O Som É | ‘O 5º vigia’, de Ndee Naldinho, agitou a cena rap em 2000

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No ano 2000, uma música do rapper Ndee Naldinho – que continua em atividade surpreendeu a cena rap brasileira e conquistou enorme popularidade entre os jovens e invadiu rádios, bailes e shows pelo país. O nome da faixa é “O 5º vigia”, clássico que faz parte do álbum Preto do Gueto.

Com influência do gangsta rap, que foi assumida de maneira mais forte por Naldinho a partir de Apocalipse (1999), sexto disco do rapper, “O 5º vigia” conta a história de um assalto a banco.

Ndee Naldinho na Revista Planeta Hip Hop. (Foto: Reprodução/2000)

“Quando eu estava convivendo com o crime, lá em Diadema, estava afastado do rap e colava com uns manos que roubavam mesmo.Os manos saíram de manhã e de repente, durante a tarde, um mano chegou apavorado. Houve um desacerto no banco, troca de tiro, onde o vigia e um mano que participava do assalto morreram”, contou Naldinho em entrevista concedida à revista Rap Brasil, no ano 2000.

Atualmente, “O 5º vigia” não tem sua letra tão questionada, mas no ano de seu lançamento, muitos críticos de dentro e de fora da cena rap disseram que a música de Ndee Naldinho incentivava a violência.

Inspirado na vivência de seus manos, o rapper começou a compor, mas Naldinho mudou algumas coisas na letra da música.

“Não foi na [avenida] Guilherme Cotching, foi no ABC Paulista, em um dos municípios. Não foi no Banco do Brasil, foi em outro banco. Os manos me contaram toda a história e passou um tempo. Deixei diadema e fiz a música contando o que se passou naquela fita, onde nosso mano morreu. Foi um fato verídico e a inspiração foi o cotidiano do povo de Diadema, com quem convivi”, disse o artista aos jornalistas da Rap Brasil.

À época, na revista Planeta Hip Hop, Ndee Naldinho também falou sobre o assunto:

[…] O refrão diz: ‘Ladrão não pode vacilar ‘. Quando você fala ladrão, você não está chamando os outros de ladrão, é a nossa forma de nos referirmos aos manos. Eu quero dizer que o povo da periferia não pode vacilar […] No final da música, eu morri. Então ninguém pode dizer que eu estou incentivando o crime”, concluiu o rapper.

Ouça o disco “Preto do Gueto”:

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