Encontro Nacional de Grafiteiras, em Porto Alegre

Matéria retirada do nosso acervo, 25 de fevereiro de 2005
Por Giordana Moreira (Rio de Janeiro)

Este encontro, já marcado como histórico na Cultura do Grafitti e do Hip-Hop brasileiro surgiu do contato virtual de grafiteiras em busca do resgate de sua própria história. Como Marcela do Rio de Janeiro, a Primadonna, Ana Clara de São Paulo, a Só Calçinha e Fernanda de Porto Alegre, a Nada Frágil. Logo uma lista se formou e grafiteiras de todo o Brasil apareceram com seus traços e idéias para este encontro.

Foi no dia 29 de janeiro, dentro das atividades do Fórum Nacional de Hip-Hop, com a presença de cerca de vinte grafiteiras e aberto à participação masculina, que foi em torno de dez meninos. Tikas Crew (Porto Alegre), Grupo TPM de Grafitti (Rio de Janeiro), Rosas Urbanas (Recife) e Só Calcinha (São Paulo) foram algumas das crews presentes, além de grafiteiras do interior de São Paulo, do Paraná e de outras localidaddes. O painel, que rolou dentro do Trocando Idéia – MHHOB Mundi, aglomerou as meninas e também os meninos no bairro da Restinga, durante a quinta edição do Fórum Social Mundial, em Porto Alegre.

O evento foi um importante passo para a evolução da cultura do Grafitti com participação feminina. O Grupo TPM de Grafitti conta que se expandiu no Rio de Janeiro à partir de um encontro realizado no ano passado com 13 meninas, elaborando um painel temático. A partir disso o grupo firmou sua presença e aumentou a crew, que tem hoje cinco grafiteiras, daí a importância da integração das mesmas. Fatores como o resgate da história do Grafitti e das referências femininas, foram destacados como prioridades para a contribuição do processo de inserção destas em um universo predominantemente masculino, e outros como a cultura machista a que todos nós somos submetidos que acarreta dificuldades para qualquer mulher, em qualquer meio.

A crew Só Calcinha, que existe á seis anos, já elaborou mostras mistas e contou com 11 garotas, hoje Ana Clara é quem continua os trabalhos nos muros e na discussão: “É importante este contato com o muro e a tinta, com as outras garotas, conhecer o estilo, não só a pintura, mas a história de vida de cada uma, que processos a levaram ao Grafitti. Já pela nossa educação não é fácil entrar em algo coletivo, até porque sempre foram os meninos que estiveram à frente, é difícil ter voz e propor coisas. Espero que a gente crie um coletivo que possa sensibilizar e não bater de frente com eles.” Uma das questões observadas foi a temática que muitas grafiteiras escolhem, as bonecas, que gera uma polêmica: “Mas os garotos sempre fizeram bonecos e isso nunca foi problema.” A ideia foi consenso, até porque o Grafitti feito pelas mulheres nas ruas vem com um compromisso comum: retratar a figura da mulher, daí a importância desta temática.

O Encontro Nacional de Grafiteiras também revelou focos de Grafitti e organização coletiva em diversos lugares do Brasil, como Elaine, do Rosas Urbanas de Recife. Com um zine e um DVD na mão a grafiteira revelou uma visão extensa de sociedade: “Foi simples, lá em Recife existem muitas grafiteiras que não puderam vir, mas vai ser multiplicador, para que a gente possa ampliar para as mulheres, para os homens e enriquecer o Grafitti, o Hip-Hop, os movimentos sociais e a cultura humana com uma maior participação feminina, que a gente pensa que é pequena mas é muito grande.”

A partir deste Encontro uma rede de grafiteiras se criou e se ampliará para dar incentivo á participação das garotas através de sua arte. Por todas as questões culturais, pela vontade de se expressar e com a mão na lata elas estão prontas para formar uma grande rede de incentivo à participação feminina no grafite, na arte e na sociedade.

Mais informações contatos com
primadonna@graffiti.net / supercaracol@hotmail.com

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