Lisa Castro, ‘O Sorriso de Manalisa’

Capa do disco solo de Lisa Castro, artista da Baixada Fluminense.
Capa do disco solo de Lisa Castro, artista da Baixada Fluminense.

Rapper e militante negra lança trabalho autoral e ensaia retorno aos palcos do hip hop

Ela entra na festa enquanto muitos conversam e dançam felizes. Poucas pessoas percebem. As mais atentas perguntam em silêncio: quem convidou essa mulher?

Lisa Castro sorri, pega o microfone, manda seu discurso, sua poesia. Palavra por palavra, conta sua história, rima nossa trajetória e nossa força. Seu sorriso incomoda o povo da festa, alguns já trombaram Lisa nos saraus, nos debates sobre gênero lá no Rio de Janeiro, sabem que ela não está no oba-oba. Quem convidou essa mulher?

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Lisa Castro não está só. Átomo, DJ Reinaldo Carvalho, Léo da XIII, o coletivo Enraizados. Todos, aos poucos vão invadindo o baile, não compartilham a indiferença que exala no ambiente “moderno”, não vieram pra estragar a festa, apenas marcam posição: isto aqui também é nosso.

É dessa forma que “O Sorriso De ManaLisa“, compilação de poesias e raps, quebra as regras da tal “evolucão” que prega a supremacia da leveza. Em seu trabalho solo, Lisa Castro, integrante do grupo U-Sal, representa a luta de mulheres negras e periféricas do país. Lisa segue alternando spoken word e rap em beats caóticos.

Transformaram o hip hop numa grande balada onde alguns discursos são barrados na porta, mas não podem controlar o que é feito nas quebradas, o que é criado longe dos olhos dos senhores capitalistas. Quem convidou essa mulher?

Ninguém, mas invasão está recomeçando. Lisa Castro não é a única…

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