Batalhas | Conheça a Terça Fire, que acontece em Taboão da Serra desde 2012

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Nós começamos a compartilhar em março de 2024 um formulário para mapear as Batalhas de Rima e Rodas Culturais por todo Brasil. Nossa intenção principal é dar visibilidade e mostrar o quanto essas atividades são importantes para a juventude em seus territórios. Não é novidade para ninguém que as Batalhas são um fenômeno e é através delas que muitos jovens tem se aproximado da Cultura Hip-Hop e é nelas também que a juventude tem encontrado a oportunidade de se divertir, interagir, fazer amigos e alguns até tem conseguido, à partir do sucesso nas Batalhas, seguir uma carreira artística. Para iniciar os resultados desse mapeamento e dessa aproximação, começamos com uma Batalha da Grande São Paulo, que inclusive já participou de um dos nossos eventos, o Hip-Hop no Monte 2023.

Criada em agosto de 2012 na cidade de Taboão da Serra, região metropolitana de São Paulo, a Terça Fire está ente as Batalhas de freestyle mais tradicionais da cidade. O nome é um trocadilho com o dia da semana em que o evento acontece, sempre às 19h na praça Nicola Vivilechio, centro de Taboão. Motivados pela falta de eventos desse tipo, um grupo de amigos resolver ocupar a praça e realizar a Batalha. Os idealizados atualmente não fazem parte da organização, hoje quem cuida da Terça Fire são: Velho Beto, Mana Biu, Dek Qlp, DJ Fl!ck e Redd Allfavela.

Vemos constantemente muitas Batalhas pelo Brasil reclamarem da repressão por parte das forças de segurança, a Terça Fire também já sofreu com isso e até teve que mudar de lugar algumas vezes, mas após a pandemia não tiveram mais problemas. Os governos e prefeituras tem muita dificuldade em reconhecer e/ou identificar as qualidades desses eventos, inclusive entre as dificuldades da TSP, como também é conhecida, está a falta de apoio do poder público. Abaixo vocês vão saber mais sobre uma batalha que já até participou de uma Bienal do Livro, confira a entrevista!

Imagem de arquivo da própria Batalha

Colaboração entre: Jaime Diko Lopes e Gil BF

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Bocada Forte: Se apresentem e informem quem são os criadores e responsáveis pela Batalha?
Terça Fire: Salve Bocada Forte, somos a Terça Fire, Batalha de Taboão da Serra, na ativa desde agosto de 2012. Os idealizadores já não estão mais atuando na organização, atualmente a organização conta com Velho Beto, Mana Biu, Dek Qlp, DJ Fl!ck e Redd Allfavela.

BF: Como começou a batalha e qual foi a motivação inicial?
TF: Inicialmente começou entre amigos e conhecidos, aos poucos foi ganhando notoriedade até mesmo pelo fato de não ter movimentos como esse em atividade na região naquela época, sendo essa a principal motivação pra ser criada uma batalha de MCs na praça central da cidade.

BF: Qual a frequência da batalha dia, hora e local?
TF: Semanalmente, todas as terças feiras a partir das 19h na praça Nicola Vivilechio, Taboão da Serra.

BF: No local ou nos locais onde vocês fazem a Batalha, vocês enfrentam algum tipo de repressão ou reclamação da vizinhança?
TF: Nos últimos 2 anos, pós pandemia, não! Mas já sofremos bastante com a GCM, a batalha mudou de local diversas vezes por conta desses problemas. Hoje retornando à praça central da cidade, onde os arredores tem mais comércios que casas, não tivemos mais reclamações.

BF: Quais são os principais desafios que a Batalha enfrenta na organização?
TF: Falta de apoio e incentivo dos órgãos públicos, a falta de verba pra batalha acontecer, até mesmo pro básico como água, transporte dos organizadores e dos equipamentos, trata-se de um movimento independente e sem fins lucrativos.

BF: Como vocês selecionam os participantes?
TF: MCs confirmados pelo ranking, onde eles pontuam semanalmente de acordo com o desempenho na batalha, MCs convidados e vagas por sorteio.

BF: Quais critérios vocês utilizam para julgar as performances dos MCs durante as batalhas?
TF: A melhor rima é julgada pela plateia através dos gritos, em algumas edições são julgados por 2 jurados capacitados junto com a plateia.

Terça Fire x PSA – Batalha da Mente no Hip-Hop no Monte

BF: Qual é o papel da improvisação nas batalhas e como vocês incentivam os participantes a desenvolverem suas habilidades nesse aspecto?
TF: A improvisação é o principal numa batalha, tanto nas rimas quanto na questão de estar na rua e ter que literalmente improvisar pra lidar com diversos contra tempos como repressão, chuva e pra manter os equipamentos funcionando, e a organização motivada a trabalhar sem remuneração. O incentivo principal é o amor pelo Hip-Hop, a vontade de superação de cada um e o sonho de viver da arte.

BF: Como vocês garantem um ambiente seguro e respeitoso durante as batalhas, especialmente considerando a natureza competitiva do evento?
TF: Os MCs e a plateia já são bem instruídos em saber diferenciar a batalha de rima como algo profissional de algum tipo de ataque pessoal, a gente preza pelo respeito e o bom senso acima de tudo, e os MCs se cumprimentam antes e depois de cada round, isso já é uma tradição pra deixar nítido que é só uma batalha.

BF: Quais são os momentos mais memoráveis ou emocionantes que aconteceram durante a batalha de vocês?
TF: Um dos momentos mais épicos foi sermos a primeira batalha de MCs a participar de uma Bienal do Livro, o último momento marcante foi a edição juvenil que fizemos só com menores de 15 anos.

BF: A Batalha de vocês tem algum envolvimento com os outros elementos da Cultura Hip-Hop
TF: Sim, com todos, semanalmente e mais difícil, mas nos aniversários prezamos por ter apresentações dos 4 elementos.

BF: Qual a relação de vocês com as Batalhas em SP e até mesmo fora do estado?
TF: Temos algumas parcerias com batalhas de São Paulo em questão de troca de vagas, MCs que se destacam aqui garantem vaga em algumas batalhas de fora, trazemos MCs de fora pra nossa batalha, e a cada 3 meses o campeão do ranking viaja pro Rio de Janeiro pra rimar na batalha do Coliseu.

BF: Quais são os planos futuros de vocês?
TF: Estamos em busca de patrocínio pra gerar mais condições pra executar a batalha, assim buscando sempre mais visibilidade e poder profissionalizar nossos artistas, o principal plano pro futuro é tornar a Terça Fire muito mais que uma batalha de MCs e sim uma produtora completa.

BF: Qual o diferencial da Batalha de vocês? Há alguma inovação ou mudança que vcs fazem?
TF: Um grande diferencial é o incentivo aos MCs a criarem suas músicas, nós temos o projeto das cyphers da Terça Fire, pocket show nas edições da batalha, e algumas edições especiais sempre inovando nos formatos da batalha, e no último mês fizemos uma edição com instrumentais com banda, bateria, baixo e guitarra pros MCs mandarem suas rimas.

BF: Qual conselho vocês dariam para aqueles que desejam entrar no mundo das batalhas de MC, seja como participante ou organizador?
TF: Dedicação, objetivo e foco, entender que mesmo que na maioria das vezes não tenha remuneração, ainda sim é um trabalho, exige comprometimento e profissionalismo, principalmente a consciência de que organizar uma batalha de MCs é lidar com sonhos de pessoas.

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