O graffiti de Sotaq

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Apesar de contar com quatro elementos (DJing, MCing, B-Boying e Graffiti ), a cultura hip hop ganhou grande destaque na mídia através da música rap. Muitas vezes, blogs e sites deixam de lado os outros elementos da cultura, que mantém a resistência e a raiz da cultura hip hop viva.

img_0842O município de Embu das Artes, na região metropolitana de São Paulo, conta com uma gama enorme de grafiteiros e grafiteiras que podem ser notados pelos muros da cidade, principalmente nas periferia do município. Ricardo Machado, conhecido como SOTAQ, é um deles.

Com 28 anos de idade, Sotaq nos conta um pouco sobre sua  trajetória, onde podemos verificar também da cena do graffiti atual. Confira!

Bocada Forte: Porque o vulgo ‘Sotaq’?
Sotaq: Esse vulgo surgiu da necessidade de uma identidade. No início, em 2005, eu assinava meu próprio nome e as vezes abreviava para RCD. porém, já tinha muita gente que fazia isso, então eu precisava de algum vulgo que me diferenciasse. Escolhi ‘Sotaq’, que é derivado de sotaque mesmo, de dicção, pois como tenho uma perda auditiva, a minha dicção acaba sofrendo interferência. Em todo lugar que eu vou, alguém pergunta “de onde é este sotaque?”, “você é brasileiro?”. Enfim, optei por sotaque, com o “Q” mudo, buscando originalidade na própria palavra.

Bocada Forte: Porque você escolheu o graffiti como forma de arte ? O que o motivou?
Sotaq: Na verdade não foi uma escolha. Eu sempre tive muito interesse por desenho e fui influenciado pelos raps que meu irmão escutava. Então acho que meu interesse por graffiti foi muito natural, pois acredito que se a pessoa gosta de desenho e hip hop, no mínimo ela vai ter a curiosidade de conhecer ou tentar fazer graffiti um dia. Uma das coisas que me motivaram, foram as passagens pelo centro da cidade e poder presenciar muitos graffitis ao vivo. Isso fazia com que eu voltasse pra casa com a mente a milhão e muita sede de fazer aquilo que meus olhos viram.

11899832_872527856135508_7952457182028118338_nBocada Forte: Qual a relação entre a arte e a questão comercial? Financeiramente você consegue sobreviver de sua arte?
Sotaq: Com certa frequência as pessoas que veem meus graffitis pelas ruas, acabam me contratando pra fazer algum trabalho comercial, usando a técnica do graffiti. Digo “usando a técnica do graffiti” pois, na minha visão, uma vez que é comercializado, deixa de ser graffiti… Essa é forma que eu penso. E ainda não consigo sobreviver só da minha arte, sendo obrigado ter um emprego formal.

Bocada Forte: Qual a maior dificuldade que o grafiteiro tem hoje em dia?
Sotaq: Bom, desde a época que comecei, em 2005, de lá pra cá muita coisa mudou. Com certeza algumas dificuldades que eu encontrei naquela época quem está começando hoje não irá encontrar. Mas uma coisa é fato, e que nunca muda: é o valor do material. Hoje temos marcas de spray fabricadas aqui no Brasil e o valor é quase o mesmo de uma marca gringa! Vejo muitas pessoas talentosas dando um breque por esse motivo.

Bocada Forte: O que você mais gosta de desenhar e porque?
Sotaq: Sem dúvida coisas relacionadas ao hip hop, principalmente coisas clássicas. Pois hoje, meu propósito no graffiti é fortalecer e manter o hip hop vivo, e nada melhor do que fazer isso exaltando as raízes.

Bocada Forte: Como o graffiti pode ser usado pra mudar a realidade social dos jovens na periferia?
Sotaq: Umas das maneiras que o graffiti pode ser usado para mudar a realidade social dos jovens, é sendo usado como uma ferramenta cultural que causa a reflexão, trazendo o conhecimento e auto estima.

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