Memória BF | Digable Planets – 25 anos de ‘Blowout Comb’

Capa do CD digitalizada

O trio Digable Planets, formado por Butterfly, Ladybug Mecca e Doodlebug, deixou um legado para o Rap que até hoje influencia artistas dos mais diversos estilos musicais ao redor do mundo.

Quem conhece os trabalhos lançados por eles nos anos 90 sabe muito bem disso. Quem não conhece faça essa viagem musical e vai entender a importância do legado deixado pelo grupo.

Exatamente hoje, 18 de outubro de 2019, fazem 25 anos que o disco ‘Blowout Comb‘ foi lançado. Para escrever sobre ele, coloquei o fone e aumentei o volume com a certeza de ouvir um disco que não precisarei ficar pulando faixas. Digable Planets é sinônimo não apenas da mistura, mas do encontro e a relação duradoura entre o Rap e o Jazz.

‘Blowout Comb’ é o segundo disco do trio e nem é o de maior sucesso comercial, mas quem admira música boa não se guia pelo “mercado”, o que vale é a essência, então não se engane, pois o tempo vai mostrar que o tal do “mercado” quase sempre erra.

Assista ao vídeo do single do primeiro disco “Rebirth of slick (Cool like dat)”

Quem não aceitou bem esse disco, lançado em outubro de 1994, errou feio. Hoje, ou melhor, desde o começo da semana, a maioria dos sites especializados estão relembrando esse clássico, fazendo mixtapes, reviews e homenagens, se rendendo ao Rap bem feito.

Antes, é preciso saber que o álbum de estreia do DP (‘Reachin’ – A New Refutation of Time and Space’) foi sucesso absoluto, lhes rendendo o Grammy de Melhor Performance de Rap por Duo ou Grupo com o single “Rebirth of slick (Cool like dat)”.

Para fazer este disco eles se mudaram da cidade de Philadelfia para o bairro do Brooklyn, em Nova York. Já naquele tempo era sabido que a água no Brooklyn tinha algo de diferente, afinal quantos grandes rappers e MCs já saíram desse bairro abençoado pelos deuses do Rap? A intenção deles era essa mesmo, respirar o mesmo ar dos grandes nomes da Golden Era. Escolheram o melhor lugar pra isso. Vale ressaltar que o Brasil tem uma grande participação na história desse grupo, afinal Mariana ‘Ladybug Mecca’ Vieira é filha de brasileiros.

Assista ao vídeo de “9th wonder (Blackitolism)”

Contra-capa do álbum (clique para ampliar)

O título faz referência ao famoso ‘Pente Garfo’, que está na capa do álbum e foi popularizado durante o ‘Movimento Black Power’. Isso diz muito sobre o que eles queriam com o álbum: mostrar a sua natureza, utilizar o original, o que faz parte das suas origens. Butterfly foi para Los Angeles antes das gravações, onde conversou com os mais velhos, ouviu histórias e resolveu voltar as suas raízes.

O disco faz muitas referências a Nação do Islã e aos Panteras Negras, Partido do qual seus pais fizeram parte. O Brooklyn também está presente em muitas músicas. A principal delas tem a participação de Guru (Gang Starr) e foi a primeira ser gravada: “Borough check”.

O fato do conceito do disco ser o afrocentrismo e o nacionalismo negro, é para muitos críticos um dos motivos da falta de apoio da gravadora e do mercado – de novo ele – e também de críticos, na sua maioria brancos naquele momento. O discurso de Butterfly no Grammy foi uma cutucada e um anúncio do que estaria por vir, entre outras coisas, ele disse: “Para a Família Negra Universal… Um dia vamos reconhecer nosso verdadeiro inimigo, e pararemos de atacar um ao outro, e talvez então possamos fazer algumas mudanças”.

Assista ao vídeo de “Dial 7 (Axioms of creamy spies)”

Ah, Já estava esquecendo! Para este disco eles mudaram seus nomes artísticos, abandonaram os insetos e passaram a ser: Ish (Butterfly), Mecca (Ladybug) e C-Know (Doodlebug).

Muitos samples do disco se misturam a instrumentos tocados e batidas sincronizadas perfeitamente com as vozes. Por exemplo, Jeru The Damaja participa na música “Graffiti”. Sua voz fácil de reconhecer foi gravada de uma forma que ele parece mais um integrante do grupo e não alguém convidado.

Ouça a mixtape do DJ Jedi com os samples usados no álbum

No total são 13 faixas e apenas dois singles: “9th wonder (Blackitolism)”, que conta com a participação do veterano DJ Jazzy Joyce e é uma das faixas mais pesadas do álbum. O outro single é uma de suas músicas mais famosas, a “Dial 7 (Axioms of creamy spies)”.

Ainda sobre a arte do disco, os recortes e ilustrações foram inspirados por um jornal dos Panteras Negras que Ish encontrou na casa de um parente. Sempre tem muito mais pra falar sobre os álbuns que postamos aqui, mas o tempo é curto. Ouça, pesquise, questione, corrija, curta, siga, compartilhe, nos ajude a construir o conteúdo.

Ouça o álbum

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