‘A fórmula criada lá no passado é seguida hoje por quem a criticava’, diz Editor do Rapevolusom

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Entre 2002 e 2015, o site Rapevolusom divulgou artistas do rap brasileiro e mostrou outros estilos do gênero que foram nascendo no hip hop internacional. Depois de um tempo fora do ar, Bruno Inácio, homem à frente do site, resolveu voltar a trabalhar com a mídia do hip hop e, em 2019, criou uma nova versão do Rapevolusom.

O BF conversou com líder do site. Entre outros assuntos, Bruno fala sobre a resistência da cena rap aos artistas que levaram o gênero para a grande mídia.

Para o editor do Rapevolusom, a fórmula utilizada no passado por Marcelo D2, Xis e Cabal é repetida hoje, gerando um lucro enorme para alguns artistas. Leia a íntegra da entrevista abaixo.

Bocada Forte: Quando o Rapevolusom foi fundado e qual sua linha editorial?
Bruno Inácio: Iniciamos as atividades do site 2002. Hoje estamos com uma linha editorial com notícias sobre o rap lusófono (Brasil, Angola e Portugal) e também sobre o rap norte-americano. O site aborda temas relacionados ao lifestyle, ao entretenimento e tecnologia, mas em menor escala.

BF: Por que decidiu voltar com o Rapevolusom?
Bruno Inácio: O Rapevolusom se manteve ativo de 2002 até 2015. Encerramos as atividades porque a maioria das pessoas que escreviam para o site estavam ocupadas com projetos pessoais incluindo faculdades e empregos. Em 2019, resolvi voltar com o site, pois muitas pessoas questionavam o retorno nas redes sociais, pois nossas redes sociais se mantiveram ativas, e eu sentia uma falta enorme de poder estar mostrando a minha opinião em alguns assuntos. Hoje tenho o auxílio da jornalista Natasha Garcia e, no projeto de podcast, a antiga equipe estará envolvida, incluindo o Charle (Lages – SC), o Ribah (Rio de Janeiro – RJ ) e o Marcus, que é de Minas Gerais, mas está radicado no Pará atualmente.

Bruno Inácio, responsável pelo site Rapevolusom

BF: Como analisa a mídia do rap atual?
Bruno Inácio: A mídia atual hoje é bem pulverizada. Temos vários sites fortes e outros menores, mas que se são importantes para a cena. O Brasil é um país continental, é bem difícil estar relatando tudo que acontece de norte a sul. Além dos sites, a mídia rap conta com outros canais muito bem utilizados, o YouTube é um exemplo disso.

BF: O site faz resgates históricos. Qual a importância dessa atitude?
Bruno Inácio: “Um povo sem memória é um povo sem história…” Você já deve ter lido isto várias vezes. No rap/hiphop não poderia ser diferente. Hoje muitos estão caminhando por ruas asfaltadas, mas estes mesmos caminhos eram bem complicados de transitar no passado. Devemos sim exaltar todos os integrantes do rap/hiphop que no passado lutaram para que a cultura se tornasse o que é hoje.

Artistas do graffiti, os DJs, artistas do Break e MCs, museus, galerias de artes e até mesmo no Teatro Municipal. Devemos ter respeito e admiração pelo que foi feito no passado.

BF: Quais artistas da primeira época do Rapevolusom previram como seria a cena hoje?
Bruno Inácio: Eu, há uns dez anos, fiz um rascunho nunca publicado de uma matéria que tinha como título “O Rap que odeia o Rap”. Há quase 20 anos, quando o Rapevolusom surgiu, alguns artistas aproveitaram o impulso que o rap estava tendo no Brasil. Tínhamos as mídias especializadas, revistas, programas na MTV e a oportunidade de mostrarmos o rap na TV aberta.

Estou falando do período de 1999 até 2006. O rappers Marcelo D2, Xis, Cabal, entre outros, levaram o rap para a grande mídia e isto criou uma certa ira em várias pessoas. Acredito que até por ingenuidade. O mais engraçado é que a fórmula criada lá no passado é seguida por quem a criticava. Hoje, em 2020, ela é repetida e gera um lucro enorme.

BF: Os blogs e sites de rap ainda tem alguma relevância nos dias atuais?
Bruno Inácio: Na minha opinião, os blogs e sites são a base das notícias. Hoje alguns portais fora do nicho estão noticiando sobre diversos artistas que chegaram ao mainstream, mas estes artistas são apenas a ponta do iceberg.

Nem todas as notícias desses mesmos artistas são publicadas. Também existem artistas que ainda buscam um lugar ao sol e necessitam de uma atenção que não é dada pela grande mídia. Hoje o público que acessa os sites e blogs especializados consome muita informação, são pessoas exigentes e têm um conhecimento enorme sobre tudo que está sendo noticiado sobre o artista. Eu mesmo já alterei uma matéria após um leitor atento me informar que faltava certo detalhe ou informação relevante.

Acho que os artistas que estão “surfando” neste hype do mainstream deveriam dar um pouco mais de atenção aos sites especializados e não só se preocuparem em estar na grande mídia, pois o público fiel está nesta base.

BF: Acredita que existe uma maneira de manter o site vivo e gerar renda com o Rapevolusom?
Bruno Inácio: Sim, existe! A primeira coisa é ser real no que está sendo noticiado. A veracidade dos fatos mostra credibilidade e gera acessos. Para marcas e empresas é interessante estar onde as pessoas estão. O público sempre estará consumindo independente da quantia em valores. A ideia é fechar parcerias rentáveis neste ano de 2020, estamos esperançosos em conseguir. Meu telefone está ligado 24 horas por dia e estamos abertos para negociações.

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