Luz, voz e vibração, com Erykah Badu

Texto por Noise D | Fotos por Simone Handa e Marcelo Rossi | Última edição em 6 de setembro de 2019

Foto por Simone Handa

O Show

A cantora Erykah Badu iluminou a noite de São Paulo ontem, 29 de agosto [de 2010]. E o que brilhou não foi apenas seu talento, por meio de sua voz. Nascida na cidade de Dallas (EUA), em 26 de fevereiro de 1972, Erykah fez resplandecer no Credicard Hall toda a sua luz interior e sua energia positiva.

Foram praticamente duas horas de um show de várias “paisagens”. Com um grupo de seis músicos, três backing vocals de luxo e um DJ, o show de Erykah teve início com uma seção de discotecagem. Alguns clássicos da música Rap foram tocados, esquentando o ambiente para a chegada da diva. Quando finalmente a banda toda entrou no palco, o jazz deu o tom, numa vibração refinada e tranquilizante. Assim, cada músico realizou seu solo, apresentando-se para a audiência. Em seguida, Erykah Badu adentrou o palco, para euforia do público presente.

Erykah coordenava as ações dos músicos com maestria. Desde o início percebeu-se que a banda toda respondia aos sinais dela com perfeição, demonstrando grande sintonia. Do jazz para o soul, do soul para o funk. E, quando o beat começou a ficar mais pesado e animado, ela pediu que o público ficasse em pé. E assim foi até o final do show. No repertório, algumas músicas clássicas da artista, com pitadas de Michael Jackson, A Tribe Called Quest e Dr. Dre. Com o microfone ao centro, um notebook do seu lado direito e uma bateria eletrônica (ou MPC) do esquerdo, Erykah arriscou, e mandou muito bem, no electro funk, lembrando Afrika Bambaataa, e também mostrou seu lado b.girl. Aliás, além do conteúdo romântico de algumas de suas letras – onde aborda a complexidade dos relacionamentos interpessoais -, a artista mostrou grande afinidade com a dança de rua, que também aparece como tema em alguns trechos de suas composições.

Foram praticamente duas horas de show. O repertório musical pareceu perfeito, pois manteve o público sintonizado durante todo o tempo. Mas isso não é nenhuma novidade, se levarmos em conta a grande energia transmitida pela artista no palco, com sua voz encantadora e a simplicidade com que ela se apresenta. Pura luz.

Foto por Marcelo Rossi

Ao final, após agradecimentos ao público presente, ao Brasil e a São Paulo, Erykah encerrou o show. O público, não satisfeito, literalmente “bateu o pé”, pedindo que voltasse. Integrantes da banda nem saíram de suas posições, já sabendo que ela retornaria. Ela voltou, ainda mais emocionada, e cantou mais algumas canções. O público foi ao delírio e lançou presentes para Erykah: camiseta, colares, anéis, pulseiras… A cantora aceitou todos os presentes e, com delicadeza, agradeceu a cada um deles.

Por fim, deixou uma mensagem: disse para que fiquemos atentos às mudanças no mundo, que estamos passando por um momento de mudanças e de religação com o planeta. Agradeceu aos bons Espíritos, a todas as raças, a homens e mulheres e, de forma carinhosa, pediu que todos se dirigissem em segurança para suas casas. Estava terminado um dos shows mais memoráveis do ano.

Agradecimentos especiais do portal BF à equipe da Time For Fun (T4F), pela recepção e orientação no local do evento.

Um pouco de sua história*

Foto por Marcelo Rossi

Erykah Badu, ou Erica Wright, deu início a sua carreira artística aos quatro anos, atuando ao lado da mãe, a atriz Kollen Wright e, três anos depois, compôs a primeira canção no piano do avô.

O contato com as culturas hip-hop e r&b dos anos 1960 e 70, que hoje são as fortes influências da cantora, ocorreu na adolescência. Na hora de escolher uma faculdade, Erykah optou por teatro, na cidade de Louisiana.

Pouco tempo depois, estava de volta ao Texas para se dedicar à carreira de cantora. Mudou seu nome para Erykah Badu e começou a dar aulas de dança e teatro. O primeiro projeto musical foi com o primo Robert “Free” Bradford em 1993, com o grupo Erykah Free. A dupla tinha um repertório que enfocava o hip-hop e, logo, estava tocando pela cidade.

Uma demo com composições de Erykah foi parar nas mãos de Kedar Massenburg, que a convidou para abrir um show do músico D’Angelo. Kedar ficou impressionado com a performance da cantora e logo ofereceu um contrato solo com o selo Kedar Entertainment Label. Erykah precisou desfazer o grupo com o primo e seguir o seu caminho. O primeiro álbum Baduizm foi composto por ela própria e chegou às lojas em 1997, ocupando a segunda posição da Billboard naquele ano. A música “On & on” foi uma das responsáveis por este sucesso e esteve presente em várias paradas de r&b.

Foto por Simone Handa

A entrada de Erykah Badu no mercado fonográfico foi triunfal. A imagem da cantora com seus turbantes coloridos se espalhou pelo mundo. Ela foi capa de várias revistas, inclusive a Rolling Stone. Sua consagração aconteceu na entrega do Grammy em que ela levou, na categoria r&b, os prêmios de melhor álbum e melhor vocal feminino. A força das apresentações rendeu um disco ao vivo ainda em 1997, Live, com uma mistura de versões de Baduizm e covers em versões ao vivo.

Naquela época, Erykah Badu era constantemente comparada a Billie Holiday e Bessie Smith. Ela foi apontada como uma das responsáveis pela “reinvenção” da música soul. Os três anos seguintes foram mais calmos para a cantora, que preferiu dar prioridade ao filho recém-nascido. Durante este período, fez participações especiais em discos de outros músicos, como D´Angelo, Busta Rhymes e o rapper Guru. Com o grupo The Roots, ganhou até Grammy, em 1999, com a música “You got me”.

Em 2000, ela voltou às paradas com a música “Bag lady”, que entrou no disco Mama´s Gun, o segundo em estúdio. Nesta mesma época, Erykah estava nos cinemas, com o filme Regras da Vida, do diretor Lasse Hallstrom. Após mais um tempo longe dos holofotes, lançou em 2003 Worldwide Underground, desta vez pela gravadora Motown.

Algumas composições do disco já foram testadas nas apresentações da cantora e foram muito bem aceitas pelo público. Entre as participações estão Queen Latifah e Lenny Kravitz. Em 2004, grávida, Erykah não deu as caras nos palcos e também deu um tempo no trabalho. Mesmo assim, apareceu nos cinemas, realizando alguns trabalhos.

A partir de 2008 voltou a gravar, com o lançamento de New Amerykah Part One (4th World War). Dando sequência ao trabalho, lançou, em 2010, o disco New Amerykah Part Two (Return of the Ankh).

Discografia
Baduizm (1997)
Live (1997)
Mama´s Gun (2000)
Worldwide Underground (2003)
New Amerykah Part One (4th World War) (2008)
New Amerykah Part Two (Return of the Ankh) (2010)

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[+] Assista ao videoclipe de “Didn´t cha know”

*Fonte: Wikipedia

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