DJ Llobato lança ‘Palavras Preta Vol.01’ – “sem plataforma e sem contratos, nunca faltou o Rap pra quem é real de fato”

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DJ Llobato é um mano de inúmeros projetos e o mais importante é que todos eles são sempre direcionadas para a periferia.

Já falamos aqui no site sobre seus corres e o da sua companheira Amanda NegraSim, tem matérias bem completas principalmente sobre o Trançado Periférico e a Favelinha City. Llobato tem essas iniciativas há muito tempo e repito, o foco principal de tudo que ele faz é a periferia, sem preocupação de engajamento nas redes sociais, views e likes.

A preocupação é levar cultura, educação, entretenimento e a mensagem para quem realmente precisa ouvir – adolescentes, crianças e adultos periféricos. Temos no Acervo do BF postagens que ele mesmo fazia em nossa Agenda que datam de 2007 quando ele desenvolvia o Projeto Vídeo Vinil, que acabou até sendo lançado em CD e DVD, inclusive com participação do DJ Cortecertu.

Em 2004 ele participou de um projeto chamado ‘De Repente o Rap (Ao vivo)’, que para época era uma novidade para artistas novos, um CD gravado ao vivo com apoio da Secretaria Municipal de Cultura de SP através do VAI (Valorização de Iniciativas Culturais). Nesse disco saíram 6 faixas de 6 grupos diferentes, o dele era o Ato de Fé e a música era ‘Hip Hop fortalece’. Agora, em novembro de 2022, ele lançou seu primeiro álbum solo oficial com o título ‘Palavras Preta Vol. 01’. Boa parte das produções começaram em 2017 e foram feitas pelo Beat Prophano, a finalização para o lançamento foi toda feita pelo DJ Tony Di, parceiro de Llobato em todos seus projetos atuais.

‘Palavras Preta’ é um lançamento da Ndoto Cultural, tem 8 faixas com letras atuais e além de Tony Di a única participação é da Amanda NegraSim. Pra quem gosta do Rap original de quebrada, pode ouvir de ponta a ponta – infelizmente hoje em dia é preciso usar esse termo “Rap Original de Quebrada”, em outros tempos isso seria redundância, mas é tanto Rap de prédio e de condomínio ou Rap feito pra agradar outras classes, que é preciso separar de alguma forma o joio do trigo. Llobato é cria da Favelinha City, extremo sul de São Paulo, Vila Joaniza, região da Cidade Ademar, é rua, é quebrada, beco, favela e a sua música traz toda essa essência.

Assim que o álbum foi lançado ele iniciou uma série de apresentações em diversas bibliotecas e unidades do CEU (Centros Educacionais Unificados), como sempre a grande maioria nas quebradas de São Paulo, zonas leste, sul, norte e oeste. A faixa que abre o álbum é a “20 rimas”, apresentação que sintetiza em 20 rimas muito do que estou escrevendo aqui sobre ele. A faixa “Até o fim” foi o primeira a ser lançada oficialmente e ainda ganhou um remix feito pelo DJ Cortecertu (clique para baixar). Em “Corres becos avenidas” mais papo de rua e fidelidade às suas raízes, no refrão sample da música que ficou imortalizada na voz dos Originais do Samba.

Em “Nu balanço” tem a participação de Amanda NegraSim no refrão, como citado anteriormente foi o único feat. e essa é a faixa que fala de festa, do rolê com os aliados no samba ou nos bailes de quebrada. Na música “O jogo” ideia sobre os cuidados com as trairagens e armadilhas. “Preta na cor” é a romântica do álbum, agradecimento, homenagem a quem muitos manos se esquecem de valorizar. Eu curti o álbum todo, mas a faixa que ele escolheu pra fechar achei a melhor, ela se chama “Todo meu respeito”. Essa música também é de agradecimento e homenagem, mas não a uma pessoa e sim a Cultura Hip Hop, na letra várias referências a artistas, músicas, discos e templos como a Estação São Bento, em um trecho ele rima – “filosofia de rua, a consciência black me formou um produto da rua” – quem conhece e viveu tá ligado!

Llobato, Tony, Amanda são parte do melhor que a arte feita nas quebradas tem pra oferecer, são inúmeras as contribuições de cada um desses nomes. Seus trabalhos você não verá ou ouvirá nas “bolhas” virtuais criadas e manipuladas pelas plataformas bilionárias e seus robôs. Pode ser que você que está lendo nunca tenha ouvido falar de nenhum desses nomes, nesse caso reveja como e se está realmente consumindo a arte autêntica produzida da quebrada, pra quebrada, com a quebrada e pela quebrada.

Ouça o álbum

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