1989: “B.boy sendo preso porque tava dançando e MC que foi morto no vagão do Metrô”

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#MemóriaBF
Lançada no ano passado, a música “Hip-Hop Puro” (uma homenagem ao B-Boy Banks), do veterano Thaide, traça um panorama de como era a vida de quem estava no movimento, já na década 1980. Fazendo um paralelo com os dias atuais, o rapper fala da perda da essência e a desvalorização da história do Hip-Hop.

No início da cultura de rua em São Paulo, a incompreensão, o racismo e o preconceito com um novo modo de vida que estava crescendo no centro e nas periferias foram o estopim para detonar a perseguição dos jovens do Hip-Hop. Um trecho de “Hip-Hop Puro” chama a atenção pela violência que retrata: “B.boy sendo preso porque tava dançando e MC que foi morto no vagão do Metrô”

Em 1989, no dia 23 de novembro, MC Rap B, do grupo Rap Magic, foi assassinado com um tiro na testa. O disparo foi feito por um policial. Como já foi dito, a cultura Hip-Hop estava em formação, o rap não tinha a visibilidade que tem hoje, mas já era visto como algo que incomodava, como uma ameaça.

Na época, segundo a reportagem da Folha de S.Paulo, o rapper carregava uma pasta que continha algumas letras de músicas, uma delas registrava: “bandidos, assassinos e pessoas de bem, mas quando chega a polícia não sobra ninguém. Depois os homens matam e dizem que foi bala perdida.”

O grupo Doctors MCs, na música “Desabafo”, também protestou contra a violência policial: “Nada ele fez para o guarda lhe matar. Só estava cantando em um vagão do Metrô, que se transformou no vagão do horror.”

O comandante do Policiamento Metropolitano era Ubiratan Guimarães, conhecido pela invasão e massacre do Carandiru em 1992, fato registrado no rap “Diário de um detento”, dos Racionais.

Histórias como essas não podem ser esquecidas. Vidas, mortes, lutas de homens e mulheres pelo direito de reunião, diversão, emancipação negra e periférica estão na origem do rap e do Hip-Hop.

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