sobre as diferenças paupáveis, mas posso dizer que vi amor e (um inexplicável) ódio em todos esses lugares; e concluo que falta muito pra que xs LGBTI+ se sintam perfeitamente bem em serem, estarem e existirem nesses locais.

BF: Cada vez mais nós observamos as dificuldades vividas por LGBTI+ no Brasil e no mundo. Para você, enquanto LGBT negro, quais devem ser o(s) principal(is) foco(s) da movimento hoje?

Hiran: Tá bem difícil pensar em amor quando o ódio nos é apresentado o tempo todo e tão arduamente, mas eu acredito que fazer o amor ecoar sobre a luta deve sempre ser o foco.

@ludmilla @dudabeat VCS QUEREM HIT, @? #MelissaRider

Uma publicação compartilhada por HIRAN (@realhiran) em

BF: No seu Instagram temos vistos várias fotos suas com a Ludmilla! Poderia nos dar um spoiler do que vem por aí?

Hiran: Então, a Melissa e a Rider estão prestes a lançar algo inédito e a gente tá junto incluído nessa. A Ludmilla é um amor e trabalhar com ela foi super divertido. Posso te dizer que o que vem por aí envolve música, audiovisual, moda e uma dose de diversão.

BF: Quais mensagens você gostaria de deixar para os seus fãs e para as pessoas que acompanham seu trampo?

Hiran: Eu quero agradecer pelo carinho e por terem entedido/se interessado pelo meu trabalho. Todo dia eu me emociono pensando nas bençãos que eu tenho e no quão eu sou grato pela vida que eu to levando. Música é minha vida, eu não sei fazer mais nada direito e eu agradeço a vocês por me possibilitarem viver fazendo isso.

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