O Som É | ‘Filhos Do Brasil’, a primeira ‘cypher’ do Rap carioca

“O Som É” – Nessa seção queremos resgatar músicas que foram importantes para a história do Rap. A relevância das músicas pode ser em relação a alguma inovação, polêmica, sucesso, enfim, que tenha uma importância histórica.

Para ver as imagens em tamanho maior, é só clicar nelas.


Tiro Inicial – Capa – Imagem Acervo Pessoal

Em 1993, foi lançada uma coletânea muito importante para o Rap do Rio de Janeiro. O título dado a compilação é “Tiro Inicial”. Todos os grupos que participaram desse disco faziam parte da Posse ATCON (Atitude Consciente).

Os primeiros 4 anos da década de 90 foram um anúncio do grande boom do Rap no Brasil, que iria ecoar até os anos 2000. Enquanto em SP o Rap era “liderado” pelo Racionais, no RJ Gabriel O Pensador chamava a atenção e puxava o bonde. Gabriel também fazia parte da Posse e participou do disco, exatamente na faixa escolhida por mim.

Encarte – Imagem Acervo Pessoal

A música fala sobre a violência contra as crianças e foi um protesto, uma reação a chacina da Candelária, que aconteceu em julho de 1993.

A música também tem vídeo e todos os grupos da coletânea participam dela. Se fosse lançada hoje, seria chamada de “cypher”, a primeira com os destaques do Rap carioca naquele momento, a única ausência sentida foi do Ryo Radikal Repz. Uma pena, pois com a postura e qualidade que tinham, teriam dado uma enorme contribuição para a música.

A maneira que eles montaram a música foi com cada grupo chamando o outro, como se estivessem passando o microfone.

Gabriel O Pensador faz a abertura, convida o Consciência Urbana (Big Richard e DJ Leandro), que devolve para o Pensador, que chama as Damas do Rap (Edd Wheeller, Patrícia Dias e Raquel Rosa), que chama o N.A.T (Negros Acima de Tudo, Reverendo, Buiu da 12 e Alexandre) e aí vem um intervalo só com a batida. A música continua com Poesia Sobre Ruínas (R1 e R2) e Filhos do Gueto (Gas. Pa e Caê MC), eles passam a parte final da música para o Geração Futuro (M.V Bill, Michel M.V e DJ T.R).

Encarte – Imagem Acervo Pessoal

Repare nos nomes, a maioria deles, de alguma forma, continuam ligados à Cultura Hip-Hop, todos eles foram revelados para o país nesse disco.

Vale ressaltar também a importância das coletâneas, foi através delas que a esmagadora maioria dos grandes nomes do Rap conseguiram visibilidade.

Não vale aqui falar sobre qualidade de produção, de mixagem, masterização ou gravação. Já li alguns comentários por ai falando muito mal da qualidade, mas é preciso entender a realidade da época. Se for comparar com outros trabalhos lançados na mesma década, ele fica no mesmo nível ou até melhor do que alguns. Em outro momento falaremos sobre todas as músicas desse disco.

A parte triste é ver que a música continua atual. De lá pra cá, pouca coisa melhorou em relação à violência contra os jovens da periferia ou em relação aos menores abandonados.

Porque essa música está aqui:
Faz parte da primeira coletânea do Rap carioca;

Foi importante por revelar nomes essenciais para a cena nacional;
A letra trata de um tema relevante;
Traz a participação de um dos poucos grupos de Rap Feminino da época no Rio de Janeiro, talvez um dos primeiros.

Assista ao vídeo:

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