Batalhas | Confira entrevista exclusiva e saiba mais sobre a Batalha do PSA

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Desde 2017 as noites de segunda-feira no Parque Santo Antônio, mais precisamente na praça em frente a Escola Estadual Arnaldo Laurindo, são de muitas rimas. Já faz pouco mais de 6 anos que a Batalha do PSA, que traz em sua sigla o nome do bairro da zona sul de São Paulo, ocupa esse espaço e abre a semana com Batalhas de Rimas das 19h às 22h. A Batalha do Parque Santo Antônio, juntamente com a Terça Fire, participou da Batalha da Mente no Festival Hip-Hop no Monte 2023 e o vencedor foi o Gato di Rua representando a PSA.

Criada pelo Mano Yo, atualmente a equipe que faz a Batalha acontecer é composta por DJ Rick, Fábia (produtora), WLC (apresentador), DJ Ita, D’oya (apresentadora), Kaio Quinto (audiovisual), Quebrada (produção) e Pailer (designer). Além do diferencial de ter criado o “cartão amarelo para o preconceito”, que dá pontos negativos aos rimadores e rimadoras que fazem rimas preconceituosas, eles também convidam artistas para pockets shows, dão livros em premiações e realizam a ação ‘Graffiti Contra o Lixo’, para fazer a limpeza da praça e pintar os muros.

Abaixo você confere mais sobre a Batalha do PSA, que toda segunda vai constar!

Colaboração entre: Jaime Diko Lopes e Gil BF
Todas as fotos usadas são de Kaio Quinto

Foto de Kaio Quinto – www.instagram.com/kaio_quinto92

Bocada Forte: Se apresentem e informem quem são os criadores e responsáveis pela Batalha?
PSA: Somos a Batalha do PSA, o criador da batalha do foi o Mano Yo. Hoje ele não está e os responsáveis pela batalha são: DJ Rick, Fábia (produtora), WLC (apresentador), DJ Ita, D’oya (apresentadora), Kaio Quinto (audiovisual) , Quebrada (produção) e Pailer (designer).

B.F: Como começou a batalha e qual foi a motivação inicial?
PSA: Em 2017, com intenção de promover a Cultura Hip-Hop e expandir dando voz aos artistas locais.

BF: Qual a frequência da batalha dia, hora e local?
PSA: Toda segunda-feira das 19h às 22h, na Praça em frente ao colégio Arnaldo Laurindo – Rua Altino Alves de Abreu, 110.

Confira a Batalha da Mente dentro do Hip-Hop no Monte 2023

BF: No local onde vocês fazem a Batalha, vocês enfrentam algum tipo de repressão ou reclamação da vizinhança?
PSA: Em um momento passado sim, tivemos repressão policial que chegavam através de denúncias sobre horário, no qual não havia motivo. Já resolvemos, era preconceito e desinformação sobre o projeto.

BF: Quais são os principais desafios que a Batalha enfrenta na organização?
PSA: Motivação e persistência, porque é puxado fazer um projeto semanal. Exige tempo e disponibilidade, captação de recursos, a estrutura que precisamos para acolher o público em climas diversos em uma praça aberta.

BF: Como vocês selecionam os participantes?
PSA: Com identificação com o projeto e comprometimento com o movimento. As vezes entram pela necessidade do coletivo e outros já foram convidados para entrar.

BF: Quais critérios vocês utilizam para julgar as performances dos MCs durante as batalhas?
PSA: O julgamento é dado pelo público se for 2×0. Caso vá para o terceiro round, julga o público valendo um ponto e mais dois jurados escolhidos na plateia para desempatar.

Foto de Kaio Quinto – www.instagram.com/kaio_quinto92

BF: Qual é o papel da improvisação nas batalhas e como vocês incentivam os participantes a desenvolverem suas habilidades nesse aspecto?
PSA: A improvisação é a grande chave no game e para desenvolver só treinando muito. A batalha hoje dá oportunidade para 16 MCs semanalmente ter espaço de treinar e mostrar o que está aprendendo. Acredito que tendo as batalhas de tema (conhecimento) impulsiona os MCs para estarem mais atualizados, elaborando as rimas através dos temas escolhidos e o incentivo a leitura, dando livros e quadrinhos na premiação.

BF: Como vocês garantem um ambiente seguro e respeitoso durante as batalhas, especialmente considerando a natureza competitiva do evento?
PSA: Nosso bordão inicial já é um adendo para o MC que frequenta e para quem está chegando agora. A Batalha do PSA é contra racismo, xenofobia, gordofobia, machismo e etc… Se houver essas falas nas rimas é alertado na primeira e na segunda vez perde e fica com ponto negativo no ranking. Fora isso acreditamos que todo evento de Hip-Hop tem que haver conduta, posicionamento e respeito. Já teve caso de ter que expulsar um MC por má conduta e falta de respeito com o oponente. Batalha tem que ter espírito esportivo, terminou, aperto de mão, um abraço e máximo respeito!

Foto de Kaio Quinto – www.instagram.com/kaio_quinto92

BF: Quais são os momentos mais memoráveis ou emocionantes que aconteceram durante a batalha de vocês?
PSA: Nossa 6 anos, são várias segundas se perguntar para cada um vão ser muitas histórias. Mas tem show embaixo de tempestade. Tem criança amassando marmanjo nas rimas, artistas referências como a Cris SNJ no palco. O clima da praça após um mutirão de limpeza e Graffiti e ver a molecada rimando tendo acesso a cultura.

BF: A Batalha de vocês tem algum envolvimento com os outros elementos da Cultura Hip-Hop?
PSA: A Batalha do PSA vem trazendo o Hip-Hop através dos DJs Rick e Ita, com MCs e no Graffiti também através de mutirões e limpeza como o ‘GRAFFITI CONTRA O LIXO’, onde pintamos as paredes da praça, pista de skate e palco em algumas edições. A BDPSA sempre está em união com grafiteiros, grafiteiras e pixadores da região, onde vários deles fortalecem fazendo as folhinhas da batalha e fortalecendo com suas artes na premiação.

BF: Qual a relação de vocês com as Batalhas em SP e até mesmo fora do estado?
PSA: Nós somos uma batalha underground e o contato que temos é de MCs de fora do nosso circuito estar sempre colando para rimar conosco. Mas temos planos para colocar a BDPSA no mapa das batalhas e potencializar o trabalho árduo já feito.

BF: Quais são os planos futuros de vocês?
PSA: Abrir um instituto na quebrada, ter visibilidade, porque esse crédito devolvemos para a quebrada visibilizando as pessoas talentosas que nela moram. Abrir e expandir outras plataformas como Cine PSA e Debate PSA e o Slam PSA, e claro viver da arte.

Foto de Kaio Quinto – www.instagram.com/kaio_quinto92

BF: Qual o diferencial da Batalha de vocês? Há alguma inovação ou mudança que vocês fazem?
PSA: A inovação acreditamos que vem através desses mecanismos anti-preconceito, a mudança no ambiente que é para a quebrada, trazer pocket shows, mic aberto dando mais voz para quem escreve, mas ainda não tem coragem de batalhar. Lidando com outras linguagens artísticas e fazendo o ambiente ser mais acolhedor possível e familiar também, por que, não?!

BF: Qual conselho vocês dariam para aqueles que desejam entrar no mundo das batalhas de MC, seja como participante ou organizador?
PSA: Saiba que organizar uma batalha é muito mais que organizar uma batalha. Tenham seus fundamentos e ideologia no Hip-Hop! Que trabalhar por amor é bom, mas não paga as contas e se envolva em projetos de captação para estrutura. As pessoas estão a procura de algo bom e o Hip-Hop sempre devolve. Você vai perceber que muitos ao seu redor não estão bem e que as batalhas são ferramentas que muitos usam para sair da ansiedade e depressão.

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