Ezio Rosa: nosso papel é provocar o diálogo

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Por: Erica Bastos

O educador EZIO ROSA é gay, negro e tem muito orgulho de ser quem é. Articulado e bonito, ele também faz parte do bloco afro Ilu Obá de Min. O educador mantém um Tumblr , o Bicha Nagô,  onde conta as dificuldades que enfrenta por ser homossexual, negro e periférico. “Sempre senti falta de textos que falassem sobre homossexualidade, e quando encontrava algum, não me sentia contemplado por conta do processo de elitização do movimento LGBT”, afirma.

Seu texto, “SER BICHA NO RAP”, fez a comunidade do hip hop voltar sua atenção para um tema que, até então, poucos ousavam tratar. No post, com muita naturalidade, Ezio contou como é ser gay e frequentar shows de rap. Ao BF, o blogueiro falou um pouco mais sobre ser bicha no hip hop.

Bocada Forte:  Qual foi seu principal motivo para escrever sobre homossexualidade em um blog?
Ezio Rosa: Sempre senti falta de textos que falassem sobre homossexualidade, e quando encontrava algum, não me sentia contemplado por conta do processo de elitização do movimento LGBT. Eu precisava de uma mídia que fortalecesse a minha autoestima enquanto homem negro e gay, e como encontrei pouquíssimas páginas que nos da visibilidade, decidi começar a escrever.

Bocada Forte: Você causou um certo alvoroço com o texto “Ser bicha no rap”, como foi a repercussão?
Ezio Rosa: O texto “Ser bicha no rap” foi postado sem pretensão alguma, mas em poucas horas o texto já tinha corridos os quatro cantos do Facebook. Fico muito feliz que o assunto tenha ganhado visibilidade. Algumas páginas conceituadas de rap postaram o texto, e eu acompanhei os comentários. Para a minha surpresa, muitas pessoas compactuam da mesma opinião que eu, pelo menos este foi o posicionamento via Facebook de uma grande maioria. É claro que contei também com os comentários completamente homofóbicos, e é com esses caras que precisamos intensificar o diálogo.

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Bocada Forte: Como são as coisas hoje após o texto?
Ezio Rosa: Após o texto, a página Bicha Nagô ganhou muitos seguidores e leitores assíduos, pessoas que sempre me escrevem dizendo sobre o quanto se identificam com os textos publicados. Fico felicíssimo com essa troca, pude estreitar relações com vários homens negros e gays que também sentem falta de uma mídia que fale por nós.

Bocada Forte: Aqui no Brasil poucas pessoas trouxeram a temática homossexual para o rap, nas letras se fala de preto, pobre, bandido, etc. Na sua opinião, a que se deve esse fato?
Ezio Rosa: Sexualidade ainda é tabu, as pessoas não conseguem se livrar de alguns dogmas. Infelizmente, os temas sexualidade e gênero não são discutidos assim como racismo ou machismo, portanto o nosso papel enquanto bichas nagô é provocar este diálogo através da apropriação dos espaços públicos.

Bocada Forte: O que poderia ser feito para combater o preconceito contra gays no Hip-hop?
Ezio Rosa: Educação é a resposta e o caminho. Eu, enquanto arte educador, não poderia ter outra resposta. A educação é fundamental para a quebra destes tabus. A educação é transformadora quando feita com amor e dedicação. Invista na educação e na formação de bons profissionais e então vamos conseguir resolver todos esses conflitos.

 

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