Batalhas | Conheça a Batalha do Cruzeiro, que acontece toda sexta na ZL de São Paulo

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Dante, campeão da Edição #143

Seguindo nossa missão de nos aproximar e dialogar com as diversas Batalhas de Rimas espalhadas pelo país, hoje você vai conhecer mais sobre a Batalha do Cruzeiro.

Ela acontece desde 2021 na zona leste de São Paulo, no bairro de Ermelino Matarazzo e já soma mais de 140 edições.

Para que a Batalha seja realizada toda sexta-feira à noite, a organização conta com: Theus (fundador), Beto (audiovisual), Kevin G (apresentação), China (DJ), Camix (arte), Michi (design), WR (produção) e Samu (produção).

Toda essa movimentação começou ainda em meio a pandemia. Muito diferente de outras Batalhas, o Cruzeiro tem total apoio da vizinhança, que até se sente mais segura com a movimentação na Praça em que o evento acontece. Com tolerância zero para qualquer tipo de discriminação ou preconceito, o evento já teve ocasiões de participantes serem banidos da Batalha.

A zona leste tem inúmeras Batalhas, com isso surgiu a União Artística Trincheira Leste (UATL), da qual o Cruzeiro faz parte e tem uma relação de troca com Batalhas como a da Cisper e do Corre, realizadas em bairros vizinhos. Abaixo você confere a entrevista com os responsáveis pela Batalha do Cruzeiro, algumas fotos e vídeos.

Colaboração entre: Jaime Diko Lopes e Gil BF
Todas as fotos usadas são do Insta da Batalha

Final da Edição #143 entre Dante e Naia

Bocada Forte: Quem são os criadores e responsáveis pela Batalha?
Batalha do Cruzeiro: Salve, somos a Batalha do Cruzeiro, na ativa desde 2021 e atualmente a nossa organização consiste em: Theus (fundador), Beto (audiovisual), Kevin G (apresentação), China (DJ), Camix (arte), Michi (design), WR (produção) e Samu (produção).

BF: Como começou a batalha e qual foi a motivação inicial?
BDC: A Batalha do Cruzeiro se iniciou logo após um período de quarentena do COVID e todas as batalhas da região haviam encerrado atividade e não tinham retornado, então o Cruzeiro veio como uma das novas batalhas reerguendo a cultura do underground da Zona Leste de São Paulo, principalmente de Ermelino Matarazzo.

BF: Qual a frequência da batalha dia, hora e local?
BDC: A Batalha do Cruzeiro ocorre semanalmente, toda sexta-feira, às 20h, na Praça Guanambi, em Ermelino Matarazzo – Zona Leste de SP.

BF: No local onde vocês fazem a Batalha, vocês enfrentam algum tipo de repressão ou reclamação da vizinhança?
BDC: Pelo contrário! Surpreendentemente a vizinhança apoiou nosso projeto desde o início, pois segundo eles a batalha gera movimento na rua e na praça até tarde da noite em uma região que antes era pouco movimentada, trazendo uma segurança maior para quem mora próximo, diminuindo assaltos.

Foto da Edição #137

BF: Quais são os principais desafios que a Batalha enfrenta na organização?
BDC: Atualmente estrutura e apoio da prefeitura, ainda não temos itens necessários para se montar uma estrutura adequada para conter o público e protegê-los em caso de chuva, assim como microfones, câmeras, iluminação, palco. Atualmente fazemos tudo de improviso, assim como os MCs na batalha.

BF: Como vocês selecionam os participantes?
BDC: Atualmente selecionamos o campeão da última edição, campeões de batalhas próximas como a Batalha da Cisper e Batalha do Corre, e deixamos algumas vagas para MCs que moram relativamente longe da batalha, para dar uma oportunidade. Não preenchemos as 16 vagas confirmadas e tentamos sempre deixar o maior número possível de sorteios, pois temos um público majoritariamente composto por MCs, que muitas vezes ficam sem rimar, com muitos sorteios eles têm mais chance, sendo que se não forem sorteados também podem ser confirmados para próximas edições.

BF: Quais critérios vocês utilizam para julgar as performances dos MCs durante as batalhas?
BDC: Os jurados geralmente são a própria plateia, que vota para quem rimou melhor no round, porém em algumas edições temos também a presença de 2 jurados para compor a votação juntamente da plateia como desempate.

Final da Edição #137 entre Mlyn e July

BF: Qual é o papel da improvisação nas batalhas e como vocês incentivam os participantes a desenvolverem suas habilidades nesse aspecto?
BDC: A improvisação na batalha é um princípio fundamental, tanto para os MCs na hora de rimar quanto para a organização na hora de montar a batalha e lidar com a plateia, chuva, etc. Em questão de incentivo por enquanto temos apenas premiação para o vencedor.

BF: Como vocês garantem um ambiente seguro e respeitoso durante as batalhas, especialmente considerando a natureza competitiva do evento?
BDC: Nós já deixamos bem claro que não toleramos nenhum tipo de preconceito ou discriminação na batalha, sujeito a punição de acordo com o caso. Já tivemos casos de MCs banidos do evento por má conduta. Quanto à competitividade, os MCs que frequentam já separam o profissional do particular e não se desentendem durante a batalha.

BF: Quais são os momentos mais memoráveis ou emocionantes que aconteceram durante a batalha de vocês?
BDC: Um dos momentos mais épicos foi sermos a primeira batalha de MCs a participar de uma Bienal do Livro, o último momento marcante foi a edição juvenil que fizemos só com menores de 15 anos.

BF: A Batalha de vocês tem algum envolvimento com os outros elementos da Cultura Hip-Hop?
BDC: Sim , por enquanto fechamos com ritmo e poesia quase todas edições dando oportunidades para pessoas se expressarem e em alguns eventos de rimas fechamos com Graffiti para estar mostrando a arte e algumas partes dos 4 elementos.

Primeiro vídeo publicado no canal da Batalha do Cruzeiro

BF: Qual a relação de vocês com as Batalhas em SP e até mesmo fora do estado?
BDC: A Batalha do Cruzeiro tem várias ligações com batalhas da Zona Leste de SP, temos uma união, a U.A.T.L. que junta as maiores batalhas da ZL para um campeonato anual entre as batalhas, sem contar nas vagas de confirmados que trocamos com algumas batalhas, como a Batalha da Cisper e a Batalha do Corre.

BF: Quais são os planos futuros de vocês?
BDC: Nós como parte do movimento Hip-Hop buscamos acima de tudo profissionalizar os artistas que compõem o nosso evento, que fazem tudo acontecer, tanto os MCs quanto a organização, o sonho de todos nós é de podermos viver da arte, por isso buscamos a visibilidade que merecemos e que todos possam viver da arte também. Pensamos em criar futuramente uma produtora musical para incentivar mais ainda os MCs a seguirem esse sonho e torná-lo realidade.

BF: Qual o diferencial da Batalha de vocês? Há alguma inovação ou mudança que vocês fazem?
BDC: Um dos diferenciais que mais focamos recentemente é a coleta de alimentos, ração, roupas entre outros para ONGs que realmente precisam de ajuda, também temos edições especiais e batalhas com vertentes diferentes para evolução dos MCs.

BF: Qual conselho vocês dariam para aqueles que desejam entrar no mundo das batalhas de MC, seja como participante ou organizador?
BDC: Para organizadores: tenham compromisso com a sua batalha, no começo pode ser difícil arrumar MCs, público, estrutura, mas tudo isso vem com o tempo e com compromisso com o evento. Para MCs: apenas comecem a rimar, a constância e treino nas batalhas é essencial para seu desenvolvimento como artista e vai te dar retornos rapidamente.

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