‘Hip Rap Hop’, você conhece o grupo Região Abissal?

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Bafé, DJ Kri, Guzula, DJ Giba e Athalyba. Foto: Reprodução/Google

#MemóriaBF #RapBRASILEIRO
No final dos anos 1980 e início dos 1990, a produção do Rap brasileiro estava em seu início. Coletâneas como “Hip Hop Cultura de Rua” e “O Som das Ruas” já tocavam nos bailes black e parte dos jovens da periferia de São Paulo já conhecia os artistas dessas compilações.

Festivais de Rap foram organizados por equipes de baile como Zimbabwe (Zâmbia), Kaskatas, Black Mad, dentre outras produtoras que apostavam no estilo e também lançavam suas coletâneas. Na verdade, o Rap brasileiro esteve fortemente ligado ao trabalho das equipes, que possuíam selos e o capital para investir nas gravações dos artistas e na distribuição dos discos, além de também dominarem a parte de divulgação, pois algumas destas empresas tinham programações nas emissoras de rádio.

Com o passar do tempo, grupos que se destacaram nas coletâneas – e outros que não participaram dessas compilações – passaram a ter seus discos lançados. A dupla Thaide e DJ Hum, os grupos Região Abissal, Racionais MCs, Pepeu, Os Metralhas, DJ Raffa e os Magrellos, entre outros artistas, traziam seus “discos cheios”.

A capa do disco ‘Hip Rap Hop’, do Região Abissal. Foto: Reprodução/Google

Os primeiros independentes

Hoje, na #MemóriaBF, deixamos um documentário sobre o Região Abissal, grupo que trouxe uma proposta independente de produção e uma proposta temática diversificada. O disco “Hip Rap Hop” saiu pela gravadora Continental, em 1988, mas sua gravação envolveu várias discussões sobre padrões de qualidade sonora, pois os produtores da empresa não entendiam nada de Rap.

O grupo surgiu na região central da cidade de São Paulo. Para quem não é de São Paulo, é preciso deixar claro que o bairro da Bela Vista e o Bexiga representam a periferia no centro. É uma região com muitas características de bairros periféricos, a diferença é que está melhor localizado. A formação do grupo era Athalyba, DJ Gilberto, DJ Cri-Cri, Guzula, Bafé (M.C.B), Adilsinho e Marcelo Maita. No disco os nomes estão exatamente assim. A formação já era inovadora, com quatro MCs, 2 DJs e um tecladista e a inovação se refletia nas apresentações ao vivo.

A capa e contracapa traz todos os integrantes, com as roupas como não poderia deixar de ser, no estilo anos 80 e de acordo com informações no encarte as roupas e calçados foram cedidos por Alpargatas S/A e Surf Combatt. Nos agradecimentos, nomes do Rap como o lendário JR. Blaw e Thaide e DJ Hum são citados, bem como todas as equipes de baile e a “moçada da São Bento”.

São 10 faixas abordando uma grande diversidade de temas, a maioria delas muito descontraídas e divertidas, bem diferente da imagem que um ou dois anos depois a sociedade passou a ter sobre o Rap. Praticamente todas as letras, pelo menos no disco, tem o nome do Athalyba como compositor. Ele que foi autor de um dos raps mais inteligentes já gravados no Brasil, a música “Política“, do Athalyba e A Firma, que saiu no primeiro e único álbum deles, que leva o mesmo nome do grupo. .

No acervo do Bocada Forte, temos os dois discos lançados pelo grupo, eles são presença obrigatória para pesquisadores do Hip-Hop. Em outro momento falaremos sobre o segundo disco.

Faixas:
Lado A: 01 – Alô papai; 02 – Sistemão; 03 – Falso inglês; 04 – O amor inovou; 05 – Cruz de prata;
Lado B: 01 – Litoral; 02 – Falo gíria; 03 – Qui zica Zé; 04 – O gueto; 05 – Fulano

O filme tem depoimentos dos principais integrantes do grupo, além das participações de Eliane Dias (empresária do Racionais), Sharylaine, Thaide, KL Jay (Racionais), Nelson Triunfo e Ogi.

Assista ao doc Hip Rap Hop: Região Abissal – O Primeiro Disco De Um Grupo de Rap Nacional

Parte I:

Parte II:

 

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