Memória BF | Álbum ‘6 Feet Deep’, do Gravediggaz, completa 25 anos

Montagem com a capa e o encarte – Foto: Acervo BF

O álbum “6 Feet Deep” , do grupo Gravediggaz, foi lançado em 9 de agosto de 1994, pela gravadora britânica Gee Street Records, com um total de 16 faixas.

O disco foi criado com o título “Niggamortis”, mas como eles acharam que não seria um nome bem recebido nos Estados Unidos, preferiram alterar. Na Europa o título inicial foi mantido e ainda saiu com 17 faixas, a faixa bônus era “Pass the shovel”. Uma música que entrou nessa versão do disco por vontade da gravadora e o grupo aceitou, ela era uma demo que eles não iram usar no álbum e realmente é uma música que não faz falta nenhuma no disco.

O Gravediggaz não era um grupo de novatos. Eram MCs, DJ e produtores experientes que se juntaram para criar um dos grupos mais inusitados da história do Rap mundial. Por muitos o estilo deles é classificado como “horrorcore” ou “hardcore rap” (no mesmo estilo e da mesma época, ainda tinha o Flatlinerz). Mas esse título dado ao estilo deles é muito mais por esse primeiro disco, nos próximos trabalhos eles não ficaram apenas em assuntos e temas, vamos dizer assim, macabros. O título desse álbum, se formos traduzir fazendo uma adaptação coerente, seria algo como “7 Palmos Abaixo da Terra”, um sentido figurado que usamos para dizer que alguém está morto.

Montagem com a contracapa e encarte – Foto: Acervo BF

O grupo trazia em sua formação dois integrantes do Stetsasonic, Prince Paul e Frukwan, RZA (Wu-Tang Clan) e também Too Poetic. Esse último faleceu em 15 de julho de 2001. Esses são os quatro integrantes da formação original. O grupo viria a ter outros integrantes e alguns que pontualmente sempre participavam, a maioria deles ligados ao Wu-Tang. Cada um desses 4 integrantes criaram novos apelidos quando formaram o Gravediggaz, que eram: The Undertaker (Prince Paul), The Gatekeeper (Frukwan), The Grym Reaper (Poetic) e The RZArector (RZA).

Esse disco é muito bom, sem dúvida um dos maiores clássicos do Rap. São poucos os discos da Golden Era que conseguiram reunir dois produtores, que naquele momento, estavam entre os melhores, RZA e Prince Paul. Esse disco também lançou alguns MCs que ficaram conhecidos como afiliados do Wu-Tang – Killah Priest, Shabazz The Disciple e Dreddy Kruger. Não é um disco valorizado pelas letras, é muito mais valorizado pelas produções e a habilidade vocal dos MCs, o Poetic é único no flow, quem for ouvir disco, presta atenção nas partes que ele rima.

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Desse álbum foram lançados apenas três singles: “Diary of a Madman” part. Shabbaz e Killah Priest (06/1994). Essa foi a única a conseguir ficar entre as 100 mais da Billboard. “Nowhere to Run, Nowhere to Hide” (09/1994), esqueça as paradas de sucesso, pro Rap essa é o maior clássico e o maior sucesso do grupo, quer conferir o flow do Poetic/Grym Reaper, presta atenção no segundo verso, memoriza a voz dele e atenção nas partes dele em todas as outras faixas. O último single foi “1-800 Suicide” (01/1995), a que teve menos sucesso nas paradas, mas no Rap ficou conhecida, eu gosto, o refrão é uma colagem da participação do KRS One na música “Moshitup” do Just-Ice. Ela também entrou pra trilha sonora do filme de terror ‘Demon Knight’, o único Rap na trilha, as outras músicas eram heavy metal, hardcore, trash, tinha Megadeth, Rollins Band, Sepultura, Ministry, Pantera, etc.

Assista ao vídeo de “Nowhere to Run, Nowhere to Hide”

Ainda tem as músicas que mesmo não tendo sido lançadas como single tiveram destaque, é o caso da “Bang your head”, que por aqui tocou em muita festa de Rap e principalmente nas festas da U.B.C (União Bate Cabeça). Outras acabaram sendo importantes por apresentar os afiliados que citei antes, na música “Graveyard chamber” por exemplo participam novamente Shabazz e Killah Priest junto com Dreddy Kruger. Ainda tem no álbum algumas participações meio de quebradinha, só vocais adicionais, que você só vai perceber prestando muita atenção ou lendo o encarte do disco, são elas: Biz Markie e MC Serch em “Defective trip (Trippin)” e o Masta Ace na faixa “Deathtrap”. Tem algumas outras participações vocais e de instrumentistas também, como o guitarrista Vernom Reid do Living Colour e o rapper Kurious.

Assista ao vídeo de “1-800 Suicide”

Eu particularmente gosto do disco por completo, é um dos clássicos que escuto direto, não apenas esse, mas outros discos deles também, que acho ainda melhores (The Pick, the Sickle and the Shovel – 1997  e Nightmare in A-Minor – 2002). Pra finalizar, o disco tem um interlúdio chamado “360 Questions”, uma brincadeira de estúdio com a Tommy Boy, pois todos eles em algum momento tiveram contrato com essa gravadora e acabaram sendo descartados, com exceção de Prince Paul que saiu por conta própria e seguiu muito bem seu caminho.

Abaixo você confere o álbum na íntegra e ainda o vídeo de “Diary of a madman”

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