Primeira casa de Hip-Hop do Brasil completa 20 Anos

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Graffiti feito pelo Tota

Hoje a Casa do Hip-Hop de Diadema (Centro Cultural Canhema), a primeira do Brasil, completa 20 anos. Ela foi inaugurada no dia 31 de julho de 1999, no bairro Canhema, na Cidade de Diadema, grande São Paulo (ABCD paulista).

Nunca vou esquecer o nome da rua, 24 de maio. O mesmo endereço da famosa Galeria do Rock no centro de São Paulo, que também podemos dizer que era a Galeria do Rap.

A casa do Hip-Hop foi fundamental na formação de jovens talentos, através de oficinas de Graffiti, Breaking, MC, DJ e tudo isso valorizando o conhecimento. King Nino Brown, representante da Zulu Nation, é um símbolo da Casa e por 13 anos foi responsável pelo acervo. Juntamente com a sua Equipe e a Zulu Nation Brasil, eles conseguiram transformar o local em um verdadeiro “templo do Hip-Hop”. A energia ali era diferente, muita positividade, clima de paz, totalmente família, era a essência da Cultura Hip-Hop na teoria e na prática, poderia até chamar de “Lar do Hip-Hop”.

Slim Rimografia, ao fundo DJ Davi Frias – foto acervo BF

Hoje vemos tantas batalhas de MCs espalhadas pelo Brasil e ali na Casa do Hip-Hop de Diadema foi onde muitos MCs se especializaram em batalhas e foram revelados. A Casa tinha até um “time” de MCs que acabou sendo formado. Eles recebiam seus desafiantes e também iam a outros eventos. O BF mesmo promoveu alguns. O time mais conhecido era formado por G Box, J.L A Lenda e Slim Rimografia. Não existiam tantos MCs de batalha e os adversários mais enfrentados por eles eram Max B.O, Kamau e Paulo Napoli da A.B.R (Academia Brasileira de Rimas).

Ali era como se fosse a casa de Crews, como a Back Spin, Grafiteiros como Tota e Chorão e também muitos DJs como Dri, Dandan, Davi Frias e Tano. Este último grande campeão do Hip-Hop DJ e cria das oficinas de DJ da Casa. São muitos os nomes para serem citados: Nelson Triunfo, Nina Brown e as Soul Sisters, B.boy Casper, Dipper no beat box, etc. O time da Casa do Hip-Hop era completo e um dos mais fortes, tendo todos os elementos da Cultura Hip-Hop muito bem representados.

King Nino Brown, Simara (Soul Sisters) e B.boy Banks – Foto Acervo BF

Quando algum artista internacional vinha ao Brasil, a Casa era parada obrigatória. A visita já era colocada na agenda da produção. Alguns outros nomes precisam ser lembrados e pra isso recorri a quem melhor conhece a história da Casa e o responsável por lembrar dessa data, King Nino Brown. Ele cita como fundamentais para a casa: Rosana, Mônica, Laudia, Nando e Sr. Danilo.

Atualmente, devido as mudanças na gestão da cidade, a Casa não vem recebendo recursos para ser mantida da mesma forma. Isso é muito triste, pois os frutos e os resultados obtidos com o trabalho que era desenvolvido ali são uma realidade. Basta olhar alguns nomes citados e ver onde eles chegaram. A Casa do Hip-Hop foi uma escola, que serviu de modelo e inspiração para diversas outras Casas de Hip-Hop espalhadas pelo país.

Tem muito mais pra ser dito e em outro momento voltaremos ao assunto, abordando os problemas atuais da Casa. Em nosso Acervo encontrei alguns conteúdos que foram publicados sobre a Casa aqui no Bocada Forte. Inclusive, todas as fotos publicadas aqui são da festa de 5 anos, que aconteceu em 31 de julho de 2004 e o BF como sempre estava lá pra registrar. Confira abaixo algumas notícias que publicamos sobre a Casa do Hip-Hop.

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Bocada – Forte ::: Reportagem
Casa do Hip Hop Diadema
Por Ana Carolina
Data: 20/03/2001

Quem mora no ABCD e curte o movimento Hip Hop, tem lugar certo para ir. O Centro Cultural Canhema, mais conhecido como Casa do Hip Hop é onde você pode encontrar a união verdadeira dos quatro elementos, representados por grandes nomes como Nelson Triunfo (Nelsão), Nino Brown (Zulunation), Thaíde (dupla Thaíde e DJ Hum), Marcelinho e Banks (Back Spin Crew), DJ Dri e os grafiteiros Tota e Chorão (Sádicos).
O espaço faz parte de um projeto criado pela Prefeitura da cidade que mantém nove centros culturais espalhados por diversos bairros, pagando os oficineiros e não cobrando nada de quem quer participar dos cursos.

A Casa do Hip Hop funciona às terças, quintas e sábados das 9:00h às 17:00h e no último sábado de cada mês realiza o Hip Hop em Ação, um evento que sempre traz um tema onde ocorrem debates, shows, apresentações de danças, vídeos , exposições e muito mais.
Se você tem interesse em participar das oficinas culturais da Casa do Hip Hop, basta ligar ou ir até lá e conferir de perto tudo o que o Hip Hop tem a oferecer a você sem cobrar nada por isso.

– Centro Cultural Canhema
CASA DO HIP HOP
Rua 24 de maio, 38 – Canhema – Diadema
Tel. 4057-7973


Bocada – Forte ::: Reportagem
Diadema fecha Centros Culturais
Data: 22/06/2001
Por: Ana Carolina

É uma pena que o povo brasileiro tenha o péssimo costume de votar naqueles políticos que na verdade parecem arquitetos, pois suas maravilhosas obras são facilmente vistas a longa distância e a periferia que é primeira a ser lembrada em épocas eleitoras torna-se a última beneficiada após a eleição. Um projeto mantido pela prefeitura e elogiado por todos que o conheciam, ocorria na cidade de Diadema, no ABCD paulista.

Uma cidade que criou e manteve 10 centros culturais, trabalhando com os jovens da região através da música, dança, artes cênicas e agora acaba de colocar todo este trabalho por água abaixo, admitindo uma contenção de despesas que afetou até mesmo a área de saúde, por que acabaram com o programa dos médicos de família, que visitavam as pessoas nas próprias casas.

O Centro Cultural Canhema, mais conhecido como Casa do Hip Hop, foi um dos afetados com esta decisão da prefeitura. Suas atividades foram suspensas por diversos motivos, dentre eles o vencimento do contrato dos oficineiros ( que terão que prestar novas provas após a prefeitura liberar o edital de contratação, pois a recontratação não é garantida ) e a necessidade de redução de 12% dos salários.

Mas acredito que todos nós esperamos que esse absurdo acabe logo e possamos novamente nos encontrar todas as terças, quintas e sábados para promovermos a Cultura Hip Hop e mantermos viva e unida a nossa corrente.

Agora, se você não teve o prazer de conhecer a Casa do Hip Hop, saiba que no dia 30/06 ela estará aberta para o lançamento do vídeo dos b.boys da BackSpin Crew….Espero que todos compareçam para provar aos políticos que o Hip Hop é movimento forte e de uma juventude que sabe o seu verdadeiro significado.


Bocada – Forte ::: Notícias
Casa do Hip Hop Volta a Ativa
Data: 12/02/2002
Por: Gilberto Yoshinaga

Aviso aos navegantes… Trago aqui um importante recado do meu irmão-de-sintonia [Zulu King Nino Brown], primeiro brasileiro a afiliar-se à Zulu Nation e maior autoridade da organização mundial no Brasil. Figura das mais respeitadas no Hip-Hop brasileiro, Nino Brown me pediu para avisar a todos sobre a Casa do Hip-Hop de Diadema (Canhema): a casa esteve em reformas, mas está mais ativa do que nunca!!! Não acreditem nos boatos de que ela morreu!!!

Interessados em participar das oficinas, que acontecem às terças-feiras, quintas e sábados, podem adquirir maiores [informações pelo telefone (11) 4075-3792].
Entre outros oficineiros, constam os nomes de:
– Nelson Triunfo e Nina Brown (soul).
– Breno, Cásper e Marcelinho (break).
– DJ Dri (discotecagem).
– Tota e Chorão (grafite).

E Nino Brown também continua desempenhando seu trabalho junto à Casa do Hip-Hop. O mano é uma espécie de historiador (ou como ele se define, o Arqueólogo do Hip-Hop nacional), e trabalha na compilação e divulgação de estudos sobre a Cultura Negra, além de conceder palestras e organizar exposições, entre outras atividades. (É, Hip-Hop não é só barulho e cara feia… é uma busca incessante pela boa [INFORMAÇÃO]!!!)

Outro recado de Nino Brown vai para os manos e minas de [São José do Rio Preto (SP)] e região: [dia 31 de Março inaugura uma Casa do Hip-Hop] nessa cidade, graças à correria feita pelos integrantes do Supersonic B-Boys.

Por fim, Nino Brown deixa um alerta ao pessoal de [Londrina (PR)]: em breve, a cidade também ganhará sua própria Casa do Hip-Hop, numa demonstração de que a boa Cultura de Rua já lançou a sementeira por todo o país, e só falta colhermos os frutos… (Em nome da família Bocada-Forte, esperamos que não venham frutos bichados nessas novas safras).

(Agradecimentos: Zulu King Nino Brown)

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