Memória BF | 35 anos do álbum que serviu de base para a carreira de KRS-One

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KRS-One é sem dúvida nenhuma um dos maiores MCs de todos os tempos e o álbum ‘Criminal Minded’ (03.03.1987), álbum de estreia do Boogie Down Productions (BDP), é a base que garantiu a construção sólida da sua carreira.

É muita coisa pra falar sobre esse álbum e a sua importância, são inúmeros aspectos – as letras, a produção, a capa, o contexto histórico, as tretas e um KRS que ainda não era “Teacha” (Professor).

Por conta da capa, título e o conteúdo de algumas letras, muitos dizem que o álbum é o precursor do “gangsta rap”. Se é ou não cada um que tire suas conclusões, mas uma coisa é fato: a influência dele em grupos como o NWA é evidente.

Em 1987 BDP era underground, representava a raiz do Hip Hop, era do extremo, da quebrada, era a voz do Bronx. As letras eram a realidade, algumas características do “teacha” já estavam ali, o orador, Mestre de Cerimônias, variação de flows, rimador nato. DJ Scott La Rock, responsável por boa parte da produção ao lado de KRS e Ced-Gee (The Ultramagnetic MCs), foi assassinado em agosto de 1987, menos de seis meses após o lançamento. Algumas publicações sobre o álbum dizem que Ced-Gee foi uma espécie de “produtor fantasma”, mas supondo que La Rock produziu grande parte das músicas, fico imaginando se ele ficasse vivo o quanto ele iria contribuir para a produção dos próximos álbuns.

Roneyoyo com o ‘Criminal Minded’ na versão Picture no lançamento do minidoc ‘Na Onda do Break’ – Foto por DJ Man.

Analisando os lançamentos dessa época são muitas inovações trazidas por eles, são produções simples, mas de uma combinação perfeita com a lírica e flows de KRS-One. É preciso ressaltar o uso de alguns samples que ainda não haviam sido utilizados no Rap (linhas de baixo e baterias clássicas), o ragga de KRS e o rock do AC/DC usado sem permissão. Não vejo as armas na capa como algo inovador e muito menos positivo, mas creio que foi o primeiro álbum de Rap a trazer na capa essa estética.

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Antes de falar da treta com MC Shan, Marley Marl e a Juice Crew, é preciso entender a treta que rolou com a gravadora. O lançamento oficial foi pela B-Boy Records, vendeu até que bem, mas a gravadora demorou com o repasse da grana e assim eles desfizeram o contrato. Assinaram em seguida com a Warner, mas por conta do assassinato de Scott La Rock e os prejuízos comerciais que isso poderia trazer, o contrato também não vingou – esse contrato inclusive rolou por indicação de Ice-T. Com novos integrantes a BDP Crew assinou com a Jive Records, por onde KRS lançou 8 álbuns, contando os gravados em carreira solo.

Foto Acervo BF

Nesse meio tempo ‘Criminal Minded’ se tornou um disco raro, ainda mais depois do fechamento da B-Boy Records. Em 2002 o álbum foi relançado na versão DeLuxe (‘The Best of B-Boy Records: Boogie Down Productions’), que é a que está aqui e a que você encontra nas plataformas, pela LandSpeed Records que comprou o catálogo da B-Boy. Originalmente foi lançado com 10 faixas, essa versão estendida tem 26 faixas. Em 2006 foi lançado na versão original pela mesma empresa, mas já com o nome de Traffic Entertainment Group. A partir daí foram lançadas diversas reedições, fita cassete, CD, vinil picture, caixa especial com todas as versões, compactos, etc.

Mas o que marcou mesmo foi a treta que acabou gerando dois dos três singles do álbum. A treta não foi apenas com a Juice Crew, mas também com Mr. Magic, que era o responsável pelo programa de rádio Rap Attack junto com Marley Marl. O BDP foi até ele levar uma fita com uma música pra tocar no programa, Magic não foi muito gentil e disse pra que fossem embora dali com aquele lixo. Agora some a isso um mal entendido ou quem sabe um pretexto pra treta. MC Shan e Marley Marl na faixa “The bridge” (ouça aqui), logo na introdução, dizem que vão contar uma história dizendo de onde eles vêm, que seria The Bridge ou Queens Bridge. KRS interpretou que eles estavam dizendo que o Hip Hop vinha de Queens Bridge, com isso ele criou em cima do mesmo flow a sua versão e chamou de “South Bronx”. Shan não pipocou e respondeu com “Kill that noise” (ouça aqui) e ai veio o golpe final dos manos do Bronx com “The bridge is over” – vale ressaltar que não é uma das melhores letras dele, na verdade longe disso, em alguns trechos ela é machista e homofóbica.

Se alguém tem dúvida da influência do BDP na costa oeste, confere ai

Por aí tem inúmeros vídeos de todos esses personagens falando sobre a treta, no documentário ‘Beef’ KRS fala que se Shan tivesse ignorado a provocação talvez ele nem existisse hoje como artista, conseguem imaginar o Hip Hop hoje sem KRS-One? Sem esquecer o garoto D-Nice, que era o beat boxer da Crew e hoje é o DJ com as lives mais bombadas nos canais de streaming. Obrigado MC Shan, Marley Marl e toda Juice Crew!

Ouça o álbum na versão DeLuxe

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