‘Soul in the Hole’ – A trilha sonora dos sonhos lançada em 1997

Capa do documentário

Soul in the Hole é um filme/documentário dirigido por Danielle Gardner e foi lançado a exatos 22 anos, em 8 de agosto de 1997. O filme fala sobre o técnico de basquete Kenny Jones, do bairro do Brooklyn, e mostra a sua relação com os jogadores, em particular o problemático Ed ‘Booger’ Smith e as dificuldades da vida no gueto. Seria como documentar o dia-a-dia de qualquer time de futebol de várzea nas periferias brasileiras. Mas esse texto é para aproveitar e falar sobre a trilha sonora. Ela foi lançada em 29 de julho. Por aqui o maior destaque foi a música que tem o mesmo título do filme. Ela virou um hino e símbolo do basquete de rua. A faixa é tão poderosa, que ofuscou a existência de outras e até mesmo o fato de que existia um documentário de mesmo nome. E olha que os nomes selecionados pra essa trilha sonora são pesados: Common, Mobb Deep, Cocoa Brovaz (Smif-n-Wessun), Dead Prez, Big Pun, M.O.P. Tá bom ou quer mais?

E tem mais: Xzibit, Organized Konfusion, Wu-Tang Clan, O.C e Brand Nubian. Só pra ficar nos mais conhecidos. Ainda tinha Sauce Money, que participou da música “Show N’ Prove”, com Big Daddy Kane, uma das cyphers mais loucas do Rap (confira aqui). Também participaram a dupla do Queens Darcmind, que depois dessa coletânea nunca mais ouvi falar, e por último o The Dwellas, que teve a sua importância na Golden Era.

A faixa de maior destaque trazia um time de “afiliados” do Wu-Tang que foram chamados na trilha de Wu All-Stars, eram eles: Dreddy Kruger, Tekitha, Killa Sin, Shyheim e Timbo King.

Não posso falar por outras cidades, mas duvido que seja diferente do que acontece em São Paulo. Quando essa música toca não tem pista que não pegue fogo. Se você faz parte dos que conhecem apenas a “Soul in the hole”, dá uma atenção para as outras 14 faixas e baixe, salve, adicione na playlist. A prova das músicas serem muito boas, é que a maioria dos artistas acabaram incluindo as suas faixas em seus discos futuros.

Assista ao vídeo de “Soul in the hole”

A música do Wu-Tang os fãs já conhecem. Ela era a última faixa da compilação “Legend of the Wu Tang”. DJ Premier produziu “Against the grain”, do Sauce Money. Boombap pesadão e uma das poucas produções do Preemo que não tem scratchs. Falar que a “Ride”, do M.O.P, é pesada, é pleonasmo. Big Pun a mesma coisa. Rimou na faixa “You ain’t a killer”, base na pegada gangsta g-funk produzida por Younglord, que com 18 ou 19 anos já fazia parte do time de produtores da Bad Boy. A música acabou entrando no disco de estreia de Pun, “Capital Punishment” (1998).

Enquanto Pun, que é da Costa Leste, rimou na pegada gangsta da Costa Oeste, Xzibit que é da costa oeste fez o contrário. Mesmo a faixa sendo intitulada “Los Angeles times”. A música entrou em seu segundo álbum “40 dayz & 40 nightz” (1998).

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The Dwellas (Cella Dwellas) chegou pesadão com a “Main aim”. Outra que acabou indo parar na coletânea, “The set-up”, da Loud Records, lançada em 1997, junto com a faixa do Big Pun.

Algumas músicas ficaram apenas nesse disco mesmo, como a “Rare Species (Modus Operandi)” do Mobb Deep, a “High Expectations”, do Common produzida pelo No I.D. Lord Jamar, Sadat X e Grand Puba, que formam o Brand Nubian participaram com “A Child Is Born”. Steele e Tek, do Smif-n-Wessun, participaram com o Cocoa Brovaz na música “Won on won”, que acabou saindo também no segundo disco deles, o “The Rude Awakening”, lançado em março de 1998 e o único que fizeram com esse nome alternativo (entenda a mudança do nome).

Assista ao vídeo de “Won on won”, do Cococa Brovaz

O Darc Mind não é tão conhecido, mas a faixa é muito boa. A dupla Kev Roc e X-Ray tem um estilo diferenciado e muito autêntico, participaram com a música “Visions of Blur”, que entrou no primeiro disco, lançado só em 2006 com o título “Symptomatic of a Greater Ill”.

Mais uma dupla do Queens que entrou na trilha foram Prince Po e Pharoahe Monch, do Organized Konfusion, com a música “Late night action”.

A última faixa da trilha é “Your life”, de O.C. Um membro da D.I.TC. não pode decepcionar e ele representou muito bem a sua banca.

Conclusão: ouça de ponta a ponta!

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