Quantos 2Pacs estão espalhados pelo 3º Mundo rimando e lutando sem serem ouvidos?

Texto publicado originalmente em 2016

0
94

#Opinião
Por DJ Cortecertu*

De acordo com a mídia internacional, o rap de Tupac Shakur surgiu em um momento propício, o hip hop tinha acabado de entrar no mainstream e as gravadoras, numa época que ainda estavam estruturadas economicamente, investiram pesadamente em artistas do rap. Estes fatos acabaram levando aos quatro cantos do planeta a mensagem do mais famoso artista da cena hip hop.

Tupac tem em suas letras a dor e o ódio de quem sobreviveu nos guetos repletos de violência e racismo, algo que centenas de rappers também sentem e cantam, mas a maneira como Shakur constrói seus questionamentos, além de indignação, traz esperança. É na dramatização que Tupac convence, cativa. Sua realidade é a de muitos pelo mundo.

Montagem de imagens com 2Pac. Fotos: Reprodução/Google

Cola o poster do Tupac aí. Que tal, o que cê diz?”, Mano Brown, um dos mais importantes rappers do Brasil, provoca na letra de “Negro Drama”. É isso mesmo, a luta para superar o negro drama de lá é semelhante ao cotidiano dos jovens da periferia daqui.

Há mais de 20 anos de sua morte, Tupac continua sendo ídolo por conseguir passar essa sensação de pertencimento que mescla frustração, radicalismo e mobilização. Sentir o negro drama também é querer vencer.

Siga o BF no Twitter – @bocadaforte

Apesar de toda desigualdade nos guetos, as condições econômicas do gigante Tio Sam, a grana (formal e informal) que girou nos selos independentes e a força da indústria fonográfica proporcionaram a ascensão de Shakur. A pergunta que fica: Quantos 2Pacs estão espalhados pelo 3º Mundo rimando e lutando sem serem ouvidos?

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.