Memória BF | Resistência que vem do Maranhão, Clãnordestino e ‘A Peste Negra’

Publicado originalmente em 28 de fevereiro de 2003

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Bandeira do Maranhão, capa, fotos do encarte e contracapa

Em 28 de fevereiro de 2003 publicamos a resenha do disco “A Peste Negra“, do grupo maranhense Clãnordestino.

O disco é um dos mais politizados já feitos no Rap brasileiro. Talvez seja até o mais politizado dos últimos 15 anos, se levarmos em consideração os discos lançados até 2018.

Durante as últimas eleições perdi a conta de quantas vezes peguei esse CD pra ouvir novamente. O que eles cantam em todas as músicas, infelizmente, continua atual. O discurso de resistência é a marca dessa obra.

No Bocada Forte nunca nos importamos com o CEP ou DDD de quem quer que seja, o nosso espaço sempre esteve, está e estará aberto para todos. Basta entrar em contato, enviar o seu material e no momento certo, em alguma de nossas seções e canais de divulgação, o seu trabalho será exposto. Algumas imagens usadas aqui são de CDs de alguns artistas do nordeste que nos enviaram material para divulgação.

Montagem com CDs do Nordeste – Acervo BF

Obrigado e viva o povo do Nordeste!

“Dos pretos, pelos pretos, para os pretos, com os pretos, todo ódio a burguesia.
Dos pobres, pelos pobres, para os pobres, com os pobres, orgulho de ser da periferia”

Confira a resenha abaixo. Mantivemos o texto da maneira que foi publicado.


Artista: Clãnordestino
Título: “A Peste Negra”

Negro Lamar (tine), Preto Ghóez, Nando e Lílian e DJ Juarez esse é o Clã. Do Maranhão para São Paulo, Rap politizado e consciente. Desde o lançamento do último disco do GOG (“C.P.I da Favela”) não ouvia algo parecido, o Clã tem a mesma pegada, a diferença é que o mano de Brasília é mais poético, mas a contundência e o discurso tem a mesma energia. Dos lançamentos desse ano acho que é o 1º a vir com colagem do último disco do Racionais, na faixa “Fita cantada” tem colagem de “Negro Drama”, é uma vinheta de 30 segundos com berimbau e scratchs dos DJs Edy (Anjo dos Becos) e Grelo.

O disco tem 15 faixas de puro protesto, sobra pro governo, pra burguesia, ALCA, FMI, Bush e todos que estiverem contra o povo pobre. Entre as fotos do disco destaco a de vários revolucionários, entre eles: Che Guevara, Carlos Marighella, Sub-comandante Marcos, Lampião e Mumia Abu Jamal.

As participações ficam por conta de: Funk Buya (Záfrica Brasil), na faixa “Clãnordestinamenteafro”; Sócrates e Marcelo Carvalho, na faixa “Leva pra mente”; Célia Sampaio, na faixa “Todo ódio” e “Regando as flores”; Gaspar (Záfrica Brasil), Zeca Baleiro e DJ Edy, na faixa “Coração feito de África”; Chagas (Bumba boi da maioba), Gérson da Conceição (manu bantú) e DJ Edy, na faixa “Toada”; Aice Man (Conceito Moral), na faixa “Eu sou + eu”; DJ Grelo, na faixa “Ocupar, resistir e produzir”; Lipinho, Juninho e Alemão, na faixa “Na lokomotiva da figa”; Lakers (Código Fatal), na faixa “Quantas histórias pra contar” e Rappin Hood, na faixa “Desacato”.

As outras faixas do disco são: “Introduclã”, “Manifesto” e “Ases de periferia”. Destaque para as faixas “Coração feito de África”, “Toada”, “Ocupar, resistir e produzir”, “Leva pra mente”, “Eu sou + eu” e “Regando as flores”.

O Clãnordestino garantiu um ótimo começo de ano para o Rap, o disco é muito bom.

Essa matéria contou com patrocínio da Loja Central Girls

Ouça o disco

1 COMENTÁRIO

  1. Massa demais cara,conheci o grupo desde o início quando rolava o som no circo da cidade,grandes eventos .pena que acabou mais se tivesse rolando ainda,seria uns dos melhores grupos de rap da cena nacional.
    Um grande abraço a todos!

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